A necessidade de valorização e reconhecimento

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Por esses dias estava refletindo sobre o avanço da criminalidade, o uso exagerado de álcool e drogas, o aumento no emprego da violência para solução dos conflitos. Sem dúvida parecemos experimentar uma volta ao tempo em que se usava mais o instinto que a razão. Por quê? O que tem levado a humanidade a esse retrocesso moral? O que leva pessoas civilizadas a se relacionarem como animais irracionais? Além dos inúmeros fatores já elencados e conhecidos, arrisco um palpite: a carência. Os seres humanos estão carentes de valorização e reconhecimento. A ideologia capitalista nos transformou em mercadorias, desprovidas se sentimentos e sensações, pois precisa de consumidores para sobreviver.

Para vender cremes de beleza nos fez acreditar na feiúra. Para vender felicidade nos fez infelizes. Para criar consumidores vorazes minimizou o valor de tudo o que somos. Instaurou-se a sensação de carência generalizada. Precisamos ter para sermos felizes. Ter o carro, o celular, o computador, a televisão de plasma, as várias roupas e calçados. Se não temos tudo isso, não valemos nada, não temos valor algum. E se não temos nada, ficamos com muita raiva de quem tem. Tomamos à força o que a vida não nos deu. E se temos tudo, impressionantemente não ficamos satisfeitos, queremos mais. Nada parece aplacar a fúria do nosso vazio existencial.

A necessidade de amor e aceitação é imperiosa. E ai de quem não nos amar. Ficamos tão irados com a desatenção que preferimos assassinar quem que se recusa a reatar o convívio. Estamos demasiado carentes. A busca por momentos prazerosos é quase que involuntária. Bebemos, e isso nos faz esquecer pequenos e grandes aborrecimentos. Usamos substâncias entorpecentes e experimentamos sensações de prazer que nos gratificam por alguns momentos. Queremos ser felizes ainda que seja por pouco tempo. Já que nada temos, e não possuímos valor algum pelo que somos, vamos esquecer que somos gente por instantes.

Para que bebemos, usamos drogas, furtamos ou agredimos, senão para desfrutarmos de sensações prazerosas que subtraímos de nós mesmos? Subtraímos a importância de nosso “ser” e convencionamos que seria melhor “ter”. No entanto, frente à ganância humana não há como todos terem o suficiente. Alguém sempre fica sem nada. Partilhar implica ver o outro como semelhante, e digno do igual direito de ser feliz. Se atentarmos para isso, teremos a chance de diminuir a criminalidade e o consumo de álcool e drogas. As pessoas não podem continuar sendo aquilatadas pelo que possuem ao invés do que pelo que são. Se insistirmos em valorizar os demais pelo que possuem e não pelo que são, muitas mortes ainda vão acontecer em busca da valorização e do reconhecimento.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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