Arrogância x humildade

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Dias atrás, participei de uma reunião com pessoas importantes. Havia vários presentes, no entanto, alguns chamavam a atenção pela forma como falavam, pelo tom de voz que usavam e pela postura que assumiam em meio aos demais. Não pude deixar de notar como a humildade contrasta com a arrogância. Ali havia pessoas efetivamente preparadas e outras que, provavelmente, nem sabiam porque lá se encontravam. Um antigo provérbio diz: “a palavra é prata, o silêncio é ouro”, principalmente quando não se entende do assunto ou não existe tato na forma de argumentar. Existem pessoas que desejam falar, mas simplesmente não sabem ouvir. Insistem em fazer prevalecer seus pontos de vista, ainda que equivocados. Podemos chamar isso de arrogância, altivez, insolência, presunção.

O atrevimento de certas pessoas é fruto do orgulho desmedido que, por vezes, embaça a visão criteriosa dos fatos. O insolente não percebe sua indelicadeza e grosseria, pois crê estar certo; sente-se o senhor da razão e se permite agir de modo petulante e inconveniente. Que coisa feia! Como contrasta com a humildade, em que a pessoa se expressa de forma modesta e respeitosa aos demais, levando em conta que todos podem contribuir e somar com a expressão de suas idéias e sentimentos. Fiquei decepcionada, mas compreendi que cada um dá o que, no íntimo, possui. A humildade precisa ser cultivada, pois, quando pequenos, a maioria de nós é egoísta e soberba. Nossas características e limitações muitas vezes nos impelem a assumir comportamentos que necessitam ser avaliados e modificados.

A boa notícia fica por conta de que sempre é tempo de iniciar necessárias alterações. A arrogância pode ser transformada em humildade, bastando de início que seja identificada pela própria pessoa, para posteriormente ser aceita, compreendida, disciplinada e finalmente transfigurada. Novas feições implicam em diferentes posturas no relacionar-se com os demais. É possível, é produtivo, é recomendável. Todos ganham, inclusive a pessoa arrogante, pois deixará de tentar se projetar sobre os outros ou se mostrar superior a eles. Fazendo assim conseguirá o que almeja, pois, conforme o escritor indiano Rabindranath Tagore, "quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza".

Finalizando, não raras vezes, temos a tendência de nos julgarmos melhores que os demais, esquecendo-nos que nascemos nus e, portanto, tudo o que conquistamos neste mundo nos foi dado por empréstimo. Sugiro que, diante da tentação de nos julgarmos grandes, contemplemos o mundo ao nosso redor: o céu, o sol, as estrelas... Lembranças do universo em que vivemos e do qual somos parte, aliás, ínfima parte. A majestosa criação deve sempre nos servir de lembrete acerca de quem devemos reverenciar e servir, cientes da nossa debilidade e insignificância.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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