Paixão de Cristo

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Maria Regina Canhos Vicentin
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O povo que andava nas trevas viu uma grande luz (Is 9,1a), e se encheu de esperança. Explorados, tiranizados, humilhados. Não havia perspectiva de vida presente nem futura para aquelas pessoas sufocadas pelos altos impostos e exigências no cumprimento das inúmeras leis judaicas. O pobre estava fadado à condenação e à morte. Os doentes e os portadores de deficiência eram considerados pecadores. As viúvas e os órfãos sobreviviam da caridade. As mulheres eram menosprezadas. Num cenário como esse, surge alguém diferente, “uma grande luz”. Alguém que olha nos olhos do desvalido, do pobre, do órfão, da viúva, do deficiente, do leproso, e lhes diz: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25,34). Jesus resignificou a vida dessas pessoas, e lhes conferiu a dignidade de filhos de Deus, por isso, eles o aclamaram rei, com ramos nas mãos, viva!

Penso que hoje, igualmente, estamos acabrunhados, abatidos, desesperançados. A vida continua difícil; a carga tributária pesada; o saneamento básico, a saúde e a educação lastimáveis. A forma apelativa como os meios de comunicação se servem das jovens mulheres, reduzindo-as a meras estampas focadas em vários ângulos, mostra como prossegue o desrespeito. Também precisamos de uma grande luz, necessitamos de um rei. Acenamos com nossos ramos para aquele que nos confere a dignidade de filhos de Deus. Aquele que olha em nossos olhos e nos estende a mão. Toma Senhor, é seu o nosso coração; precisamos da sua compaixão! Estamos confusos como outrora e, se num instante o recebemos calorosamente, logo em seguida o pregamos na cruz.

Transcrevendo trecho do editorial de Frei Wilmar Ortiz, da revista O Mensageiro de Santo Antônio deste mês de abril: “A paixão do Senhor, violenta e brutal, fruto de sua fidelidade ao Pai, expõe as feridas do mundo. Também trazemos a marca da violência, da brutalidade. Experimentamos a rejeição, a zombaria, a inclemência, a perseguição e a maldade e, quando não, somos os que a promovem”. Precisamos de orientação, paciência, misericórdia. Precisamos de tempo para nos perceber dependentes e frágeis, mesmo quando nos consideramos fortes. Sofremos pelo peso das nossas misérias, que são muitas. Precisamos de um rei que nos traga esperança. Não somos tão bons quanto pensávamos que éramos. Crucificamos Jesus a cada dia com o nosso egoísmo, com o nosso desamor. Desistimos fácil demais, somos fracos. Precisamos ser perseverantes, imitadores do Cristo.

Conforme Frei Wilmar, Jesus sofreu, mas levou seu projeto até o fim; até o túmulo vazio, do qual também somos participantes. “Nossa fidelidade ao Reino produzirá em nós a ressurreição, em que tudo ganha sentido, em que se faz novas todas as coisas”. A cruz e a ressurreição para nós. A cruz e a ressurreição em nós. Paixão de Cristo. Morte e vida entrelaçadas com os fios da esperança que somente o verdadeiro Deus pode tecer.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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