Quarenta e cinco anos

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Quando eu era pequena costumava achar as pessoas com mais de quarenta anos velhas. Fui crescendo, e nem preciso dizer que essa minha idéia foi obviamente se modificando. Completo quarenta e cinco anos neste próximo 27 de novembro, dia de Nossa Senhora das Graças. O tempo passou rápido e, daqui pra frente, imagino que comece a passar mais rápido ainda. Quando se é pequeno, o tempo custa a passar. A gente não vê a hora de completar dezoito anos, mas depois que isso acontece, é impressionante a velocidade com que tudo acontece. O interessante das datas festivas é possibilitar o congraçamento das pessoas e as reflexões. Confesso estar um tanto desanimada neste meu quadragésimo quinto aniversário. Situações ocorridas recentemente no âmbito profissional me entristeceram e acabrunharam. Nada trágico, sosseguem, apenas constatações de anos inteiros de estudo e trabalho que não trouxeram o esperado para este momento da vida.

Quando eu era jovem, nos meus vinte e poucos anos, imaginava que seria bem sucedido aquele que estudasse com afinco e se esforçasse para realizar um bom trabalho. Nesse sentido, procurei me preparar cursando a faculdade de psicologia e a faculdade de direito. Também me especializei na área da educação e fiz curso de idiomas. Imaginava que um profissional bem preparado teria mais a oferecer, e poderia sustentar sua família com tranquilidade, além de contar com o respeito e o reconhecimento dos demais. Penso que desejava também deixar meus pais orgulhosos, já que foi com sacrifício que conseguiram me manter na primeira faculdade.

O tempo passou e vi que as coisas não são bem como imaginei que fossem. Estamos num mundo realmente competitivo onde algumas posturas parecem não ter valor algum. Talvez eu tivesse enriquecido se me sujeitasse a certas ofertas que a vida me fez. No entanto, não consigo agir em desacordo com a minha consciência. O preço seria alto demais para minha saúde emocional e espiritual, portanto, disso não me arrependo. Lamento, no entanto, que o mundo tenha escolhido valorizar o que pra mim não tem valor. E, talvez, neste aniversário, é o que mais venha a doer. Notar o empenho e a dedicação com os quais me preparei serem achincalhados numa sociedade que prefere o profissional tíbio, corrupto, “laissez faire”.

Bem, mas não sou a primeira e, com certeza, também não serei a última pessoa a passar por isso. Sabemos que a vida nem sempre é justa. Devemos compreender e aceitar que nossos esforços podem não ser reconhecidos e valorizados. Ainda assim, embora triste, penso que tem valido a pena ser como sou. Chega a ser divertido ver alguns se assombrarem com a minha persistência em meio às adversidades. Deus não torna o caminho de seus fiéis mais fácil, apenas os auxilia a enfrentarem os desafios com confiança. A vós, meu Pai, ofereço esses quarenta e cinco anos de luta!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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Site: www.mariaregina.com.br




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