IBM comemora 100 anos de existência

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José Justino da Silva Filho
josejustinos@gmail.com
 

A IBM, personagem importante na indústria dos computadores, completou 100
anos de existência. Ao longo do século, a empresa protagonizou grandes
revoluções tecnológicas, incluindo o famoso computador pessoal (PC).

A IBM nasceu oficialmente em 1911 (com o nome de CTR) e ficou conhecida
por fabricar cartões perfurados. A empresa só passou a se chamar IBM
(International Business Machines) em 1924, quando iniciou a fabricação de
mainframes. Em 1981 a IBM introduziu o IBM PC, um computador pessoal de
arquitetura aberta que permitiu o desenvolvimento de computadores
compatíveis e a consolidação do PC na indústria dos computadores.

A Big Blue, como também é conhecida, está presente em 170 países e emprega
400 mil funcionários. Atualmente é considerada, pela Fortune, a 18ª maior
empresa dos Estados Unidos e a 31ª do mundo. Em 2010 a IBM faturou US$ 29
bilhões.

IBM E SUA HISTÓRIA

Ser antiga pode ser mérito para a maioria das empresas, como a cervejaria Bohemia que carrega orgulhosamente o seu ano de fundação, 1853, no rótulo de seus produtos. Já no meio tecnológico, isto não parece ter a mesma importância. Ou você compraria um computador com o ano “mil-oitocentos-e-guaraná-com-rolha” em cima do logo da empresa, no gabinete?

Dentro de um mercado onde as empresas são relativamente novas, como Apple (35 anos), Microsoft (36 anos) e Google (13 anos), o centenário da IBM é algo atípico. Não que não existam outras empresas centenárias na tecnologia. A Nokia foi fundada em 1871, mas na época estava envolvida em negócios como “fazer papel”. Já a IBM, “desde o berço” em 1911, já estava voltada à computação, época em que o grande negócio da empresa finlandesa ainda era fazer galochas.

Antes que vocês pensem que estamos tendo um devaneio, por falarmos em computação em 1911, acompanhe com a gente um pouco da história da International Business Machines, ou simplesmente IBM. História que se confunde em muito com a evolução da própria computação. Afinal, se existiam computadores no período Ming fabricados pela ECS, na China antiga, nada impede que os computadores estivessem à todo vapor no ocidente, no final do século XIX.

Fundação da IBM, Holocausto e a Guerra

A história da empresa não começa com ela em si, mas com um conjunto de outras empresas, algumas já voltadas ao jovem mercado da computação, que dariam origem a ela. A Tabulating Machine Company, por exemplo, foi fundada por Herman Hollerith, responsável pelo uso da tecnologia das fitas perfuradas no censo de 1890, nos Estados Unidos. Com a leitura magnética das fitas, o processamento do censo foi feito em três anos, um recorde na época.

Da junção da Tabulating Machine Company com outras duas empresas, também relacionadas com computação e equipamentos mecânicos, surgiria a... AAAAAAA... Não, não era a IBM. Não ainda. A Computing Tabulating Recording (CTR), resultado da fusão das três empresas, foi criada em 1911 e é considerado o marco inicial da IBM, já que tudo que falta para CTR virar IBM, era mudar o nome. E isso só aconteceria em 1924.

IBM, sigla que significa International Business Machines, passou a ser o nome da empresa, que tinha um logotipo bem diferente do que conhecemos hoje. A partir da década de 20, a companhia começou sua expansão internacional, instalando três fábricas na Europa.

E foi na Europa que ascendeu o regime nazista, com a ascensão de Adolf Hitler ao poder em 1933. E o que a IBM tem a ver com isso? Bom, não é novidade para ninguém que certas organizações acabam se apropriando de inovações tecnológicas para propósitos não tão benéficos para a humanidade. E como a companhia detinha um monopólio tecnológico na época, isso não poderia deixar de acontecer. Através da subsidiária alemã Dehomag, a firma fornecia às autoridades as máquinas de cartões perfurados para catalogar informações sobre a população, o que facilitou ao governo nazista a tarefa de encontrar grupos considerados nocivos a tal “pureza da raça ariana”, como os judeus, por exemplo.

Um bocado dessas história é contada no livro “IBM e o Holocausto”, de Edwin Black, filho de poloneses judeus sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Segundo o autor, a IBM enriqueceu consideravelmente durante esse período, alugando os equipamentos em troca de altas remunerações. Com isso, Hitler praticamente automatizou a perseguição aos grupos “inimigos” e o resto da história... bem, isso não vem ao caso. Todo mundo conhece.

Mas a guerra também trouxe alguns avanços tecnológicos e impulsionou a IBM a dar os primeiros passos na computação propriamente dita. A década de 40 marcou o desenvolvimento das calculadoras automatizadas, que realizavam cálculos complexos sem intervenção humana. O primeiro equipamento desse tipo foi o Mark I, criado em conjunto com a Universidade de Harvard.

O objetivo da máquina era, basicamente, militar: auxiliar o cálculo de trajetórias de artilharia e desvendar códigos secretos trocados entre os inimigos. Para isso, o brinquedinho pesava 4,5 toneladas, tinha 16 metros de largura e 2 metros de altura. E era só um pouquinho menos rápido que seu PC que roda Crysis, executando uma multiplicação em impressionantes seis segundos, ou uma operação trigonométrica ou logarítmica em pelo menos um minuto.

Evolução dos computadores

Na metade do século XX, os trambolhos da computação começavam a se modernizar. Em substituição à tecnologica eletromecânica do Mark I, a IBM desenvolveu as primeiras máquinas baseadas em tubos de vácuo. O pioneiro, IBM 701, era bem mais rápido que seu antecessor, sendo capaz de executar 17 mil instruções por segundo. Mas antes mesmo do final da década, em 1959, os tubos deram lugar aos transistores. Surgiu assim o IBM 7090, que podia executar 229 mil cálculos por segundo, mas ainda não rodava Crysis.

A virada da década de 50 para a de 60 foram decisivos para a IBM, que passava de uma empresa líder em tecnologia para uma megacorporação. A empresa passaria a desenvolver computadores mainframes, e participaria até mesmo das missões espaciais da NASA.

Também se tornaria uma máquina de produzir novas tecnologias (há quase duas décadas detém o recorde de publicação de patentes). Em 1966 criaria a DRAM (Dynamic Random Access Memory), que passaria a ser amplamente utilizada na indústria de computadores. Esta é a avó de sua super-memória DDR3 de 2000MHz.

Os computadores ganham os lares

Ao contrário do que muita gente pensa, o famoso IBM PC, lançado em 1981, não foi o primeiro computador pessoal do mundo. Antes dele, surgiram equipamentos como o Kenbak-1 (inventado antes do microprocessador, portanto, não possuía uma CPU em um único chip), o Altair 8800, que chegou a ser utilizado pelo então jovem universitário Bill Gates; e o Apple II, sucessor do Apple I criado por Steve Wozniak, que inovou o ramo por já vir todo montado com teclado e gabinete. Antes dele, ter um computador pessoal era coisa só para gente muito, muito nerd mesmo - era preciso montar peça por peça.

O mérito da IBM foi o de criar um padrão para toda a indústria. Isso porque enclausurou em um gabiente todas as peças necessárias para o funcionamento da máquina, com um teclado incluído e um monitor opcional (mas dava para ligar o equipamento a uma TV). Os componentes eram fornecidos por diversas fabricantes, que também poderiam produzir acessórios e novas peças sem pagar royalties ou fazer acordos de licenciamento com a IBM.

Assim, surgiu a leva de máquinas “IBM PC compatível”, em um conceito que perdura, de certa forma, até hoje. Embora a IBM não produza mais computadores pessoais, foi ela que ditou os moldes da indústria atual, democratizando o uso dos computadores pessoais que, até então, eram complicados demais para os não-geeks.

O IBM PC fez um enorme sucesso entre empresas de pequeno e médio porte, mesmo com suas configurações que parecem tão sem graça aos olhos de hoje: 16Kb de memória (expansíveis para até 256Kb) e um processador Intel 8088 de 16 bits e 4.77MHz, além de drives de disquete e de cassetes para carregar programas. O sistema operacional foi desenvolvido por, adivinha... pela pequena empresa chamada Microsoft, que sequer tinha cacife pra começar alguma coisa desse porte do zero. Então, Gates comprou os direitos para utilizar o SO QDOS, da Seattle Computer Products, e adaptou dando origem ao MS-DOS, ainda vivo na lembrança daqueles que precisavam digitar linhas e mais linhas de comando para rodar um único jogo.
A IBM participaria de muitas invenções, ainda na década de 70, com a chegada dos HDs (que ficariam conhecidos também como winchester, por conta do codinome dado ao aparelho dentro da IBM durante o desenvolvimento), os disquetes e até computadores “portáteis". Claro que, como falamos de algo lançado no ano de 1975, o portátil deve ser entendido como do tamanho de “uma mala das grandes”, e não um tablet. O 5100 Portable Computer pesava 25 Kg e era carregado em uma mala com rodinhas ou com a ajuda deste cara da foto publicitária, que não parecia ver dificuldade nenhuma em carregá-lo.

Nesta altura, a IBM ainda tinha o foco na área empresarial e institucional, mas é no meio da década de 70, e principalmente durante a seguinte, que seus produtos começam a alcançar novos mercados, com o início da computação pessoal. Foi a década que marcou também o fim do comando dos Watson, quando Thomas J. Watson Jr. deixou o cargo de CEO da empresa, embora tenha permanecido como membro do quadro de diretores até 1984.

Foi em 1973 que Frank T. Cary assumiu o comando da IBM e, então, as tecnologias da empresa passaram a integrar mais profundamente o cotidiano das pessoas. O disquete, desenvolvido em 1971, tornou-se por muito tempo o padrão preferido de backup de arquivos pessoais. Os supermercados começaram a usar equipamentos a laser para fazer a leitura dos preços dos produtos (já ouviu falar em código de barras?). Paralelamente, os bancos também utilizavam tecnologias da IBM para facilitar operações para seus clientes.

Para os dias atuais, e avante!

E para onde foram os IBM PCs? Hoje "continuam existindo", mas não são mais produzidos pela empresa. Em 2005 a Lenovo, empresa chinesa, compraria a divisão de computadores pessoais da IBM pela bagatela de 1,75 bilhões de dólares. Achou caro? Com a aquisição, a chinesa assumiu o terceiro lugar no mercado global, perdendo apenas para HP e Dell.

A empresa perderia terreno em relação à novas empresas, como a Apple, por não conquistar espaço no mercado dos computadores pessoais. Hoje a empresa possui o valor de US$ 197 bilhões, atrás, curiosamente, da própria Microsoft (US$ 200 bilhões).

Apesar desta perda, a empresa mantem-se relevante, com foco no mercado corporativo com os mainframes, e no desenvolvimento de novas tecnologias. Não por acaso, cinco pesquisas realizadas na empresa levaram o prêmio Nobel.

Um de seus programas de inteligência artificial, o Watson, chamaria a atenção de todo o mundo graças a seu desempenho excepcional no jogo de perguntas e respostas Jeopardy! (imagine algo do estilo Show do Milhão). Através de registros de sua base de dados, e a capacidade de fazer associações de forma automática, Watson era capaz de acertar qual a resposta correta, e bateria até mesmo grandes vencedores do jogo, mostrando o avanço do estudo em IA feito pela IBM.

Atualmente a empresa possui 400 mil funcionários, atuando em 170 países. Inclusive aqui no Brasil, onde a IBM possui dois centros de pesquisa e desenvolvimento, localizados no Rio de Janeiro e São Paulo.

Com certeza é uma boa estratégia. Afinal, se ela quer comemorar o bicentenário, é melhor continuar pesquisando e inovando. Longevidade não é para qualquer um, no mundo da tecnologia.

Fonte: Adrenaline


José Justino da Silva Filho
Formado em técnico em informática pela Escola Técnica de Hortolândia (atual Paula Souza) em Processamento de Dados, atua como técnico de suporte da Prefeitura de Hortolândia e presta serviços para empresas da região como desenvolvedor web, manutenção de PC, notebooks e impressoras. Gerencia o site: www.makingsite.com.br. É certificado: ITIL V3. Atualmente faz o curso superior em Gestão Pública.
Email: josejustinos@gmail.com




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