Deus sabe

Compartilhar no Facebook

Enviar por email Imprimir este artigo
Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

Maria estava completamente exausta. Não tinha trabalhado tanto assim, mas carregava um peso enorme. Naquela semana, muitas discussões haviam ocorrido em seu serviço. As colegas não se entendiam, e cada qual desejava fazer somente o que lhe aprazia, sem levar em conta que representavam um grupo e não uma unidade. O clima foi ficando pesado. A troca de ironias e olhares fulminantes passaram a ser constantes e insuportáveis. Maria já não tinha vontade de ir para o trabalho. A negatividade daquele ambiente parecia sugar suas energias. Não havia um mínimo de compreensão. A desconfiança rondava cada mesa e plantava incertezas. A falsidade nunca ficou tão evidente, assim como a indiferença, o comodismo, a vileza. Impressionante como certas pessoas se transformam repentinamente quando defendem prerrogativas que julgam possuir, ainda que usurpando direitos alheios. São verdadeiros lobos vestidos em pele de cordeiro. Uma hora a máscara cai; e dessa vez, caiu mesmo. Maria estava inconformada com a situação.

De início, perguntava a Deus o que teria feito para merecer trabalhar num local assim. Será que estava sendo castigada por alguma falta? Falhou em alguma coisa? O que poderia justificar tamanha provação? Por outro lado, será que Deus desejava que fosse sinal de amor entre as colegas? Queria que ela tentasse apaziguar os ânimos exaltados e apresentar uma palavra de conforto? Maria não sabia o que fazer nem se sentia preparada para combater sem armas. Percebia-se frágil e vulnerável diante daquele ambiente hostil. Chorou, numa demonstração clara de quem está no limite da resistência, frente tanta desarmonia. Rogou a Deus que a protegesse de mal maior, pois nunca se sabe até onde pessoas doentes podem chegar para alcançar seus objetivos. Também não se sabe até que ponto nosso organismo consegue administrar o estresse sem sobrecarregar o coração. Entregou todo o seu sofrimento nas mãos de Jesus, e foi para casa.

Quando chegou, seu marido a recebeu com um abraço e um beijo carinhoso. Segurou suas mãos em sinal de cumplicidade e jantou em silêncio a seu lado. O filho se aproximou e perguntou porque ela estava tão triste, colocando a mão sobre seu ombro. A filha contou piadas, buscando arrancar um sorriso que surgiu espontaneamente após essa demonstração de afeto explícito. Maria tomou consciência naquele momento da família maravilhosa que possuía. Embora se sentisse massacrada por trabalhar num ambiente tão adverso, podia seguramente desfrutar da compreensão e do amor dos seus no lar.

Maria não obteve de Deus as respostas para suas perguntas iniciais. Ainda se esforça muito para ser presença pacífica num ambiente conturbado pelo egoísmo, insensatez, competitividade e inveja. Mesmo assim, ela se abastece e conforta junto daqueles que ama e que também a amam, ciente de que Deus sabe as respostas, ainda que não as tenha revelado. Os propósitos de nosso Pai são sempre perfeitos, mesmo que não consigamos enxergá-los assim num primeiro momento. Tudo tem a sua razão de ser nesta Terra. Maria não sabe, mas confia que Deus sabe, e se Ele sabe, não há mais porque se questionar.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
Email: contato@mariaregina.com.br
Site: www.mariaregina.com.br




Mais textos deste colunista:
Tolerar; até quando?
Sofrimento: prova de Deus ou armadilha do diabo?
A alegria e o prazer
O tempo de Deus
A mudança que dói
Dia Internacional da Mulher
Proteção de Deus
O mal versus o bem
Adeus ano velho, feliz ano novo
Nasce uma esperança
Eu sinto isso
Aumento dos casos de estupros no Brasil
Finados
Criança – Sujeito de direitos
Relacionamentos que fazem sofrer
O sucesso
Quando um amor se vai...
A onda de violência
Mude o Brasil, mas comece por você!
Dia dos namorados
A dura carga da mulher
Mulher-Mãe
A importância da autoestima
Pais que exigem demais
Um dia de prostração
A intolerância
Páscoa
Em nome do amor
Os grandes golpes da vida
A mulher e suas muitas faces
Família
O papa coragem
A importância de viver cada dia
Trabalho infantil
Prestígio
Maternidade tardia
Mudança de olhar
Feliz Natal!
Preparai o caminho...
O que é o livre-arbítrio?
O fim do casamento
A pregação da Palavra
Doutrinas
Escrevendo sobre o óbvio
A afeição dos animais
Quinze anos
Quaresma – Tempo de mudança
Presente de aniversário
O sexo pelo sexo
A era das pseudoatitudes
Correndo contra o tempo
Uma reflexão sobre o relato de Viktor Frankl
Um grande amor
Lei da palmada
Conto de Natal*
Abaixo o isolamento
A difícil arte de relacionar-se
A necessidade de valorização e reconhecimento
Autoestima e limites
Dia dos professores
Sem explicação
Luz na Prisão
Sonhos nem sempre são como parecem
O excesso é ruim
Oito ou oitenta
O necessário preparo
O ciclo da vida
O mito da felicidade
O ciúme
Namorados: amai-vos
O direito de discordar
Azedo x Doce
Vinde Espírito Santo
Abaixo o Kit Gay
Paixão de Cristo
A idade aprimora ou piora
A criação geme em dores de parto
Mulheres
Mais um carnaval
Capacitar-se é preciso
Será que estamos sendo roubados?
Pensamentos tormentosos
Editora Santuário – 110 anos escrevendo e fazendo história!
O segredo é soltar devagar
Pecador tem jeito
Agradecimentos
Logo é Natal
Faça a sua parte
Quarenta e cinco anos
Crise de autoridade
O amor precisa ser cultivado
O transtorno de deficit de atenção e hiperatividade e os superdiagnósticos
Arrogância x humildade
Adultos mimados
Belas palavras
A porta estreita
Família - Formadora de valores humanos e cristãos
Buscando um nome - encontrou um pai
Ainda não foi desta vez
Amizade
Somos especiais
A oração e o livramento
Autocomiseração
A complexidade que exclui
A vida mutilada
Adeus professora
Violência sexual face à crianças
A dor da decepção
Mamãe - superlativo da palavra amor!
Mãe
Quem segura o leme da “Barca de Pedro”?
Agradecer faz parte
Estações da vida
Páscoa - Amor incondicional
Arrependimento e perdão
Frustração no relacionamento entre pais e filhos
Saudade
Mulher
Espiritualidade da Quaresma – A Lição do Cata-Vento
Pai amigo
Preparação para o casamento
Máscaras
Postura faz diferença
Palavras
Filhos usam drogas porque os pais tomam remédios?
Zilda Arns: A vida de uma guerreira
Delicadeza x grosseria

COMENTE ESTE ARTIGO:
Nome:
Email:

(0 / 255)
O tamanho máximo do comentário é de 255 caracteres.
Atenção!
Você irá receber um email para confirmar seu comentário para que o mesmo seja publicado nesta página, portanto o campo Email é de preenchimento obrigatório e, ao enviar, você assume a responsabilidade pelas suas palavras inseridas neste comentário.
*NOTA : o JornalRMC abre esse espaço para que nossos colunistas exponham, de forma voluntária, seus pontos de vista sobre os assuntos em que são especialistas. Dessa forma, as opiniões apresentadas são de única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, não refletindo necessariamente a opinião do portal e de seus editores.

 
SOS Impressoras
Rádio Novo Tempo Campinas
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

.: Acessos: 7.527.251 :. | .: desde Agosto/2007 :. | .: contato: imprensa@jornalrmc.com.br :. | .: desenvolvido por: LINDEMUTH Comunicação :.