Unir educação à estratégia de desenvolvimento da cidade pode criar negócios e empregos

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José Milton Dallari
mdallari@decisaoconsultores.com.br
 

Tem sido assim há muitos anos nos municípios do interior paulista: ao fim do Ensino Médio, os filhos deixam a casa dos pais para cursar faculdade em uma cidade grande. A maioria não volta. Acaba conseguindo um emprego por lá mesmo e obtendo sucesso. Muitos ficam nas cidades pequenas por não terem tido oportunidade de sair. Outros, por terem herdado os negócios da família - e seguem a vida repetindo a trajetória dos pais.

Mas não é assim que precisa ser. É possível criar oportunidade para empreender e obter sucesso mesmo nas menores cidades. Em vários municípios paulistas, sobram desempregados e falta mão-de-obra qualificada. Na cidade de São Carlos, só para citar um exemplo, o índice de desemprego estava em torno de 10% no início do ano e a justificativa está justamente na falta de qualificação dos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, vemos e sentimos na pele a falta de profissionais capacitados, como padeiros, costureiras, marceneiros, pedreiros, bordadeiras etc. Recentemente, o sindicato das panificadoras anunciou que, mesmo oferecendo salários acima de R$ 4 mil, as padarias não conseguiam contratar.

Muita gente pensa que a solução para o desemprego é apenas o desempenho da economia nacional. O fato, porém, é que os municípios estão perdendo tempo em não articular medidas básicas de formação para seus cidadãos. Lembra-se do tempo em que se aprendia um ofício? Pois bem, hoje o nome é ensino técnico e é possível implantar cursos profissionalizantes nas escolas, aproveitando horários com capacidade ociosa de alunos, para desenvolver aptidões que possam ser aproveitadas na própria cidade. Um município agrícola pode capacitar técnicos de análise de solo. Uma cidade onde o forte é a malharia pode apostar em cursos de criação e moda. Se o negócio é turismo, é possível formar cozinheiros, bartenders, doceiros e até desenvolver um projeto de criação de souvenires com base em técnicas artesanais.

Todas essas profissões dão origem a novos negócios, a micro e pequenas empresas cujo surgimento pode ser estimulado com um Poupatempo local, onde os serviços das Prefeituras possam estar à disposição da população num único endereço. Sem falar na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que, aprovada, precisa vingar na prática para facilitar a vida de quem quer investir. Na maioria das cidades, 90% dos empregos são oferecidos por este tipo de empresa.

Fazer uma faculdade é muito bom, mas chegar a ela sabendo que vai cursar o que gosta é melhor ainda. Por isso, mesmo quem tem condições de chegar à universidade pode cursar antes o ensino técnico na área desejada, ganhando experiência para saber, na prática, como as coisas funcionam e se a carreira é mesmo a que pretende seguir.

Proprietários de instituições de ensino, empresários e Prefeituras podem e devem atuar juntos para sair deste impasse e dar condições para que todos possam se desenvolver. Ideia é boa quando sai do papel. E o papel de todos nós é arregaçar as mangas e trabalhar para tornar a nossa realidade melhor.


José Milton Dallari
Engenheiro, advogado e admistrador de empresas pós-graduado em Economia e Direito Empresarial. É consultor de empresas e de instituições públicas e privadas. Foi um dos formuladores do Plano Real, quando ficou conhecido como ‘xerife dos preços’
Email: mdallari@decisaoconsultores.com.br
Site: http://decisaoconsultores.com.br




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