Sonhos nem sempre são como parecem

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Ora mais fáceis ora mais difíceis, os sonhos povoam o imaginário de praticamente todas as pessoas. Buscamos a satisfação de nossos desejos, ainda que no futuro, e a isso damos o nome de planejamento, projeto, sonho. Muitas vezes, demoramos anos para atingir um determinado objetivo, mas saboreamos com contentamento a realização de nossos planos e aspirações. É muito bom quando tudo acontece assim, da forma descrita. A gente sonha, luta e, um dia, alcança, conforme planejado. Ótimo!

Problemas surgem, no entanto, quando aquilo que conquistamos é diferente daquilo que desejamos ou havíamos idealizado. Em certos momentos, presenciamos nossos sonhos se transformarem em pesadelos, por envolverem pessoas que não pensam da mesma forma que nós. Isso porque, normalmente, existem interesses diversos entre os vários indivíduos. Enquanto alguns são amorosos e menos ambiciosos, outros são frios e mais competitivos. Essas e outras características entram em choque quando a concretização de nossos sonhos depende de outras pessoas. O que fazer nessa situação?

Olhe: a resposta a essa questão não é nada fácil, pois temos o intenso desejo de fazer nossos sonhos se transformarem em realidade. Podemos ficar em dúvida quanto a continuar ou desistir quando encontramos pessoas que pensam e agem diferentes de nós. Talvez, a dica seja observar o que “sentimos” a respeito da situação, e não o que “pensamos”. Toda vez que “pensamos” nos atemos a uma atividade cognitiva, e tendemos a agir de acordo com aquilo que julgamos ser o melhor. Entretanto, toda vez que “sentimos” nos atemos a uma situação emocional, e tendemos a agir de acordo com o que se apresenta como mais confortável para nós. Nesse mais confortável, entenda-se menos conflituoso intimamente, ou alinhado com a nossa consciência.

Ora, quando nossos princípios e valores estão sendo desrespeitados ou desvalorizados, não há como nos sentir bem. Então, alcançar nosso sonho pode não ser mais tão vantajoso quanto pensávamos que seria no início. A solução nesses casos é abrir mão, ainda que dificilmente, pois muito mais penoso é conviver com a consciência pesada, já que não podemos nos descartar dela mesmo quando dormimos. O discernimento para tal decisão pode ser alcançado através da oração e da observação, fazendo como aconselhei, ou seja, a decisão deve ir de encontro com o que sentimos ser o melhor, e não com o que achamos ser o melhor. Achar está mais para a cabeça. Sentir está mais para o coração. É no coração que dizemos encontrar o amor. E onde se encontra o amor também se encontra Deus, porque Deus é amor (1 Jo 4,8).


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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