O segredo é soltar devagar

Compartilhar no Facebook

Enviar por email Imprimir este artigo
Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

“Maria estava preocupada com seu filho de treze anos. Ele insistia em sair com os amigos e retornar para casa quase meia-noite. Dizia que todos podiam chegar mais tarde, menos ele, que tinha uma mãe chata. Maria ficava triste com as palavras do filho, mas estava convencida de que ainda era cedo para ampliar seu horário de chegada. Falando a respeito do assunto com uma colega de trabalho, a mesma lhe sugeriu que deixasse o filho ir e ficar até o horário em que todos ficavam; indo buscá-lo de carro posteriormente. A justificativa apresentada: já que todos ficam, deixe-o ficar também, senão irá se sentir envergonhado.” Ora, é interessante como grande parte das pessoas se preocupa excessivamente com a opinião alheia, e faz de tudo para agir conforme a maioria. Não importa se está certo ou errado. Pressupõe-se que está certo e ponto final.

Atualmente, os jovens começam a sair de casa ainda na puberdade, período que vai mais ou menos dos nove aos doze anos de idade. Aí ingressam na adolescência propriamente dita, que deveria ir até os dezoito anos, mas tem se estendido até os vinte e um, ou mais. O que acontece é que, fisicamente, nossos jovens estão crescendo e se desenvolvendo muito. Assim, é comum encontrarmos meninas de oito anos que parecem ter dez ou onze; e meninos de doze ou treze que parecem ter dezessete. Nossas meninas ganham seios cedo demais, enquanto os meninos calçam 42/43 facilmente. Estão ficando cada vez mais altos, e muitos deles ultrapassam a altura dos pais já na puberdade. Acontece que só têm tamanho, mas maturidade que é bom... São homenzarrões com mentalidade infantil.

Os pais veem o tamanhão e pensam que está na hora de voar, mas muitos desastres estão ocorrendo em função dessa percepção equivocada. Não basta ter tamanho, é preciso ter maturidade, noção do certo e errado, firmeza para dizer “não” quando necessário. Que adianta deixar o filho de quinze anos dirigir, se ele nem ao menos possui ainda os reflexos necessários para um bom desempenho automobilístico? No caso de um acidente de trânsito, quem vai responder judicialmente? Será que dá certo colocar camisinha na carteira do filho de dezesseis anos? Com que dinheiro ele vai sustentar seu filhinho caso ela se rompa? Que tal dar cerveja para o menino de quatorze anos? Talvez com dezoito já esteja dependente do álcool e promovendo desordens. Permita que seu filho fume aos treze, e aos quinze achará natural experimentar outras coisas.

Tamanho não traz responsabilidade. Devemos ensinar isso a nossos filhos, principalmente através de nosso exemplo. Cada coisa a seu tempo. Não precisamos colocar a carroça na frente dos bois. É natural que nossos filhos adolescentes desejem saborear o mundo de uma só vez. Nós também fomos adolescentes e passamos por isso. No entanto, aprendemos que quando se come demais e, principalmente, quando se come cru, surge o mal-estar. Precisamos dosar a liberdade de nossos filhos para que eles não se percam diante da falta de limites. O segredo é soltar devagar, para que eles assimilem cada experiência. “Devagar e sempre” é um ditado popular antigo que aprecio muito.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
Email: contato@mariaregina.com.br
Site: www.mariaregina.com.br




Mais textos deste colunista:
Tolerar; até quando?
Sofrimento: prova de Deus ou armadilha do diabo?
A alegria e o prazer
O tempo de Deus
A mudança que dói
Dia Internacional da Mulher
Proteção de Deus
O mal versus o bem
Adeus ano velho, feliz ano novo
Nasce uma esperança
Eu sinto isso
Aumento dos casos de estupros no Brasil
Finados
Criança – Sujeito de direitos
Relacionamentos que fazem sofrer
O sucesso
Quando um amor se vai...
A onda de violência
Mude o Brasil, mas comece por você!
Dia dos namorados
A dura carga da mulher
Mulher-Mãe
A importância da autoestima
Pais que exigem demais
Um dia de prostração
A intolerância
Páscoa
Em nome do amor
Os grandes golpes da vida
A mulher e suas muitas faces
Família
O papa coragem
A importância de viver cada dia
Trabalho infantil
Prestígio
Maternidade tardia
Mudança de olhar
Feliz Natal!
Preparai o caminho...
O que é o livre-arbítrio?
O fim do casamento
A pregação da Palavra
Doutrinas
Escrevendo sobre o óbvio
A afeição dos animais
Quinze anos
Quaresma – Tempo de mudança
Presente de aniversário
O sexo pelo sexo
A era das pseudoatitudes
Correndo contra o tempo
Uma reflexão sobre o relato de Viktor Frankl
Um grande amor
Lei da palmada
Conto de Natal*
Abaixo o isolamento
A difícil arte de relacionar-se
A necessidade de valorização e reconhecimento
Autoestima e limites
Dia dos professores
Sem explicação
Luz na Prisão
Sonhos nem sempre são como parecem
O excesso é ruim
Oito ou oitenta
O necessário preparo
O ciclo da vida
O mito da felicidade
O ciúme
Namorados: amai-vos
O direito de discordar
Azedo x Doce
Vinde Espírito Santo
Abaixo o Kit Gay
Paixão de Cristo
A idade aprimora ou piora
A criação geme em dores de parto
Mulheres
Mais um carnaval
Capacitar-se é preciso
Será que estamos sendo roubados?
Pensamentos tormentosos
Editora Santuário – 110 anos escrevendo e fazendo história!
Pecador tem jeito
Agradecimentos
Logo é Natal
Faça a sua parte
Quarenta e cinco anos
Deus sabe
Crise de autoridade
O amor precisa ser cultivado
O transtorno de deficit de atenção e hiperatividade e os superdiagnósticos
Arrogância x humildade
Adultos mimados
Belas palavras
A porta estreita
Família - Formadora de valores humanos e cristãos
Buscando um nome - encontrou um pai
Ainda não foi desta vez
Amizade
Somos especiais
A oração e o livramento
Autocomiseração
A complexidade que exclui
A vida mutilada
Adeus professora
Violência sexual face à crianças
A dor da decepção
Mamãe - superlativo da palavra amor!
Mãe
Quem segura o leme da “Barca de Pedro”?
Agradecer faz parte
Estações da vida
Páscoa - Amor incondicional
Arrependimento e perdão
Frustração no relacionamento entre pais e filhos
Saudade
Mulher
Espiritualidade da Quaresma – A Lição do Cata-Vento
Pai amigo
Preparação para o casamento
Máscaras
Postura faz diferença
Palavras
Filhos usam drogas porque os pais tomam remédios?
Zilda Arns: A vida de uma guerreira
Delicadeza x grosseria

COMENTE ESTE ARTIGO:
Nome:
Email:

(0 / 255)
O tamanho máximo do comentário é de 255 caracteres.
Atenção!
Você irá receber um email para confirmar seu comentário para que o mesmo seja publicado nesta página, portanto o campo Email é de preenchimento obrigatório e, ao enviar, você assume a responsabilidade pelas suas palavras inseridas neste comentário.
*NOTA : o JornalRMC abre esse espaço para que nossos colunistas exponham, de forma voluntária, seus pontos de vista sobre os assuntos em que são especialistas. Dessa forma, as opiniões apresentadas são de única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, não refletindo necessariamente a opinião do portal e de seus editores.

 
SOS Impressoras
Rádio Novo Tempo Campinas
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

.: Acessos: 7.340.803 :. | .: desde Agosto/2007 :. | .: contato: imprensa@jornalrmc.com.br :. | .: desenvolvido por: LINDEMUTH Comunicação :.