Brasil cresce, mas perde tecnologia

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José Milton Dallari
mdallari@decisaoconsultores.com.br
 

O Brasil tem festejado o crescimento econômico e fica feliz em ter conseguido, enfim, ser percebido no mercado internacional. Tudo é muito positivo, mas o país segue carregando deficiências estruturais que precisam ser atacadas agora. Uma delas é a falta de tecnologia para avançar na industrialização. As grandes empresas, a maioria multinacionais, trazem de fora justamente os componentes que agregam mais tecnologia e valor aos produtos. As médias e pequenas indústrias brasileiras, apesar da vocação inovadora, padecem de incentivos e mecanismos que as façam de fato crescer.

Somos bons na produção de minérios e na agricultura, mas exportamos produtos praticamente em estado natural, sem agregar valor a eles. Na indústria, corremos o risco de ter aqui apenas grandes montadoras.

Muitas fábricas – de vidros, louças a eletroeletrônicos – abriram mão de parte de sua produção. Se antes fabricavam o produto do começo ao fim, agora importam, principalmente da China, uma parte de seus componentes. Os preços são mais baixos do que se fossem produzidos aqui.

O preço do produto final cai, o que é bom para o consumidor, mas péssimo para o trabalhador brasileiro que perde seu emprego para um trabalhador chinês. No Brasil, o boom de empregos gerados atualmente acontece em setores de produtos com baixo valor agregado, como contrução civil.

Enquanto isso, o déficit de tecnologia do Brasil cresce cerca de 20% ao ano.

Caminha para ultrapassar os US$ 100 bilhões em 2011.

Os investimentos estrangeiros têm chegado muito mais para aproveitar o ganho financeiro proporcionado pelos altos juros do que para desenvolver de fato o nosso parque industrial.

A médio prazo, este modelo é desastroso. Oitava economia do mundo, o Brasil não passa do 44º lugar na medição da competitividade. Perde para países como Peru, Filipinas, Turquia e Emirados Árabes.

É um ciclo vicioso. Quanto mais se importam produtos de alta tecnologia, menos precisamos da nossa mão-de-obra especializada.

É isso que queremos? Certamente não. Faltam investimentos em desenvolvimento de pesquisas e uso de tecnologia e é chegada a hora de cobrar isso do governo.


José Milton Dallari
Engenheiro, advogado e admistrador de empresas pós-graduado em Economia e Direito Empresarial. É consultor de empresas e de instituições públicas e privadas. Foi um dos formuladores do Plano Real, quando ficou conhecido como ‘xerife dos preços’
Email: mdallari@decisaoconsultores.com.br
Site: http://decisaoconsultores.com.br




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