Saber fazer é bom, saber porque fazer é mais...

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Marilena me envia uma mensagem dizendo que aprendeu direitinho como desenvolver um Jogo de Palavras e que, agora, com segurança vai aplicar essa estratégia de ensino em suas aulas. A mensagem e o agradecimento me deixaram feliz, mas bastante preocupado. Feliz porquê descobri a intenção do elogio e a simpatia do aplauso. Agradeço, mas fico entristecido. Claro que quando sugeri como desenvolver o Jogo de Palavras pretendia que meus colegas pudessem aprendê-lo e tivessem vontade de colocá-lo em prática, o que, entretanto deixou-me angustiado foi o “direitinho” que Marilena escreveu.

Não escrevo livros para que sejam lidos e que assumam minhas idéias de forma irrestrita, aceitem minhas propostas para fazê-las da maneira como fiz. Faça-os para que meus amigos ao ler, possam refletir, discutir, corrigir, analisar e, se superar suas incontáveis deficiências, fazê-las transformar-se em ação. O texto não é para ser engolido, mas mastigado, não pretende reprodução, mas transformação para que se ajuste a realidade que se tem, para que possa se contextualizar na aula que se quer ministrar. Quando relato uma experiência vivida ou assistida, esse relato possui um tempo e uma circunstância, e somente pode ser reproduzido “direitinho” para ter efeito positivo que um dia teve, se a aula que se dá fosse aplicada no impossível tempo em que ocorreu para impossíveis alunos, exatamente igual aos que a experimentaram. É por isso que a mensagem de Marilena me preocupou.

Manuel Bandeira em um de seus poemas ensina que “faz versos como quem morre”, querendo com o mesmo falar, que os faz para inspirar sentimentos e despertar emoções e que estes sentimentos e emoções enviados ao leitor, possam agir sobre o mesmo e dessa forma fazer emergir sentimentos e emoções próprias que inspirará ações pessoais e intransferíveis. É exatamente nesse contexto que todo aquele que ensina alguém, transformando-o, efetivamente o ensina. Se recebermos uma mensagem e achamos que a mesma nos serviu, essa servidão será verdadeiramente autêntica se despertar reflexão e poder se fazer ação na realidade e no tempo que se busca agir. O aprender alguma coisa nunca se dá quando o objeto do saber permite integral reprodução. Se tal ocorre, não houve aprendizagem, ocorreu cópia, não se deu à assimilação, mas simples exercício de reprodução.


Muito obrigado Marilena.

Fico feliz com sua mensagem e percebo a linda sinceridade nesse agradecimento. Sinto que a franqueza de suas palavras atingiu minhas emoções e que, por isso, preciso ser professor melhor, ensinar meus alunos a nunca imitar o que faço, mas descobrir no meu fazer, uma sugestão para inspirar um fazer melhor, ajustado a uma realidade diferente. Não anseio cumprimentos, mas a crítica, não busco a descrição, mas a análise. Saber fazer é bom, mas saber porquê fazer é mais. Muito mais.


Celso Antunes
Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo, Mestre em Ciências Humanas e Especialista em Inteligência e Cognição; Membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (UNESCO); Embajador de la Educacion – Organización de Estados Americanos; colaborador emérito do Exército Brasileiro; sócio fundador do Todos pela Educação - Sociedade Civil que reúne lideranças sociais, representantes da iniciativa privada e educadores; autor de cerca de 180 livros e consultor de diversas revistas especializadas em Ensino e Aprendizagem; ministrou palestras e cursos em todos os estados do país, mais de 500 municípios; ministrou palestras e cursos na Argentina, Uruguai, Peru, México e outros países.
Email: celso@celsoantunes.com.br
Site: www.celsoantunes.com.br




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