Será que estamos sendo roubados?

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Estamos diante de mais uma edição do Big Brother Brasil. Não sei se é para rir ou chorar. Sinceramente, não emprego o meu tempo nisso, mas é praticamente impossível deixar de ficar sabendo o que acontece lá, simplesmente porque a mídia lhes dá espaço gigantesco. Então, em qualquer jornal ou revista, além da própria TV, existem referências ao programa e seus participantes. Fico triste por eles e por nós. Acho lamentável não conseguirmos focar nossa atenção em algo mais edificante e construtivo. Tenho a impressão que, de uns tempos para cá, estamos fazendo opções que nos aproximam dos animais irracionais. Passamos a agir instintivamente ao invés de fazer uso da nossa inteligência para tomar decisões acertadas. Nesse sentido, parece que estamos regredindo ou, como me disse uma amiga, “emburrecendo”, já que usamos de modo ínfimo nossa capacidade cognitiva.

Imagino que o Senhor esteja um tanto decepcionado conosco. Afinal, Ele nos capacitou para cuidar da criação, crescer e nos aprimorar. Parafraseando padre Fábio de Melo (em sua obra: Quem me roubou de mim?), conforme o Tratado de Teologia Cristã da Criação, o gesto criador de Deus tem sempre continuidade na vida humana; assim, cada vez que nos realizamos enquanto pessoa, vivendo e aperfeiçoando as capacidades que nos foram entregues, o Criador continua criando o mundo a partir e através (inclusão e grifo meus) de nós. É triste notar como estamos limitando nossas potencialidades, encarcerando-as no primitivismo, onde importa apenas o comer, o beber, o dormir, o acasalar.

Fomos criados para a santidade, mas o mundo nos convida à desumanização. A dignidade com a qual o Senhor Deus nos presenteou (de sermos Seus filhos) é pisoteada por aqueles que se refugiam na superficialidade, e se comprazem no viver instintivo, na busca de prazeres momentâneos. Não é possível que o Homem, imagem e semelhança de Deus, se satisfaça com tão pouco. É abrir mão da realeza que o Senhor nos propõe e nos assegura.

Segundo Padre Fábio, “perder a possibilidade de ser” talvez seja a maior de todas as perdas. E é isso que está acontecendo conosco. Estamos vivendo instintivamente, reféns de uns poucos momentos de prazer. Perdemos a oportunidade de resgatar nossa herança divina. Optamos por nos desumanizar ao invés de nos santificar, aperfeiçoando-nos conforme nosso modelo (imagem e semelhança divina). Já que Cristo nos restaurou, precisamos nos investir da nossa nova condição humana, e selar nossa reconciliação com Deus. Vamos prestar atenção e tomar consciência do que está acontecendo conosco. Será que estamos sendo roubados? Se chegarmos à conclusão que sim, ainda há tempo para reverter essa situação. Nossa herança de filhos de Deus nos espera!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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