O jogo de palavras e o ensinar a pensar

Compartilhar no Facebook

Enviar por email Imprimir este artigo
 

Existe a possibilidade de se ministrar um tema de História ou Geografia, Matemática ou Ciências, Língua Inglesa ou Portuguesa sem ficar à frente da classe expondo e, dessa forma, impondo a monotonia e o cansaço?

Pode esse tema, posteriormente avaliado, garantir maior compreensão e lucidez por parte dos alunos, dos temas que se ministrado através de aula expositiva?

√Č poss√≠vel na reg√™ncia dessa aula, conquistar a certeza de que sua apresenta√ß√£o n√£o suscitar√° indisciplina, desinteresse e apatia? Pode esse tema garantir ao professor menos disp√™ndio de energia que o imposto por aula tradicional?

As respostas a essas perguntas são afirmativas e, ainda de quebra, a ela outras conquistas positivas se agregará. Assim…

Ser√° poss√≠vel com esse trabalho alcan√ßar n√£o apenas as disciplinas acima relacionadas como outra qualquer, poder√° esse trabalho, devidamente adaptado, ser executado em qualquer s√©rie ou n√≠vel de escolaridade e, bem mais que apenas uma compreens√£o literal do que se exp√Ķe, se garantir√° trabalhar-se simultaneamente o texto e contexto, desenvolvendo do racioc√≠nio l√≥gico e levando os alunos a uma aprendizagem significativa e explora√ß√£o de habilidades operat√≥rias mais amplas que as provocadas por simples explana√ß√£o. Portanto, no desempenho desse trabalho o professor poder√° estar se aproximando dos sonhos de Piaget, ao levar o aluno n√£o a conquistar um conhecimento interiorizando-o de fora para dentro, mas construindo-o interiormente em um processo de assimila√ß√£o, tornando o apreendido compat√≠vel com as estruturas mentais de seus alunos e, dessa forma, espec√≠fico para cada um. E tudo isso apenas com a coragem em se substituir uma tradicional exposi√ß√£o por um envolvente e motivador Jogo de Palavras.

Mas, como faze-lo?

Em primeiro lugar garantindo que os alunos tenham alguma ideia sobre o tema, conquistada através de uma leitura ou de outro processo de informação.

Em segundo lugar, organizando os alunos em duplas, trios ou quartetos e, dessa forma, fazendo-os falar e, por falar estimular as estruturas mentais do pensar;

Por √ļltimo organizando, com crit√©rio e acuidade, uma, duas ou tr√™s senten√ßas sobre o assunto escolhido.

Ap√≥s a sele√ß√£o dessas quest√Ķes, extremamente pertinentes e significativas em rela√ß√£o a ess√™ncia e objetivos do texto, fragmenta-las separando cada uma das palavras e escrevendo cada palavra em um pequeno quadrado de papel. Mais f√°cil √© quadricular-se uma folha antes, escrever as palavras em cada dos quadrados e somente depois corta-la. Esse emaranhado de palavras, amontoadas ao acaso e unidas fora de ordem comp√Ķe o recurso material do ‚Äújogo de palavras‚ÄĚ.

Com tantas c√≥pias desse material quantas duplas, trios ou grupos se contar em classe, basta entrega-la aos alunos destacando que sua tarefa, √† imagem de quem monta quebra-cabe√ßas, ser√° tentar ordenar as frases, emprestando-lhe sentido l√≥gico. Algo, por exemplo, similar que afirmar ‚Äú√Č constru√ß√£o coisa n√£o que de, mas fora processo o interativo de um conhecimento vem interior‚ÄĚ e que ordenado expressaria ‚ÄúO conhecimento n√£o √© uma coisa que vem de fora, mas processo interativo de constru√ß√£o interior‚ÄĚ.

Ao se envolverem no desafio que essa atividade abriga, os alunos encontrariam motiva√ß√£o por ver substitu√≠da sua postura passiva de ouvinte por a√ß√£o solidaria de jogador; motivados, n√£o se desviariam da tarefa e, portanto, estriam interessados e disciplinados, o professor economizaria energia pois estaria substituindo tradicional discurso, por ajuda interativa e, essa aula, levaria o aluno a falar, trocar ideias, buscar esquemas de solu√ß√£o e por essas vias pensar, usando habilidades que envolveriam an√°lise e s√≠ntese, compara√ß√£o e classifica√ß√£o, dedu√ß√£o e contextualiza√ß√£o. Ao inv√©s de se colocarem de forma passiva diante de um texto, estariam exercitando esquemas de assimila√ß√£o em atividade pura diante do objeto da aprendizagem, simbolizado pelo texto fragmentado, ao qual buscariam uma estrutura l√≥gica. Nessa atividade o professor transformou texto em contexto, colocou em a√ß√£o mecanismos de uso dos hemisf√©rios cerebrais direito e esquerdo e, levando a seus alunos jogo desafiador e atraente, atrav√©s do mesmo ensinou que o novo conhecimento n√£o se sobrep√Ķe aos conhecimentos anteriores, mas a eles se comp√Ķe modificando-o.

Apenas uma quest√£o o desafio nesta breve cr√īnica proposto √© incapaz de responder:

Se √© assim t√£o simples descobrir estrat√©gias de ensino motivadoras e capazes de construir significativa aprendizagem, porque permanece t√£o intoc√°vel e imbat√≠vel o imp√©rio da aula apenas expositiva onde se trabalha o conhecimento como ‚Äúcoisa‚ÄĚ que vem de fora, como informa√ß√£o com a qual se entulham e desrespeitam c√©rebros, eventualmente adestrando-os, jamais estimulando atividades concretas e abstratas com o objeto da aprendizagem?


Celso Antunes
Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de S√£o Paulo, Mestre em Ci√™ncias Humanas e Especialista em Intelig√™ncia e Cogni√ß√£o; Membro da Associa√ß√£o Internacional pelos Direitos da Crian√ßa Brincar (UNESCO); Embajador de la Educacion ‚Äď Organizaci√≥n de Estados Americanos; colaborador em√©rito do Ex√©rcito Brasileiro; s√≥cio fundador do Todos pela Educa√ß√£o - Sociedade Civil que re√ļne lideran√ßas sociais, representantes da iniciativa privada e educadores; autor de cerca de 180 livros e consultor de diversas revistas especializadas em Ensino e Aprendizagem; ministrou palestras e cursos em todos os estados do pa√≠s, mais de 500 munic√≠pios; ministrou palestras e cursos na Argentina, Uruguai, Peru, M√©xico e outros pa√≠ses.
Email: celso@celsoantunes.com.br
Site: www.celsoantunes.com.br




Mais textos deste colunista:
Uma Professora de Belezas
Quem ama o feio... ou Darwin que disse
Se assim somos é porque assim imitamos
O cérebro e a sala de aula
Deficiência
Alienação
Cuidado! O nazismo pode estar voltando...
Um "ET" em minha sala (I) - O que aprender
A crian√ßa e o mundo dos n√ļmeros
Ensinar o que? II
Competências do Ensino Médio
Saber fazer é bom, saber porque fazer é mais...
Ser leitor
A disciplina em sala de aula
Margarida
Olhar Emp√°tico do Mestre
Um sol que n√£o tem tamanho
Um Programa Alternativo
Os Bichos e os Homens
Cérebro Adolescente
Por que ensinar valores?
Nesta escola n√£o existe...
Bota a gente calça e calça a gente bota...
A Pl√°stica e a Caminhada
Por que as crianças se estressam?
O Espaço Tenebroso
Dificuldade de Aprendizagem ou de Sensibilidade?

COMENTE ESTE ARTIGO:
Nome:
Email:

(0 / 255)
O tamanho máximo do comentário é de 255 caracteres.
Atenção!
Você irá receber um email para confirmar seu comentário para que o mesmo seja publicado nesta página, portanto o campo Email é de preenchimento obrigatório e, ao enviar, você assume a responsabilidade pelas suas palavras inseridas neste comentário.
*NOTA : o JornalRMC abre esse espaço para que nossos colunistas exponham, de forma voluntária, seus pontos de vista sobre os assuntos em que são especialistas. Dessa forma, as opiniões apresentadas são de única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, não refletindo necessariamente a opinião do portal e de seus editores.

 
SOS Impressoras
Rádio Novo Tempo Campinas
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

.: Acessos: 10.637.355 :. | .: desde Agosto/2007 :. | .: contato: imprensa@jornalrmc.com.br :. | .: desenvolvido por: LINDEMUTH Comunicação :.