A difícil arte de relacionar-se

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Cada dia vem se tornando mais dif√≠cil relacionarmo-nos com as pessoas, principalmente as pr√≥ximas, aquelas que se sentem no direito, e tamb√©m na obriga√ß√£o, de darem seus palpites em rela√ß√£o √† nossa vida. Ouvir, √†s vezes, j√° √© suficientemente duro. Colocar em pr√°tica tais conselhos, humanamente imposs√≠vel em muitas circunst√Ęncias, pois as pessoas s√£o diferentes, e o que √© bom para mim pode n√£o ser para voc√™. Mesmo assim, falta respeito pelo posicionamento do outro, falta aceita√ß√£o. Algumas pessoas vivem querendo impor seu ponto de vista e, sinceramente n√£o se importam se magoam algu√©m. Isso ocorre muito entre pais e filhos, c√īnjuges, namorados, amigos √≠ntimos...

Um julga estar sempre certo e tenta impor seu modo de pensar e estilo de vida ao outro, por vezes, diminuindo-o, humilhando-o, como se somente a sua forma de pensar fosse correta. Em contrapartida, há os que resistem ao diálogo e assistem comodamente o desenrolar dos acontecimentos escondidos sob seu silêncio indiferente. Importa apenas o seu mundo interior, seus próprios pensamentos e seu conforto emocional.

Ambos os lados da mesma moeda refletem formas de relacionar-se erroneamente. De um lado aquele que somente quer impor, de outro lado aquele que, em seu silêncio indiferente, manipula a situação relacional como bem entende. As pessoas passam a ser joguetes e seus sentimentos são pisoteados como se não existissem. Quem atravessa a situação de existir e não ser notado sabe bem do que estou falando, assim como aqueles que não têm um minuto sequer de sossego, porque seu capataz volta e meia vem verificar se tudo está como ele queria.

√Č gente, relacionamento humano n√£o √© f√°cil. Relacionar-se √© uma arte e devemos aprender a ceder na medida certa. Se abaixamos demais mostramos os fundilhos. Se teimamos em n√£o abrir m√£o dos nossos posicionamentos precipitamos a derrocada, pois ningu√©m cede eternamente.

O que precisamos saber √© que cansa muito ser ignorado ou monitorado constantemente. Ambas as situa√ß√Ķes v√£o, pouco a pouco, acabando com qualquer sentimento gostoso que a gente queira alimentar. Um casamento, uma amizade, um namoro, uma fam√≠lia bem estruturada n√£o podem ser conseguidos somente com a boa inten√ß√£o de uma pessoa. J√° diz o ditado: ‚ÄúUma andorinha n√£o faz ver√£o‚ÄĚ. O pr√≥prio Jesus falou: ‚ÄúOnde dois ou tr√™s est√£o reunidos em meu nome, a√≠ estou no meio deles‚ÄĚ (Mt 18, 20). Ora, deu pra entender? Um s√≥ n√£o segura casamento, namoro, amizade, fam√≠lia... Chega uma hora que cansa.

Recebi um texto muito interessante de uma amiga esses dias. A pessoa segurava um copo com √°gua e perguntava √† plateia se isso era algo dif√≠cil. Aparentemente, a resposta √© simples, pois √© bem f√°cil segurar um copo d‚Äô√°gua. Mas, exatamente a√≠, a pessoa completa: depende do tempo que o tivermos de segurar. Nossas situa√ß√Ķes relacionais esbarram na mesma explica√ß√£o. Se tivermos de ‚Äúsegurar as pontas‚ÄĚ de uma rela√ß√£o por alguns dias, meses, anos talvez... Mas, √† medida que esse tempo vai se acumulando nossas m√£os v√£o enfraquecendo, e o que era apenas um copo d‚Äô√°gua assume a propor√ß√£o de um iceberg. Vamos pedir a Deus que isso sinceramente n√£o aconte√ßa conosco.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Ja√ļ/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeir√£o Preto e em Direito pela Institui√ß√£o Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educa√ß√£o pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psic√≥loga Judici√°ria no F√≥rum da Comarca de Ja√ļ. Profissional Especialista em Psicologia Cl√≠nica e em Psicologia Jur√≠dica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperan√ßa (Ed.Santu√°rio), Temas do Cotidiano (Ed.Santu√°rio), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangeliza√ß√£o da Par√≥quia de S√£o Jo√£o Batista em Ja√ļ (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Regi√£o (Ara√ßatuba ‚Äď SP) e O Lutador (Belo Horizonte ‚Äď MG), al√©m da Revista O Mensageiro de Santo Ant√īnio (Santo Andr√© ‚Äď SP), e Fam√≠lia Crist√£ Online (S√£o Paulo ‚Äď SP).
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