Ainda não foi desta vez

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Certas pessoas não conseguem atingir seus objetivos mesmo se esforçando muito para isso. Não conseguem emagrecer ainda que fazendo dieta. Não conseguem se acalmar mesmo fazendo relaxamento. Não conseguem aprender ainda que estudando. Não conseguem sucesso profissional mesmo se dedicando ao máximo. Não conseguem encontrar o amor ainda que procurando desesperadamente. Não conseguem dormir mesmo tomando tranquilizantes e seguindo as recomendações médicas. Não conseguem falar baixo, não conseguem deixar um vício, não conseguem ter fé, não conseguem ser felizes.

Por que isso acontece? Será que não se esforçam o suficiente? São castigados por Deus? Duvidam da própria capacidade de vencer desafios? Se houvesse uma resposta certa, talvez ficasse bem mais fácil ajudar quem se sente frustrado. No entanto, confesso, não sei porque essas coisas acontecem. A lógica e a matemática parecem não funcionar com essas pessoas. Afinal, se você come mil e duzentas calorias por dia deveria emagrecer. Se faz relaxamento toda a semana tenderia a conquistar serenidade. Se estuda com afinco natural seria conseguir aprovação na escola ou num concurso. Se investe em seu aprimoramento profissional, cumpre prazos e metas, o sucesso deveria ser apenas consequência. Se deseja amar e ser amado, coisa tão básica, encontraria diversas opções. Se anseia pelo sono, e ainda toma remédios, com certeza deveria dormir. E por aí vai... Não há uma explicação convincente que comprove porque uns conseguem e outros não, embora muitos se esforcem para encontrar respostas.

E o que se faz, então? De início, nada. Aceitar as impossibilidades parece ser a alternativa menos desgastante diante do quadro exposto. Adianta você brigar com a balança? Esmurrar o primeiro que aparecer? Queimar seus livros? Pular da ponte? Casar com a primeira pessoa que encontrar? Dobrar a dose do tranquilizante? Por incrível que pareça, tem gente que faz essas coisas, mas não alcança o resultado esperado agindo assim. Precisamos ser humildes diante de nossa limitação frente a certas situações. Verificar que estamos sujeitos a leis que desconhecemos, e processos complexos ainda não explicados pela ciência.

A física quântica diz que criamos a realidade com os nossos pensamentos. Será? Não sei. Pode ser. Pode não ser. Tem tanta coisa que ainda não sabemos. Mesmo assim ficamos brigando com as impossibilidades da vida sem usar um pouco de tempo para refletir e tentar assimilar o que os acontecimentos têm a nos ensinar. Se existe algo que aprendi desde pequena é que não adianta “dar murros em ponta de faca”, pois o resultado é desastroso. Se você não consegue atingir o seu objetivo, ainda que se esforçando, pare um pouco; espere; deixe o tempo trazer elementos que ajudem a compreender o que se passa. Entenda que não foi desta vez que você conseguiu alcançar o que desejava. Entenda também que isso não é o fim, mas uma parada para o repouso e o restabelecimento das forças. Não conseguimos entender, mas também não devemos nos desesperar. Anos antes de nós, o poeta e dramaturgo inglês, William Shakespeare, já havia observado: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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