O amor precisa ser cultivado

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Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

√Äs vezes, as crian√ßas dizem coisas comoventes. Quero dividir com voc√™s a frase de uma menina de oito anos que me deixou muito feliz. Pr√≥ximo ao dia das crian√ßas, ela pediu √† m√£e uma boneca Barbie, do rec√©m-lan√ßado filme Moda e Magia. O custo do brinquedo n√£o √© nada acess√≠vel, ent√£o a m√£e prop√īs que a filha escolhesse algo mais barato, esclarecendo que n√£o tinha dinheiro suficiente para comprar aquela boneca. Conformada, a menina escolheu um jogo de canetinhas coloridas que podem ser usadas em azulejos, pois basta lavar com √°gua e sab√£o que a tinta sai facilmente. Satisfeita com o seu presente, a menina convidou a m√£e para tomar banho com ela. Poderiam brincar juntas fazendo desenhos na parede do banheiro. A m√£e concordou e ambas tomaram um banho divertido. A brincadeira consistia em cada qual desenhar algo que a outra teria de adivinhar o que era. Assim, muitos desenhos foram feitos. Dando sequ√™ncia √† brincadeira, a menina fez algo semelhante a um cora√ß√£o. De cima, sa√≠a uma haste onde havia duas folhinhas. A m√£e logo imaginou se tratar de um p√™ssego, no entanto, foi surpreendida pela resposta da filha: - N√£o, m√£e. √Č um cora√ß√£o cultivado de amor! A m√£e chorou de emo√ß√£o diante das palavras da menina, pois percebeu que o amor √© realmente uma constru√ß√£o, e precisa ser cultivado.

Algumas pessoas me perguntam por que o mundo est√° superficial, violento, frio. Imaginam que o amor deveria solucionar todos os problemas, e o veem como algo m√°gico, pressupondo que brota das pessoas como a √°gua da mina. Cometem um pequeno equ√≠voco. As pessoas nascem capacitadas para amar, mas isso n√£o quer dizer que sejam obrigadas a fazer essa escolha. Atualmente, muitos optam em seguir sozinhos (individualismo), deixando de lado a√ß√Ķes comunit√°rias, altru√≠stas e solid√°rias. Procuram a satisfa√ß√£o de seus pr√≥prios desejos (ego√≠smo), pouco se importando se ferem ou magoam as outras pessoas. Priorizam o aspecto financeiro (ter), ao inv√©s de investirem em valores imut√°veis e perenes, como a moral e a √©tica. Optam por acumular bens e riquezas, desejando sempre mais (gan√Ęncia), quando poderiam partilhar os dons e talentos com os quais foram agraciados desde o nascimento. √Č uma quest√£o de escolha.

Para escolher o amor, precisamos conhec√™-lo. Ele n√£o brota simplesmente dos cora√ß√Ķes, mas precisa ser cultivado. A viv√™ncia do amor exige ren√ļncia, principalmente ao ego√≠smo (amor-pr√≥prio), e atos de servi√ßo (doa√ß√£o). Examine como √© isso mesmo que acontece quando uma mulher se torna m√£e. Ela cede o pr√≥prio corpo para o desenvolvimento de uma nova vida, suportando todos os inc√īmodos advindos dessa situa√ß√£o. Posteriormente, ela continua se doando ao amamentar e cuidar de seu filho. Hoje em dia, muitas mulheres j√° est√£o fazendo outras escolhas. Algumas optam por n√£o terem filhos. Outras por n√£o amamentar. Muitas por deixar a crian√ßa aos cuidados de terceiros. Vai ficando dif√≠cil cultivar o amor, pois n√£o existe tempo nem interesse para isso. Impressiono-me com tantas lamenta√ß√Ķes, j√° que o resultado dessas atitudes √© t√£o √≥bvio. S√≥ pode dar amor quem o recebeu, quem aprendeu e assimilou o significado de amar. Isso n√£o me parece t√£o dif√≠cil de entender, j√° que a protagonista de nossa hist√≥ria tinha apenas 08 anos de idade. Vale ressaltar que somente cora√ß√Ķes cultivados podem dar frutos!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Ja√ļ/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeir√£o Preto e em Direito pela Institui√ß√£o Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educa√ß√£o pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psic√≥loga Judici√°ria no F√≥rum da Comarca de Ja√ļ. Profissional Especialista em Psicologia Cl√≠nica e em Psicologia Jur√≠dica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperan√ßa (Ed.Santu√°rio), Temas do Cotidiano (Ed.Santu√°rio), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangeliza√ß√£o da Par√≥quia de S√£o Jo√£o Batista em Ja√ļ (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Regi√£o (Ara√ßatuba ‚Äď SP) e O Lutador (Belo Horizonte ‚Äď MG), al√©m da Revista O Mensageiro de Santo Ant√īnio (Santo Andr√© ‚Äď SP), e Fam√≠lia Crist√£ Online (S√£o Paulo ‚Äď SP).
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