Pensamentos tormentosos

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Esta semana, Cíntia (nome fictício), uma garotinha de oito anos, conversou comigo acerca de suas dúvidas. Achei tão interessante que resolvi dividir com os meus leitores uma parte do nosso diálogo: “– Todo mundo vai para o céu? (Cíntia perguntou). – Não sei. Acho que a maioria das pessoas vai, sim (respondi). – O que uma pessoa precisa fazer para ter certeza de que vai para o céu? – Acho que ela deve ser boa e fazer o bem. – Xiiii, eu não sou muito boa. Às vezes, faço coisas ruins. Meu livro preto deve estar cheio de anotações de Jesus, e ainda sou tão pequena... Imagine quando eu for grande! – Ainda bem que você é pequena Cíntia, assim pode ir corrigindo seus erros e passar a fazer diferente. – Mas, o problema não é só o que faço, e sim o que penso. Às vezes, vejo coisas erradas e, depois, fico só pensando naquilo. – Como assim? Não entendi. – Ah, por exemplo, outro dia eu estava ouvindo uma música no computador e apareceu escrito aquele palavrão... (disse a expressão obscena). Eu sei que essas palavras são feias, mas não consigo parar de pensar nelas. – Vou lhe dar uma idéia, Cíntia. Não se importe mais com essas palavras, nem pelo fato de pensar nelas. Apenas deixe de lado. Finja que não liga para elas, e logo você estará pensando em algo diferente. As coisas feias são assim, quando a gente se esquece delas, desaparecem”.

Fiquei impressionada com Cíntia e seu discernimento. Ela sabia o que estava lhe fazendo mal, mas não conseguia reagir. Sentia-se refém de um pensamento que se repetia por haver lhe impressionado. Nós também não somos assim? Quando o mal insiste em nos importunar, medir forças com ele só traz cansaço e exaustão. Quanto mais importância damos ao pensamento repetitivo, mais ele nos atormenta. Suga completamente nossas energias e nos dá a sensação de fracasso, medo, culpa. Não queremos pensar, mas ao mesmo tempo, só pensamos naquilo que não desejamos.

Que tal seguirmos a receita que passei para Cíntia? Quando o pensamento vier, procure não lhe dar importância. Deixe que passe por sua mente sem se prender a ele, sem analisar detalhes, sem temê-lo ou ficar ansioso pelo fato dele estar surgindo mais uma vez. Distraia-se imaginando cores diferentes, paisagens bonitas. Não dei essa sugestão para Cíntia, pois na idade dela isso é bastante natural. As crianças trocam de pensamento com muito mais facilidade que os adultos. Terminada nossa conversa, ela já havia começado a fazer desenhos coloridos.

A boa intenção e propósito pesam muito mais que os pensamentos sombrios. A decisão pelo bem nos confere firmeza frente à sensação de vulnerabilidade instaurada pelo cansaço causado pelo pensamento repetitivo. Deus sonda os corações e compreende as fraquezas humanas. Ele conhece quem deseja seguir o caminho reto e é atormentado por tentações. É por isso mesmo que está sempre disposto a perdoar, e dar uma nova chance àquele que reconhece o erro. Ninguém está livre de pensamentos tormentosos. Por que será que Jesus suou sangue no horto? Mas, Ele venceu. E nos assegurou que nós também podemos.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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