A idade aprimora ou piora

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Há alguns meses atrás, fiquei surpresa com o comportamento de uma pessoa próxima. Surpresa e decepcionada. Algumas de suas atitudes foram completamente diferentes de suas falas. Seus atos não corresponderam às suas apregoadas verdades. Isso é relativamente comum nos dias de hoje, mas sinceramente não é o que esperamos de pessoas com as quais convivemos, e pelas quais temos simpatia e afeição. Recentemente, aconteceu a mesma coisa com uma outra pessoa do meu círculo de relacionamento. Atitudes inesperadas e destoantes da linha de comportamento adotada há anos. Coincidentemente, ambas estavam por volta dos cinquenta anos. Esses dois episódios próximos, e outros mais distantes, dos quais também tive notícia nestes tempos, levaram-me a refletir sobre o que leva uma pessoa aparentemente sensata, equilibrada e ética a assumir posturas tão diversas das adotadas na juventude ao ingressar na idade madura.

Quando jovem, era comum eu escutar dizerem que, com o passar dos anos, as pessoas se aprimoravam. Isso me deu uma esperança enorme, pois achei que tinha tempo suficiente para corrigir minhas falhas e ser uma pessoa melhor. Imaginei que a experiência pessoal e profissional serviria para lapidar o caráter e as ações das pessoas em geral. Infelizmente, não é o que tenho acompanhado. Começo a ficar com medo do meu futuro, já que no ano passado completei quarenta e cinco. Será que eu também irei virar a casaca depois de tantos anos? Será que serei capaz de trair meus amigos, negligenciar meu trabalho, constituir uma outra família, adquirir hábitos desprezíveis, tudo isso depois dos cinquenta anos, época em que imaginei que estaria com uma vida emocional e financeira estável, serena? Espero que não.

Peço ao Pai que me poupe de tal constrangimento. Para mim seria vergonhoso trair meus princípios, imaginando ser capaz de viver em dez anos ou vinte anos, o que não vivi a minha vida toda. Querendo recuperar o tempo perdido com canalhices e vilezas que não ousei cometer na juventude. É deplorável inaugurar a maturidade com atitudes rasteiras, desculpáveis em pessoas sem instrução, mas inadmissíveis em graduados. O Senhor exige de nós conforme as nossas capacidades. Provavelmente, desculpa com mais facilidade aquele que errou por desconhecer o certo, do que aquele que, depois de fazer a vida toda o certo, resolve trilhar o caminho errado. Meu Deus, o que está acontecendo com as pessoas de bem? Ou será que pareciam ser o que não eram?

Ninguém está livre de cometer deslizes, já o sabemos, mas precisamos ser coerentes. Não se joga assim a dignidade de uma vida toda pela janela impunemente. Precisamos estar vigilantes para que não coloquemos nosso prêmio em risco. As propostas deste mundo são convidativas, mas não podem ser mais atraentes que as de Jesus. “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mc 14,38a). Que o Senhor nos ajude e proteja!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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