Buscando um nome - encontrou um pai

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Maria Regina Canhos Vicentin
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José namorava há oito meses uma moça levada e inconstante. Ela era linda e ele estava completamente apaixonado. Num dia qualquer, ela resolveu que não queria mais ficar com ele, e simplesmente o deixou. O coração de José ficou em pedaços! Nem bem ela havia partido lhe chega a notícia de que tinha se amasiado com outro e, detalhe, que estava grávida. José paralisou. Será que ele era o pai? Secretamente procurou a moça para lhe perguntar quem era o pai da criança que estava esperando. Você, ela lhe disse com todas as letras; mas estou com outra pessoa hoje, e é melhor que ele pense ser o pai. José ficou desnorteado. A mulher que ele amava o havia deixado, e ainda lhe dizia que outro iria criar seu filho como se fosse dele. E assim foi. O outro registrou o filho de José como se fosse seu. Pouco tempo depois, no entanto, o convívio do casal começou a ficar conturbado, e se separaram. Moça levada estava solta novamente. Logo José apareceu oferecendo perdão, e tudo o mais que um homem apaixonado pode oferecer. Reataram.

A primeira providência que José tomou foi entrar com uma ação na justiça, reivindicando a paternidade do menino que já estava registrado no nome do outro. Meses se seguiram. A convivência era conflituosa, pois moça levada não queria saber de olhar a criança. Preferia bater papo com as comadres e passear pelas ruas, enquanto José trabalhava para nada faltar. Não demorou muito para que a moça levada cansasse novamente de José, e resolvesse que a vida de casada definitivamente não era para ela. Foi embora pela segunda vez, agora deixando o filho. José se resignou. Aquilo não era mesmo o que ele esperava de uma vida conjugal e familiar.

No início foi difícil, mas sua mãe o ajudou a cuidar do menino que ainda era pequeno. Moça levada passava uma vez por mês para ver como as coisas estavam e levar um presentinho para o filho. A vida seguia e José aguardava o momento de poder registrar o menino em seu nome. Decorridos vários meses, finalmente chegou o grande dia em que o juiz iria se pronunciar. Obviamente, o exame de paternidade do outro deu negativo, isso José já esperava. O que ele não podia sequer imaginar é que o seu exame também havia dado negativo. Ou seja, José também não era o pai do menino. O pai era um terceiro, que nem fez parte da história de José, só havia feito parte da história de moça levada.

O mundo ruiu novamente para José. Como pode acontecer com ele? E aqueles olhinhos, aquelas mãozinhas, aquele sorriso aberto? Aquele menino lindo chamando o papai? Decididamente não poderia perder tudo isso, pois o amor pela criança já havia tomado conta de todo o seu ser. Era o pai e pronto, nada iria mudar isso. Decidido a manter essa situação, ele ingressou com uma ação de adoção. Foi nessa ocasião que conheci José, a moça levada, e o menino lindo de sorriso aberto. E constatei que pai é mesmo quem cria; quem ama; quem educa. O restante é detalhe sem importância numa história que teve final surpreendente. José hoje continua solteiro, mas está feliz. E o menino conseguiu mais que um nome na certidão de nascimento. Conseguiu um verdadeiro pai!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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