Tolerar; até quando?

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Tolerância é uma palavra que possui diversos significados, entre eles, o direito que se reconhece aos outros de terem opiniões diferentes ou até diametralmente opostas às nossas. Atualmente, a tolerância parece ser atitude obrigatória diante de quase tudo que acontece no Brasil e no mundo. Devemos ser tolerantes com a violência, a maldade, a imoralidade, a falta de ética, a mentira, a inércia, a falta de fé. Precisamos tolerar condutas absurdas para não sermos considerados preconceituosos. Mesmo dentro das Igrejas essa tolerância tem acontecido e se mostra extremamente danosa, senão vejamos:

É certo que Deus é amor (isso todo o mundo sabe); mas não quer dizer que Ele aceita e aprova tudo o que está acontecendo nos dias atuais. A Igreja e os cristãos estão correndo o risco de se tornarem “mundo”, pois já não estão mais em oposição ao pecado; antes, claramente o aceitam para não serem discriminados ou rotulados como intolerantes.

Deus chama a Igreja e os cristãos a viverem em oposição ao pecado, não lhe sendo tolerantes e nem pretendendo que o pecado seja bom, mas declarando que o pecado é pecado e procurando orientar aqueles que vivem de forma pecaminosa para que se arrependam e procedam bem.

O fato de Deus ser um pai amoroso conforta e nos dá a entender que Ele ama o pecador; mas, mesmo assim, odeia o pecado e pune os pecadores por causa de seus erros. O perdão acontece diante do arrependimento e, sem este, não há que se falar em perdão. Não podemos divorciar o amor de Deus de sua santidade. Ele é amoroso sim, mas também é santo e, sendo santo, odeia o pecado. Simplesmente não aprova as práticas do mundo, nem é tolerante com elas.

No capítulo 12 de Romanos, em seu versículo 2, podemos ler: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Ora, a vontade de Deus é que percebamos que, apesar de aparentemente piedosa, essa tão propagada tolerância atual é de fato ímpia, pois não leva em conta os preceitos de Deus e sim o desejo dos homens, que têm se arvorado juízes daquilo que consideram certo ou errado, descartando a lei divina.

Assim, Deus diz: Não matarás (Êxodo, capítulo 20, versículo 13), mas o homem faz campanhas a favor do aborto. Deus diz: Não adulterarás (Êxodo, capítulo 20, versículo 14), mas o homem faz novelas e programas que promovem a imoralidade, enaltecendo a conduta promíscua, e consequentemente esfacelando nossas famílias. Deus diz: Não furtarás (Êxodo, capítulo 20, versículo 15), mas o homem desvia o dinheiro público que poderia ser aplicado em educação e saúde para finalidades outras, desamparando a população carente e o pobre necessitado.

Esses exemplos mostram que o homem já não considera a lei de Deus como padrão, modelo ou guia de certo e errado, mas deseja ser seu próprio juiz no tocante ao que considera bom ou mal, instituindo a tolerância como chave micha capaz de abrir inúmeras portas que nem sempre são adequadas ou convêm àqueles que servem a Deus. As práticas do mundo podem ser atrativas para muitos, mas quando os cristãos as toleram minam sua própria santidade, correndo o risco de serem julgados, se já não tiverem caminhado para sua própria destruição.

A tolerância com as práticas erradas assemelha-se à omissão e certamente de nós será cobrada. O amor ao próximo não pode nos cegar quanto ao pecado e ao erro, pois busca exatamente a salvação das almas. Em conformidade com o capítulo 5 de Tiago, em seu versículo 20: “Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.” Dessa forma, todo cristão tem o dever moral de se manifestar contrário ao que não coaduna com a lei de Deus, ainda que possa parecer intolerante aos olhos desta nossa sociedade. Em Ezequiel, capítulo 44, versículo 23, pode-se ler: “E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro.” A tolerância, da forma como nos tem sido apresentada ultimamente, é perigosa, ímpia, hipócrita e antibíblica.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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