Namorados: amai-vos

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Maria Regina Canhos Vicentin
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“Amai-vos, pois, uns aos outros, ardentemente e do fundo do coração.” (I Pd 1, 22 b)

Li certa feita que os textos sagrados já foram interpretados muitas vezes de forma maliciosa, principalmente o “amai-vos uns aos outros”. Os que maldosamente assim procedem, esquivam-se de compreender o real sentido da afeição verdadeira e do coração puro. Noto que vivemos um momento em que tais conceitos equivocados do amor estão se espalhando com facilidade, num mundo de interesses egoístas. Os jovens apaixonados parecem não estar imunes a esse efeito gravoso em relação ao sentimento que deveria ser vivenciado de forma sublime.

O “amai-vos” precisa ser primeiro compreendido para depois ser exercitado. Ora, o que é amar senão desejar o bem aos demais? Mas, que bem é esse? É tudo de melhor, de bom. No entanto, costumamos buscar primeiro a nossa própria satisfação? Amar, então, corresponde a querer ser satisfeito, atendido. A maioria se relaciona buscando ser feliz, e não desejando fazer o outro feliz. O “amai-vos” parece ser empregado com o sentido de “me ame”. Todos desejam ser amados para depois amarem. Amam aquilo que conseguem enxergar de si mesmos no outro. Amam a forma como o outro lhes devolve a ideia que possuem de si. Exigem atenção o tempo todo e, muitas vezes, esquecem de retribuir o que recebem.

Para ser exercitado, o “amai-vos” deve ser compreendido. É preciso desejar o bem do outro. Dar antes de receber. Estar disposto a abrir mão, deixar livre, para que o outro deseje permanecer. Amar é ressaltar os pontos positivos e aprender a conviver com os negativos. Amar é aceitar que nem sempre tudo será maravilhoso, mas que estar juntos o é. Amar é trilhar a mesma estrada, sem pressa de chegar, porque vamos lado a lado, e se um cai o outro o pode levantar. Amar é ter a mesma meta, e somar esforços para chegar lá, sem nunca abandonar o parceiro no meio do caminho. Amar é compreender que pode haver gente mais inteligente, bonita e rica no mundo, mas não melhor que a pessoa com quem descobrimos o que é amar. Em última instância, o “amai-vos” é servir; dar a vida pelo outro, usufruir a vida com o outro, empregando o tempo em projetos comuns.

O “amai-vos” aprimora o nosso caráter, pois nos desafia constantemente a sairmos de nós mesmos para nos dedicarmos aos demais. E com isso evoluímos, crescemos e nos santificamos. O “amai-vos” é a experiência do paraíso na Terra. Começa com um simples olhar que nos envolve, um sorriso que nos cativa, um toque que nos predispõe a sonhar. E nós, que estávamos perdidos, podemos nos encontrar um no outro. Ele me mostra o que há de melhor em mim, e eu lhe mostro o que há de melhor nele. Puxa, o amor estava lá, mas não havíamos percebido, até que encontramos Deus em nós.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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