Os ciclos da evolução humana (Final)

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Vinícius Dottaviano
viniciuspsique@hotmail.com
 

Poderia começar o texto desta semana, afirmando que todo mundo sente todos os sentimentos (sensoriais e psicológicos). Mas melhor dizer que todas as pessoas são capazes de sentir, ainda que nem todas se permitam entrar em contato consigo mesmas e, portanto, estas vivam dissociadas de seus reais sentimentos!!!

Sabendo disso, acho que j√° d√° para voc√™s perceberem que sentir as coisas n√£o √©, definitivamente, uma viv√™ncia linear. Saibam que os sentimentos mudam em intensidade, freq√ľ√™ncia, profundidade e consci√™ncia. Sobretudo, as atitudes a partir de cada sentimento dependem da maturidade e do equil√≠brio emocional de cada um(a). Porque, no final das contas, n√£o √© o que voc√™ sente que determina quem voc√™ √©, mas o que voc√™ faz por causa do que sente!!! Explico...

Tem gente que leva um ‚Äúfora‚ÄĚ e acha que a vida acabou, literalmente... Mas tem gente que cresce, aprende a se valorizar mais e se torna mais forte para a(s) pr√≥xima(s) rela√ß√£o(√Ķes) se elas houverem. A diferen√ßa n√£o √© que para a primeira foi muito dif√≠cil passar por isso e para as outras foi f√°cil. Para todas certamente foi dif√≠cil. Ali√°s, para todo mundo √© doloroso se sentir rejeitado(a). A diferen√ßa √© que a primeira conseguiu enxergar apenas uma sa√≠da: a fuga de si mesmo(a); e as outras encontraram outras maneiras de lidar com sua dor.

Tem gente que por ter auto-estima baixa, sente al√©m das inseguran√ßas, muito ci√ļme e arma uma baita confus√£o, d√° vexame, ofende, agride e perde a raz√£o. Mas tem gente que, apesar de tamb√©m sofrer por causa deste sentimento, consegue elaborar a situa√ß√£o e compreende que √© poss√≠vel resolv√™-la de maneira mais criativa, conversando, expondo seu ponto de vista, impondo seus limites, por exemplo.
Tem gente que é traído(a) e entra em profunda depressão. Tem até quem mate o objeto da paixão. Tem quem destrói a si mesmo(a), entrega-se a alguma dependência, seja física ou psíquica, se fecha tão hermeticamente para a possibilidade de amar novamente que nunca mais consegue ser coerente com seus desejos, isso quando não tentam suicídio... Mas tem gente que percebe que o(a) outro(a) não agiu dignamente e não conseguiu exercer a lealdade e descobre que cada um é responsável por suas próprias escolhas. As pessoas são diferentes!!!

Tem gente que sente tristeza ou solid√£o e se lamenta t√£o escancaradamente que se torna pesado(a), cansativo(a), negativo(a), repelente. Fica patinando em sua pr√≥pria dor e n√£o p√°ra pra avaliar qual a melhor atitude a fim de ‚Äúdesatolar-se‚ÄĚ. Mas tem gente que busca ajuda,(terap√™utica) porque n√£o??? E procura ver o lado bom da vida e investe em seu amadurecimento de modo que se torna maior que a tristeza que lhe faz derrapar. Mas, sabem... Infelizmente, tem ainda outro tipo de gente... S√£o aquelas que sentem tudo isso, entre outros sentimentos, e simplesmente ‚Äúfingem‚ÄĚ que n√£o sentem. Ou porque realmente tem um ego exacerbado e decidem exibir a m√°scara de ‚Äútodo-poderoso‚ÄĚ, negando suas emo√ß√Ķes; ou porque nem se d√£o conta do que est√£o sentindo. Simplesmente desconectam, n√£o pensam no assunto. Est√£o t√£o distantes de sua ess√™ncia que atropelam a si mesmas (e aos demais) e vivem como se fossem ‚Äúum ser inferior‚ÄĚ, cuja estrutura cerebral √© t√£o primitiva que n√£o tem condi√ß√Ķes de sentir qualquer tipo de afeto.

N√£o s√£o seres inferiores, √© verdade. E, por isso mesmo, mais cedo ou mais tarde, uma avalanche de sentimentos ressequidos vir√° √† tona de alguma forma: ataque card√≠aco, colesterol alto, artroses, diabetes, depress√£o, transtornos afetivos, enfarte, c√Ęncer, entre outros dist√ļrbios ilimitados.
Ou n√£o!!! Existe (felizmente!!!) uma forma mais saud√°vel de transcender nossas pr√≥prias limita√ß√Ķes e quebrar as m√°scaras e armaduras que tanto nos distanciam de quem realmente somos e daquilo que realmente desejamos viver no amor. E esta sa√≠da n√£o existe somente para os(as) que renegam (consciente ou inconscientemente) o que sentem, mas para todos n√≥s, porque ningu√©m tem todas as respostas. Estamos sempre em processo... Sempre!!! Al√©m disso, estamos vulner√°veis a reca√≠das e enganos, o que nos coloca na posi√ß√£o de ‚Äúeternos(as) aprendizes‚ÄĚ.

Isso significa que todo mundo que est√° vivo, inevitavelmente est√£o expostos(as) aos sentimentos dif√≠ceis: saudade, tristeza, desespero, sensa√ß√£o de abandono, ci√ļme, inseguran√ßa, ansiedade, solid√£o, etc.; assim como tamb√©m est√£o sujeitos(as0 √†s maravilhosas surpresas da vida, √† possibilidade de superar os momentos mais dolorosos e a experimentar ocasi√Ķes imperd√≠veis. Por isso, admitir que voc√™ possa estar enganado(a) na forma com que vem agindo por causa do que sente (ou do que n√£o tem se permitido sentir) √© uma √≥tima demonstra√ß√£o de intelig√™ncia emocional, j√° que as rela√ß√Ķes que voc√™ vive devem servir justamente para isso: para apontar uma chance de se tornar mais integrado(a), coerente e humano. E o que seria o amor sen√£o o exerc√≠cio de nossa mais imperfeita e, ao mesmo tempo, t√£o fant√°stica humanidade do modo mais expl√≠cito e verdadeiro poss√≠vel???


Continuo com novo tema na semana que vem,

Boa Semana


Vinícius Dottaviano
Doutorando em Psicologia da Arte (Unicamp), Mestrado em Artes e Educação (Unicamp), Pós-Graduação em Psicoterapia Cognitiva/Comportamental (UNIAnchieta de Jundiaí), Bacharelando em Direito pela Faculdade Padre Anchieta de Jundiaí/SP, Licenciado em Psicologia pela Faculdade Padre Anchieta de Jundiaí/SP, Licenciado em Dança e Artes Corporais (Unicamp) e Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUCC.
Email: viniciuspsique@hotmail.com




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