A criação geme em dores de parto

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Dias atrás, com bastante atraso, confesso, assisti ao filme: Avatar. Eu gostei. Ficou difícil não o relacionar com a Campanha da Fraternidade deste ano de 2011, Fraternidade e Vida no Planeta. É impressionante até onde a ganância pode nos levar. Mesmo testemunhando diuturnamente as modificações climáticas, os terremotos, o aquecimento global e as inundações, insistimos em desrespeitar a natureza e os animais, causando um desequilíbrio na ordem natural das coisas e dos acontecimentos.

E pensar que Deus sugeriu que cuidássemos de tudo, certamente imaginando que teríamos tanto amor quanto Ele pela criação. É bom acordarmos rápido, antes de sermos tragados pelos estragos que estamos causando. Muitos já sofreram as consequências desse desrespeito, outros mais sofrem agora, milhares irão agonizar em breve. Pessimismo? Não; apenas uma constatação lógica diante da forma como estamos administrando um problema real, e que tem sido relegado a um segundo plano.

Quaresma é tempo de reflexão. Meditação acerca dos rumos que estamos tomando em relação ao planeta, a nós mesmos, e aos nossos irmãos. Precisamos verificar o quanto temos contribuído para que a situação permaneça como está ou venha se agravando. Será que estamos favorecendo o desperdício? Será que estamos ajudando a emporcalhar o mundo? Será que estamos acumulando enquanto nossos irmãos passam fome? Por que essa necessidade de ter sempre mais? Por que o suficiente não é o bastante para todos? Por que tão poucos vivem no luxo enquanto milhares padecem sem o mínimo necessário à sobrevivência? Lamento dizer, mas isso é um grande pecado, meus irmãos. E a angústia dessa gente vai pesar sobre os nossos ombros. O clamor deles não ficará sem resposta, pois Deus é justo, e o mundo que Ele criou também o é. A cada ação uma reação na mesma medida, ceifando bons e maus, nivelando igualmente.

Quaresma é tempo de penitência. Urge enxergar os erros para corrigi-los. Modificar situações preocupantes com carinho e disposição em acertar. Assumir a culpa pelo mal feito. Lamentar a ganância, a falta de amor ao próximo, a insensatez. Propiciar melhor distribuição de renda priorizando a honestidade, o respeito, a caridade com o necessitado. Entender que somos falíveis, mas nem por isso desculpar nossas desprezíveis atitudes de exploração do outro, assumindo nossa culpa e fazendo novos propósitos, mais solidários e humanos. Bater no peito, reconhecendo a má intenção inicial, e verificar que sozinhos não podemos prosseguir, e que precisamos da união de todos os esforços para salvar nosso planeta da destruição.

Quaresma é tempo de conversão. Ciente do erro, mostrar-se arrependido. Pressupõe a transformação espiritual, a autenticidade das posturas assumidas, o desejo de fazer certo. Incita à oração, que é fundamental para um encontro pessoal com o Criador. Mudança de atitude, essa é a questão. “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22). A criatura precisa rever seus conceitos de certo e errado. Ouvir a voz de seu coração que clama: Ame!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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