Cuidado! O nazismo pode estar voltando...

Compartilhar no Facebook

Enviar por email Imprimir este artigo
 

Nem todos os historiadores concordam que a humanidade está evoluindo quanto a seus procedimentos. Alguns chegam mesmo a mostrar pessimismo, lembrando que com as novas tecnologias o poder de extermínio multiplicou-se e que as forças militares, mais poderosas que nunca, podem aniquilar o planeta apenas com um sopro. Outros, ao contrário, preferem acreditar que tempos melhores virão e que as marcas horrendas da escravidão, do nazismo e dos genocídios programados constituem lembranças amargas, definitivamente sepultadas pela certeza de que com a dor, a humanidade aprende.

N√£o √© f√°cil para um educador assumir posi√ß√£o restrita diante dessa pol√™mica. Em uma primeira an√°lise, √© poss√≠vel crer que a evolu√ß√£o da tecnologia armamentista pode servir at√© mesmo de freio para o desastre de seu uso e que, efetivamente, a humanidade j√° n√£o mais aceita que as cenas horrendas do nazismo, do preconceito e da persegui√ß√£o racial irracional possam outra vez acontecer, pelo menos na parte do mundo um pouco mais iludida por sua condi√ß√£o cultural. Mas, ser√° isso mesmo verdade? Ser√° que outras formas de racismo e de preconceito n√£o est√£o crescendo debaixo de nossos olhos, sem que possamos dar conta desse renascimento? Ser√° que a ‚Äúinoc√™ncia‚ÄĚ de nossa sala de aula n√£o pode estar sendo fervida pelo caldo depredador de uma nova viol√™ncia? Ser√° que efetivamente n√£o se assiste o fomentar de um novo nazismo, n√£o necessariamente contra um grupo √©tnico, mas contra alguns exclu√≠dos que nem mesmo sabem porque o foram?

Para que se possa perceber o sentido dessas perguntas, conv√©m fazer algumas observa√ß√Ķes sobre o espa√ßo que fica al√©m da sala de aula. Vamos, por exemplo, a uma arquibancada de um est√°dio de futebol. Ser√° que as torcidas organizadas n√£o buscam, menos o espet√°culo esportivo e bem mais a viol√™ncia gratuita contra outro grupo? Ser√° que essa rivalidade √© apenas porque se gosta de cores diferentes? Claro que s√£o respostas negativas e que os professores n√£o podem assumir postura de ingenuidade sobre o que todo dia ouve. Partidas de futebol entre duas grandes equipes de uma mesma cidade, nunca terminam no campo e o resultado, seja ele qual for, sempre esconde espancamentos, torturas, depreda√ß√Ķes que v√£o muito al√©m dos limites do esporte. Constitui uma ilus√£o acreditar que os hooligans foram extintos e, no mundo inteiro se sabe que partidas de futebol s√£o apenas espet√°culos que ocultam rivalidade radical entre clubes que simbolizam esta ou aquela religi√£o (Celtic e Rangers, na Esc√≥cia), esta ou aquela etnia (Estrela Vermelha e D√≠namo, na Cro√°cia e Eslov√™nia), esta ou aquela classe social (S√£o Paulo e Corinthians ou Cruzeiro e Atl√©tico, no Brasil) e outros, muit√≠ssimos outros em todos os continentes. Estes argumentos poderiam suscitar r√©plicas e ent√£o se dizer que o futebol n√£o envolve todos e que rivalidades entre estes ou aqueles grupos n√£o amea√ßam a serenidade social. Ser√°? O Nazismo, por exemplo, n√£o evoluiu de simples partido pol√≠tico? J√° n√£o houve guerras que come√ßaram ap√≥s resultados de futebol?

Todas essas observa√ß√Ķes, entretanto, parecem passar distante da sala de aula e, assim se pensar, que nestas, pode ocorrer a indisciplina, mas o comportamento inadequado n√£o se associa a gangues organizadas. Ser√°?

Você já ouviu falar em bullying? Será que esse procedimento não existe em sua escola, no pátio e nos corredores? Será que uma outra forma violenta e perniciosa de nazismo, não está crescendo debaixo de seus olhos? Será que já não está passando a hora de cortar o mal pela raiz.


Celso Antunes
Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de S√£o Paulo, Mestre em Ci√™ncias Humanas e Especialista em Intelig√™ncia e Cogni√ß√£o; Membro da Associa√ß√£o Internacional pelos Direitos da Crian√ßa Brincar (UNESCO); Embajador de la Educacion ‚Äď Organizaci√≥n de Estados Americanos; colaborador em√©rito do Ex√©rcito Brasileiro; s√≥cio fundador do Todos pela Educa√ß√£o - Sociedade Civil que re√ļne lideran√ßas sociais, representantes da iniciativa privada e educadores; autor de cerca de 180 livros e consultor de diversas revistas especializadas em Ensino e Aprendizagem; ministrou palestras e cursos em todos os estados do pa√≠s, mais de 500 munic√≠pios; ministrou palestras e cursos na Argentina, Uruguai, Peru, M√©xico e outros pa√≠ses.
Email: celso@celsoantunes.com.br
Site: www.celsoantunes.com.br




Mais textos deste colunista:
Uma Professora de Belezas
Quem ama o feio... ou Darwin que disse
Se assim somos é porque assim imitamos
O cérebro e a sala de aula
Deficiência
Alienação
Um "ET" em minha sala (I) - O que aprender
A crian√ßa e o mundo dos n√ļmeros
Ensinar o que? II
Competências do Ensino Médio
Saber fazer é bom, saber porque fazer é mais...
Ser leitor
A disciplina em sala de aula
Margarida
Olhar Emp√°tico do Mestre
Um sol que n√£o tem tamanho
Um Programa Alternativo
Os Bichos e os Homens
Cérebro Adolescente
Por que ensinar valores?
Nesta escola n√£o existe...
Bota a gente calça e calça a gente bota...
A Pl√°stica e a Caminhada
Por que as crianças se estressam?
O Espaço Tenebroso
Dificuldade de Aprendizagem ou de Sensibilidade?

COMENTE ESTE ARTIGO:
Nome:
Email:

(0 / 255)
O tamanho máximo do comentário é de 255 caracteres.
Atenção!
Você irá receber um email para confirmar seu comentário para que o mesmo seja publicado nesta página, portanto o campo Email é de preenchimento obrigatório e, ao enviar, você assume a responsabilidade pelas suas palavras inseridas neste comentário.
*NOTA : o JornalRMC abre esse espaço para que nossos colunistas exponham, de forma voluntária, seus pontos de vista sobre os assuntos em que são especialistas. Dessa forma, as opiniões apresentadas são de única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, não refletindo necessariamente a opinião do portal e de seus editores.

 
SOS Impressoras
Rádio Novo Tempo Campinas
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

.: Acessos: 8.741.306 :. | .: desde Agosto/2007 :. | .: contato: imprensa@jornalrmc.com.br :. | .: desenvolvido por: LINDEMUTH Comunicação :.