Somos especiais

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Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

“Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti.” (Is 43, 4)


Talvez estejamos precisando entrar em contato com o grande amor de Deus por nós. Nem sempre nos sentimos amados, e isso se dá, sobretudo, pela forma como as pessoas nos sentenciam, sem ao menos nos conhecer amiúde, sem saber o que se passa em nosso coração. Somos julgados por nossa aparência, por nosso linguajar, pela fé que professamos. O referencial é sempre de quem avalia e não o nosso. Podemos estar sendo sinceros, mas se a pessoa que nos julga é cética, dificilmente acreditará em nossas palavras. Quem não se ama, provavelmente desconfiará de quem lhe oferece amor. Quem desconhece a amizade, duvida da transparência que existe num sorriso aberto e no aperto de mão firme. Sem desejar, alimentamos a desconfiança do desconfiado. Somos rotulados, sem chance de defesa, pelo “achismo” da outra pessoa.

Essas reflexões me fazem lembrar uma estória, criada pelo escritor e pastor evangélico norte-americano Max Lucado, na qual ele retrata a vida dos Xulingos, pequeno povo de madeira que costumava colar adesivos uns nos outros em sinal de aprovação ou desaprovação. Assim, havia aqueles que possuíam inúmeras estrelas douradas, enquanto outros possuíam dezenas de bolas cinzentas. O personagem principal vivia triste em função da avaliação alheia, e da grande quantidade de adesivos cinzentos, até conhecer o carpinteiro, responsável pela confecção dos Xulingos. O carpinteiro lhe explicou que não deveria se importar com o julgamento dos outros, pois era ele quem o havia criado e lhe tinha estima. Era necessário ao personagem confiar no amor que o carpinteiro tinha por ele.

Somos do mesmo jeito. Precisamos aprender a confiar no amor que Deus tem por nós para que possamos deixar de lado a opinião dos outros. Nem sempre isso é fácil, mas é possível. O Criador nos fez exatamente como gostaria que fôssemos. Nossa tarefa é simples: amar e servir, à semelhança do exemplo que Ele mesmo nos deixou. Não importa que duvidem da nossa sinceridade. Não importa que nos diminuam, crendo que não somos capazes. Temos talentos. A cada qual o seu lugar. Não existe maior ou menor. Todos são necessários.

Acabo de lembrar outra estória, criada pelo escritor brasileiro Pedro Bandeira. Na narrativa, um pardal se sentia diminuído perto de outros pássaros, vistosos e canoros. Voava sobre as árvores e se escondia envergonhado, sem perceber que espalhava sementes pelo caminho. Na vida também é dessa forma. Enquanto milhares de pássaros apenas cantam e se exibem, centenas de pardais semeiam. É bem verdade que, aos olhos de muitos, os pardais são inexpressivos, assim como as pessoas de pouca cultura e instrução. Mas, a linguagem do amor é universal e, tantas vezes, desproporcional, já que pequenas sementes podem produzir grandes florestas. Não desista se alguém o diminuiu. Somos especiais. Creia nisso, e o Senhor fará de você um grande semeador!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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