Quem segura o leme da “Barca de Pedro”?

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Tenho recebido inúmeros emails sobre a pedofilia e a santidade na Igreja Católica. Notícias sobre os padres pedófilos, solidariedade ou ataques ao papa Bento XVI, desespero diante daquilo que parece ser o assassinato ou o suicídio da fé católica. Uma avalanche de mensagens pessimistas, negativas, que acabam reforçando a visão sombria acerca dos acontecimentos que, a meu ver, têm caráter saneador. A pedofilia não é privilégio dos meios eclesiásticos. É prática que, infelizmente, grassa na sociedade como um todo. Aliás, será que hoje se alastra ou já acontecia e ninguém denunciava? Abusos ocorrem aos milhares dentro dos lares; sempre aconteceram, só que atualmente ganham o noticiário, através de denúncias estimuladas por campanhas de conscientização. É realmente uma pena que diante de pequena percentagem de padres pedófilos, a imprensa faça tamanho alvoroço. Se resolvesse fazer o mesmo com avós, pais e padrastos... Melhor nem pensar!

Muitos aproveitam o falatório para defender o fim do celibato sacerdotal, dando a entender que se fossem casados, tais sacerdotes não teriam se envolvido em episódios de pedofilia. Outro engano. A castidade não é distúrbio, a pedofilia sim. Sem dúvida alguma quem apresenta desvios de ordem sexual necessita de tratamento, o que já não acontece com quem voluntariamente se abstém da intimidade conjugal com a finalidade de exercitar a castidade e cumprir votos. É absurdo supor que a realização pessoal exija a prática de relações sexuais. E mais, que se considere quem não as pratica ou não as deseja como anormal ou insano. Eu não precisei experimentar drogas para saber que elas não me convinham, e creio que um aspirante ao sacerdócio católico também não necessite iniciar-se sexualmente para verificar se deseja ou não fazer voto de castidade. Muitos que atualmente defendem a extinção do celibato advogam em causa própria, ou possuem a errônea idéia de que o homem privado da atividade sexual fica predisposto ao desenvolvimento de alguma patologia na área, o que realmente não procede.

Aos que estão alarmados com todas essas notícias, tranquilizem-se. Uma faxina sempre deixa a casa mais arrumada. O catolicismo não vai acabar, não. Apenas é necessário separar o joio do trigo. Existem excelentes sacerdotes, vocacionados, que não podem ser confundidos ou comparados à meia dúzia de desequilibrados que conseguiram esconder seu distúrbio sob a batina ou não obtiveram êxito em tratamentos especializados. Casar não resolve o problema, até porquê o matrimônio igualmente exige vocação. Não é qualquer pessoa que possui preparo para a vida conjugal. O casamento, para perdurar através dos anos, exige renúncia contínua e o frequente exercício do perdão. Não é uma brincadeira, como muitos imaginam ao colocar coroa de princesa e terno de príncipe. Casamento é compromisso, assim como o sacerdócio. É opção que se faz para a vida toda.

A Igreja Católica foi fundada pelo próprio Cristo, “aquele que é”, motivo pelo qual ela nunca deixará de “ser”. Ataques, controvérsias e discussões continuarão existindo, pois fazem parte de sua história. A criatura ainda hoje tenta impor o seu modo de pensar e agir: defendendo o aborto, a eutanásia, a dissolução do casamento. O Criador, no entanto, se mantém firme. Sosseguem; é Ele quem tem nas mãos o leme da “Barca de Pedro”.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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