O direito de discordar

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Maria Regina Canhos Vicentin
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A revista “Estrela do Mar” – das Congregações Marianas do Brasil – em sua edição bimestral maio/junho de 2011, trouxe um interessante, verdadeiro e oportuno artigo do Pe. Zezinho, intitulado: “Preconceito e conceito”. O texto nos remete à atual conjuntura, em que nos falta tempo para elaborar conceitos; e assim, optamos por abdicar de pensar. Muitas pessoas aceitam determinadas situações ou opinam sem pensar, sem refletir sobre a questão. Posturas que, por vezes, são nomeadas e tidas como “politicamente corretas”, na verdade, revelam puro receio de expressão; medo da censura ou da discriminação. Pe. Zezinho aponta que, hoje em dia, “a proposta é discordar apenas do que é permitido” e, se o assunto for polêmico, “dizer que não tem nada contra, ainda que tenha”, pois é necessário concordar com tudo o que os donos da situação defendem se se quer sobreviver.

Senti isso na pele há algumas semanas. Tudo porque ousei discordar do “kit gay” e da argumentação do Frei Betto em seu artigo: “Os gays e a Bíblia”. Como disse Pe. Zezinho, talvez eu devesse ter feito como a maioria e, em se tratando desse assunto polêmico, dizer simplesmente que não tinha nada contra (mesmo que tivesse). Isso teria me poupado da incompreensão de alguns e de e.mails ofensivos. Pe. Zezinho já havia orientado: “Saia-se bem discordando de tudo o que os donos da situação discordam e concordando com tudo o que defendem.” Para sobreviver parece ser necessário realmente abdicar de pensar e opinar. Estamos perdendo o direito de discordar do que consideramos inadequado.

Pe. Zezinho continua; diz que comunicar deveria ser outra coisa. Deu o exemplo de Jesus, que morreu por discordar dos donos da situação; e acrescentou que: “Hoje, na mídia e nos governos, quem elogia e concorda tem espaço. Quem discorda é afastado ou excluído. Mas, foi Jesus quem disse que a verdade nos libertaria.” Assim, penso que temos o direito de discordar, ainda que esse direito esteja sendo paulatinamente subtraído de nós.

Lamento ter sido incômoda e indigesta ao considerar a idade de seis a oito anos inadequada para uma cartilha de combate a homofobia. Lamento muito ter chocado ao apontar que vários casos de homossexualismo são decorrentes de abusos sexuais sofridos, e da forma como certas crianças são criadas por seus pais que, por vezes, não aceitam o menino ou a menina que tiveram. Lamento ter indignado alguns por não concordar com o artigo de Frei Betto, considerando que ele extrapolou ao escrever que na Bíblia há trechos em que se subentendem relacionamentos homossexuais.

Será que tenho o direito de expressar a minha opinião? Posso discordar do que ora se apresenta como “politicamente correto”? Arremato este texto com mais um trecho do brilhante artigo do Pe. Zezinho: “Concordar sempre e em tudo é submissão e subserviência. Discordar sempre e em tudo é insolência. Concordar e discordar com critério é sinal de maturidade. Quantos conseguem esta franqueza?”


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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