Amizade

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Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

Quando Maria era pequena uma das coisas que mais queria era uma amiga. Não tinha irmã, então, imaginava que uma amiga seria como uma irmã para ela. Procurava entre as colegas de escola alguém que desejasse ser sua amiga, mas infelizmente, ela não era das mais populares nem aceitava fazer qualquer coisa para conquistar afeição. Logo percebeu que arrumar uma amiga não seria tão simples. Além de ter que confiar em alguém, alguém também teria que confiar nela. Notou que não era possível acreditar em todo mundo. Muitas pessoas mentiam e outras não sabiam guardar segredos. Isso era uma das coisas que Maria achava muito importante – saber guardar segredo. Quase ninguém sabia. Então, percebeu que, se quisesse ser uma boa amiga, teria de aprender a guardar segredo. Com o tempo, ela aprendeu.

Todos vinham lhe contar seus segredos, pois logo entenderam que ela não espalhava as notícias ao vento. Maria ficava feliz com a confiança depositada, mas continuava com um grande problema: não tinha para quem contar os seus segredos. A primeira vez que arriscou confiar em alguém foi traída e tremendamente humilhada. Aquilo doeu demais. Todos os seus colegas de classe se afastaram dela em função de uma mentira inventada por sua “amiga”. Na festa de aniversário que sua mãe organizou para ela naquele ano, apenas José apareceu. Isso ensinou muito a Maria acerca de respeito e lealdade.

Naquele mesmo dia, José ganhou uma amiga para sempre. O tempo passou, e acabaram se distanciando fisicamente. Há algumas semanas, no entanto, José foi criticado publicamente sem piedade. A crítica beirou a humilhação. Maria fez questão de lhe manifestar sua solidariedade e apreço, plantados há mais de trinta anos no solo fértil de seu coração adolescente. Jamais permitiria que seu amigo fosse humilhado na solidão. Nem que fosse a única a apoiá-lo, ele não estaria sozinho, pois a amizade que ela lhe tem não possui prazo de validade.

A verdadeira amizade não é somente aquela que enxuga lágrimas, mas também a que empunha a espada no momento decisivo, ainda que para morrer, dada a desigualdade de forças, mas na dignidade de honrar um compromisso fraterno. A verdadeira amizade não é somente aquela que ampara o desvalido, mas a que se rejubila com o sucesso do agraciado sem lhe invejar a posição de destaque ou o salário compensador. A verdadeira amizade é aquela que corre riscos de se frustrar, pois nem todos sabem ser amigos, mas a despeito disso continua acreditando no amor, pois se fez amor para poder acolher alguém. Que Jesus Cristo, o maior amigo que a humanidade já teve, nos sirva de exemplo.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
Email: contato@mariaregina.com.br
Site: www.mariaregina.com.br




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