Violência sexual face à crianças

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Estamos observando estarrecidos o aumento da violência sexual face a crianças nos últimos tempos. Isso não está ocorrendo somente nas ruas, mas também nos lares. Os autores são os mais diversos, desde pais, padrastos, padres, pastores, doutores ou marginais; conhecidos ou desconhecidos; instruídos ou sem qualquer instrução. Os abusos estão ocorrendo em toda a parte. Mas, afinal, o que é isso? Essa onda de violência que se alastra a cada dia, transformando o comportamento aparentemente pacato de tantas pessoas acima de qualquer suspeita em atitudes criminosas, indignas e revoltantes? É; não é de hoje que as crianças têm ficado extremamente vulneráveis. Já não contam com a proteção dos pais e familiares. Aliás, já não contam com o respeito deles.

Pra mim, essa história começou há algum tempo atrás. Tempo em que a erotização da programação infantil contribuiu para a erotização da própria criança. A ingenuidade foi dando lugar à astúcia e nossas crianças começaram a descobrir propósitos até onde eles possivelmente não existiam. A inocência foi sendo bombardeada pela mídia com inúmeros abusos, entre os quais: roupas inadequadas, entrevistas picantes, insinuações maliciosas e todo o tipo de estimulação sensual e afetiva. A criança foi perdendo o gosto pela infância, pois a vida adulta passou a ser excessivamente mais atraente e convidativa. A precocidade passou a ser enaltecida como uma virtude e as crianças, em busca de reconhecimento, começaram a pular fases importantes de seu desenvolvimento somente para alcançar um padrão que passava a ser socialmente requisitado e aceito como adequado.

Quantas crianças esconderam seu rosto por detrás de muita maquiagem só para parecerem mais velhas e chamativas? Quantas se deixaram ridicularizar em concursos de beleza, onde a simpatia servia apenas se estivesse acompanhada de pernas e barriga à mostra? Os valores foram se alterando e junto com eles a noção adulta de infância. Antigamente, eram comuns referências à infância como um período sublime e inocente. Atualmente, pense bem, já não é mais assim. Qual é a visão que se tem da infância? Crianças crescidas, amadurecidas, pequenos adultos. Têm-se menos condescendência com as falhas infantis. Cobra-se mais. Cobra-se postura de “gente grande”. Olha-se para a criança com certa desconfiança, como se quiséssemos ter certeza de que ela não está mentindo. Ficamos sondando seu desejo, como se ela tivesse realmente “segundas intenções”. A criança não é mais vista como criança; e isso tem contribuído para que o adulto diminua sua preocupação com ela. Delega à pequenina sua própria preservação, sem se dar conta de que isso, no fundo, é impossível. Embora saiba falar e expressar sua opinião, a criança nem sempre sabe o que é melhor para ela. E os adultos têm ignorado tal fato, por incrível que pareça.

Não existe mais respeito pela infantilidade da criança, sua ingenuidade, sua doçura. Credita-se a mesma o favorecimento da aproximação do adulto lascivo, como se ela fosse extremamente tentadora e insinuante. Quando a vítima parece não ser tão inocente o crime parece não ser tão abominável. Justificam-se ímpetos libidinosos de uma personalidade doente frente ao consentimento vago da criança que pensa entender o que jamais ousou supor. Quando se tem notícia do ocorrido já é tarde demais. Restam as sequelas que não se apagam com o simples alvorecer de um novo dia.

Por favor, não se enganem. Por mais que a mídia queira amadurecer nossas crianças fisicamente, elas não têm como acompanhar tal amadurecimento a nível emocional. Precisam ser guiadas, amparadas, socorridas. Elas não possuem ainda discernimento acerca do que é realmente bom para elas. Vamos proteger nossas crianças da erotização precoce. Vamos ajudá-las na difícil tarefa de desvencilhar-se da influência sedutora e deletéria da mídia televisiva. Vocês vão ver como as coisas voltarão à normalidade e as pessoas doentes serão facilmente identificadas. Não haverá mais correspondência entre o criminoso e o anseio infantil pela vivência adulta. Tudo voltará a ser como sempre foi: criança será apenas criança, e nada mais.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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