Filhos usam drogas porque os pais tomam remédios?

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Pode ser que você esteja estranhando a minha pergunta, mas mais estranhas costumam ser as respostas para tal indagação. Tenho lido inúmeros textos de profissionais da área da saúde que relacionam a dependência química dos filhos à dependência química dos pais. Uns usando entorpecentes outros usando medicamentos. Até entendo a comparação, mas fico aborrecida pela forma como os estudiosos arrumam um jeitinho de jogar a culpa de quase tudo o que acontece na vida dos filhos nas costas dos pais. Então, vamos estabelecer alguns exemplos relacionados a essa teoria: “Pedro toma pinga porque seu pai toma suco”; “Márcia fuma maconha porque sua mãe fuma cigarro”; “Antônio furta o mercado da esquina porque seus pais fazem as compras lá”. Qual a correlação?

Bem, Pedro bebe e o pai dele também. Márcia fuma e a mãe dela também. Antônio pega coisas no mercado da esquina e os pais dele também. Só que existe algo que diferencia a conduta de uns e outros. Vamos esclarecer isso. Se seguissem o exemplo que tiveram em casa, Pedro provavelmente seria abstêmio; Márcia fumaria cigarros, e Antônio pagaria pelas coisas que adquire. No entanto, não é isso que ocorre. Agora, diante dessas colocações iniciais, eu lhe pergunto: Será mesmo que os filhos usam drogas porque seus pais consomem calmantes ou remédios para dormir? É fácil colocar a culpa do que acontece com os filhos nos pais. Atendo diariamente mães que possuem adolescentes em conflito com a lei. Em pelo menos cinqüenta por cento dos casos tanto a mãe quanto o pai nunca entraram numa delegacia de polícia. Daí a mãe chora e pergunta: - Onde foi que eu errei? Sempre fui uma pessoa honesta!

A coisa está clara, mas por conta do que muitos estudiosos do comportamento dizem acaba ficando complicada. Quem cometeu o delito, a mãe ou o filho? Guardadas sempre as exceções, por que os pais são tidos como culpados pelos erros dos filhos que atualmente tem acesso a um sem número de informações já desde bebês? Será que eles não sabem que roubar é errado? Não percebem que usar drogas lhes faz mal? Desconhecem como alguém pode ter um bebê ou contrair uma doença venérea?

Voltando para nossa indagação inicial: - Será que José usa crack porque seu pai toma Rivotril? Muitos estudiosos dizem que sim. Eu digo que não! Concordar com os estudiosos seria negar que existe algo chamado curiosidade, pressão grupal, sedução da mídia, e o próprio prazer experimentado pelo usuário. Além disso, quem compra um medicamento lícito tem conduta diversa daquele que compra uma droga ilícita, e isso precisa ficar claro.

Assim pais, não se sintam culpados se acontecer de seus filhos experimentarem drogas. Movam-se, isso sim, pois corremos contra o tempo. Num mundo como o de hoje é esperado que os erros sejam maiores, pois apenas as condutas inadequadas ganham os noticiários, praticamente incentivando novos delitos. O bem quase não ganha holofotes! Não se culpem; não se penalizem mais do que já estão sofrendo pelo vício de seus filhos. Busquem tratamento para eles; façam isso, pois não conseguirão fazê-lo por si mesmos. Permaneçam próximos. Orem a Deus que tudo pode, e confiem esperando o melhor. Não há mal que sempre dure!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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