O transtorno de deficit de atenção e hiperatividade e os superdiagnósticos

Compartilhar no Facebook

Enviar por email Imprimir este artigo
Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

É preocupante a onda de superdiagnósticos envolvendo o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Atualmente, inúmeros profissionais da área médica abusam na prescrição da medicação para o tratamento desse tipo de transtorno, enquanto muitos diagnósticos são feitos de forma subjetiva e setorizada. O transtorno é multifatorial e não há uma especialidade que domine todas as áreas envolvidas no diagnóstico, portanto, às pessoas que resolvem fazê-lo precisam estar preparadas para detectá-lo. Muitos dos sintomas envolvidos no transtorno, como agitação, distração e dificuldade de concentração, podem ser respostas da pessoa ao ambiente, ou até resultado da inadequação a determinado método escolar de ensino. É preciso esclarecer que o indivíduo ativo não necessariamente é hiperativo; assim como o distraído nem sempre apresenta deficit de atenção.

O TDAH é um transtorno que prejudica o aprendizado sim, e pode predispor seus portadores a acidentes automobilísticos, alcoolismo e envolvimento com entorpecentes, contudo, precisa ser diagnosticado corretamente. Para que isso ocorra, não basta levar em conta a sintomatologia presente na pessoa, mas o quanto isso prejudica sua vida escolar, familiar e social. Diagnosticar erroneamente implica em expor o indivíduo a riscos desnecessários, pois os remédios normalmente usados nos tratamentos do transtorno podem ter efeitos colaterais graves, devendo ser recomendados preferencialmente nos casos mais severos. Na prática, não é o que vem ocorrendo.

Muitos pais insistem que seus filhos, considerados hiperativos, sejam tratados com remédios que os deixem mais sossegados e tranquilos, e vêm contando com o apoio de profissionais da área médica que, subjetivamente, diagnosticam o transtorno. Assim, os comportamentos indesejados passam a ser contidos quimicamente, através da medicação. O que muitos pais não sabem, entretanto, é que a aparente calma e quietude da criança podem ser resultantes da toxicidade do remédio, e não necessariamente uma de suas consequências terapêuticas. Entre os efeitos colaterais dos remédios utilizados para o tratamento do problema, estão: a insônia, a irritação, o nervosismo, a diminuição do apetite, a gastrite e a cefaleia. Além disso, algumas pessoas podem apresentar quadros de exaustão mental, oriundos da utilização de suas reservas de energia no processo de concentração.

Assim, alerto para o perigo do superdiagnóstico do transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, convidando a população a refletir acerca dos resultados alcançados com os envolvidos nesses tratamentos, e também em relação ao custo-benefício, tendo em vista que ainda existe a possibilidade de alguns estarem interessados na superestimação dos índices percentuais do distúrbio em nosso país, em virtude do lucro resultante do comércio da medicação recomendada, que é de alto custo. Certamente, é melhor ver nossas crianças alegres e dispostas, ainda que um tanto irrequietas, do que apáticas e tristes em decorrência dos efeitos da medicação.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
Email: contato@mariaregina.com.br
Site: www.mariaregina.com.br




Mais textos deste colunista:
Tolerar; até quando?
Sofrimento: prova de Deus ou armadilha do diabo?
A alegria e o prazer
O tempo de Deus
A mudança que dói
Dia Internacional da Mulher
Proteção de Deus
O mal versus o bem
Adeus ano velho, feliz ano novo
Nasce uma esperança
Eu sinto isso
Aumento dos casos de estupros no Brasil
Finados
Criança – Sujeito de direitos
Relacionamentos que fazem sofrer
O sucesso
Quando um amor se vai...
A onda de violência
Mude o Brasil, mas comece por você!
Dia dos namorados
A dura carga da mulher
Mulher-Mãe
A importância da autoestima
Pais que exigem demais
Um dia de prostração
A intolerância
Páscoa
Em nome do amor
Os grandes golpes da vida
A mulher e suas muitas faces
Família
O papa coragem
A importância de viver cada dia
Trabalho infantil
Prestígio
Maternidade tardia
Mudança de olhar
Feliz Natal!
Preparai o caminho...
O que é o livre-arbítrio?
O fim do casamento
A pregação da Palavra
Doutrinas
Escrevendo sobre o óbvio
A afeição dos animais
Quinze anos
Quaresma – Tempo de mudança
Presente de aniversário
O sexo pelo sexo
A era das pseudoatitudes
Correndo contra o tempo
Uma reflexão sobre o relato de Viktor Frankl
Um grande amor
Lei da palmada
Conto de Natal*
Abaixo o isolamento
A difícil arte de relacionar-se
A necessidade de valorização e reconhecimento
Autoestima e limites
Dia dos professores
Sem explicação
Luz na Prisão
Sonhos nem sempre são como parecem
O excesso é ruim
Oito ou oitenta
O necessário preparo
O ciclo da vida
O mito da felicidade
O ciúme
Namorados: amai-vos
O direito de discordar
Azedo x Doce
Vinde Espírito Santo
Abaixo o Kit Gay
Paixão de Cristo
A idade aprimora ou piora
A criação geme em dores de parto
Mulheres
Mais um carnaval
Capacitar-se é preciso
Será que estamos sendo roubados?
Pensamentos tormentosos
Editora Santuário – 110 anos escrevendo e fazendo história!
O segredo é soltar devagar
Pecador tem jeito
Agradecimentos
Logo é Natal
Faça a sua parte
Quarenta e cinco anos
Deus sabe
Crise de autoridade
O amor precisa ser cultivado
Arrogância x humildade
Adultos mimados
Belas palavras
A porta estreita
Família - Formadora de valores humanos e cristãos
Buscando um nome - encontrou um pai
Ainda não foi desta vez
Amizade
Somos especiais
A oração e o livramento
Autocomiseração
A complexidade que exclui
A vida mutilada
Adeus professora
Violência sexual face à crianças
A dor da decepção
Mamãe - superlativo da palavra amor!
Mãe
Quem segura o leme da “Barca de Pedro”?
Agradecer faz parte
Estações da vida
Páscoa - Amor incondicional
Arrependimento e perdão
Frustração no relacionamento entre pais e filhos
Saudade
Mulher
Espiritualidade da Quaresma – A Lição do Cata-Vento
Pai amigo
Preparação para o casamento
Máscaras
Postura faz diferença
Palavras
Filhos usam drogas porque os pais tomam remédios?
Zilda Arns: A vida de uma guerreira
Delicadeza x grosseria

COMENTE ESTE ARTIGO:
Nome:
Email:

(0 / 255)
O tamanho máximo do comentário é de 255 caracteres.
Atenção!
Você irá receber um email para confirmar seu comentário para que o mesmo seja publicado nesta página, portanto o campo Email é de preenchimento obrigatório e, ao enviar, você assume a responsabilidade pelas suas palavras inseridas neste comentário.
*NOTA : o JornalRMC abre esse espaço para que nossos colunistas exponham, de forma voluntária, seus pontos de vista sobre os assuntos em que são especialistas. Dessa forma, as opiniões apresentadas são de única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, não refletindo necessariamente a opinião do portal e de seus editores.

 
SOS Impressoras
Rádio Novo Tempo Campinas
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

.: Acessos: 7.170.127 :. | .: desde Agosto/2007 :. | .: contato: imprensa@jornalrmc.com.br :. | .: desenvolvido por: LINDEMUTH Comunicação :.