A oração e o livramento

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Meditando sobre a passagem bíblica em que Pedro estava na prisão e foi liberto por um anjo de Deus (At 12, 1-19), percebi que a fé e a oração da comunidade foram fundamentais em seu livramento. Orar pressupõe crer que alguém nos ouve e pode fazer algo por nós. Ninguém sabia exatamente o que Deus faria, mas confiavam que o fizesse; como fez. Sem dúvida alguma é uma passagem muito bonita. Talvez, dado o tempo transcorrido, alguns fiéis questionem se tal poderia ocorrer nos dias de hoje. Deixem que eu lhes conte algo interessante.

Como psicóloga judiciária, às vezes, sou incumbida da avaliação de crianças vítimas de abuso sexual. Pois bem, tratava-se de um menino com seis anos de idade. Os laudos dos médicos peritos atestavam que ele havia sido vítima de violência. A mãe da criança acusava um servente de pedreiro pelo crime, pois o teria visto saindo de uma construção no momento em que seu filho corria para casa. O promotor de justiça já havia ouvido o acusado e não tinha dúvida de que era culpado. O indiciado se dizia inocente. O juiz, visando ter mais elementos para sentenciar, solicitou uma avaliação psicológica do caso. Fui designada.

O indiciado era rapaz que havia acabado de completar dezoito anos de idade, evangélico, noivo com casamento marcado para daí a seis meses, e, segundo ele, virgem, como exige a religião. Estava preso há algumas semanas e vinha sendo mantido em cela separada, porque os carcereiros tinham medo de colocá-lo junto aos outros detentos e o pobre vir a ser violentado e assassinado antes da sentença de condenação. Toda sua igreja orava com fervor para que a justiça acontecesse. Dias antes de ser entrevistado, a mãe lhe mandou um recado do pastor. Afirmava que Deus lhe havia dito que seu filho seria liberto. O jovem acreditou nessa palavra, mesmo contra as evidências de sua possível condenação. Todos os congregados oravam por ele.

Entrevistei primeiro a mãe da criança. Ela afirmava ter certeza de que o servente havia feito mal ao seu filho. Desorientada, passou a dizer coisas sem sentido, e percebi que estava em surto psicótico. Suas afirmações poderiam ser delírios ou alucinações. Passei, então, a avaliar o menino. Não havia dúvida quanto ao fato dele ter sido molestado sexualmente. Os indícios eram claros, e havia ainda o parecer dos peritos. O abuso tinha ocorrido mesmo, no entanto, a avaliação mostrou que os responsáveis pelo ato eram outros meninos do bairro, que, por mais de uma vez, haviam forçado a criança nesse sentido.

O evangélico foi liberado da prisão assim que o juiz tomou conhecimento da avaliação psicológica. Constatou que, embora o crime tivesse se configurado, havia sido cometido por outras pessoas. A genitora, em surto psicótico e, por isso mesmo confusa e perturbada, foi encaminhada para tratamento psiquiátrico. Bem se vê que, ainda hoje, Deus cuida dos seus e atende as orações feitas com fé. Ele continua operando milagres. Disso, sou testemunha. Como Pedro, o indiciado saiu livre!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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