Deficiência

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- Bom tarde, senhor diretor. Matriculei meu filho em sua escola e, portanto, deixo-o a seus cuidados...

- Muito obrigado. O senhor pode ficar tranqüilo. Nossa equipe docente tudo fará para bem educar o Renato e, na medida do possível sanar suas deficiências...

- Deficiências? Creio que está havendo um equívoco senhor Diretor. Meu filho não possui qualquer deficiência. Ao contrário, é aluno brilhante e na escola de onde vem sempre tirava as maiores notas...

- Desculpe-me, doutor. Em momento algum pretendi ser rude. Sei que seu filho vem de boa escola e que lá era excelente aluno. Quando falei em sanar algumas de suas deficiências, falava entre outras de ensinar-lhe a leitura em Braile...

- Agora vejo realmente que o senhor se engana. Meu filho não é deficiente visual, não há porque lhe ensinar a leitura em Braile...

- Por favor, não se exalte. É que em nossa escola todos os alunos lêem em Braile e nenhum deles é deficiente auditivo. Como o sentido do tato estimula áreas de percepção cerebral, praticamos o Braile e o fazemos porque dessa forma estamos trabalhando a atenção e a criatividade. E, por falar nisso, na escola de onde vem seu filho, o senhor sabe se alguma vez sua atenção recebeu cuidados específicos?

- Atenção? Não estou entendendo. O senhor está afirmando que nesta escola se ensina a atenção?

- Ensinar, em verdade não ensinamos; mas desenvolvemos um projeto de estimulação sensorial e através do mesmo cuidamos da atenção e da concentração de nossos alunos. O senhor não imagina como é sensível o progresso e como os alunos em relativamente pouco tempo desenvolvem práticas expressivas de atenção e de concentração que interfere de forma extremamente positiva em seu rendimento escolar. Além disso, estamos empenhados em desenvolver um projeto de estimulação das memórias e fazer com que as mesmas sejam usadas significativamente por nossos alunos para de maneira mais sábia, melhor reter o que aprenderam...

- Mas, espera lá. Com esses projetos todos, a sua escola não está roubando tempo precioso de permanência do aluno na escola e assim ensinando menos matemática e língua portuguesa, ciências e língua estrangeira?

- Claro que não. Não negligenciamos a informação, mas nossa meta é sempre transformá-la em conhecimento e para isso estímulos sensoriais, projetos de ativação da motivação, memória e atenção são sempre muito úteis. Por essa razão, nossos professores ensinam os alunos a enxergar, pois existe imensa distância entre o ver e o olhar e não esquecemos de ensiná-lo a falar e não apenas a dizer, ajudá-lo progressivamente a escutar e não apenas ouvir...

- Bem, senhor Diretor, agradeço sua gentileza e disponho-me em outro momento, com mais tempo mais aprender sobre sua escola. Agradeço sua atenção e imploro para que, efetivamente, a atuação de sua equipe ajude o Felipe a atenuar suas deficiências. Até logo.


Celso Antunes
Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo, Mestre em Ciências Humanas e Especialista em Inteligência e Cognição; Membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (UNESCO); Embajador de la Educacion – Organización de Estados Americanos; colaborador emérito do Exército Brasileiro; sócio fundador do Todos pela Educação - Sociedade Civil que reúne lideranças sociais, representantes da iniciativa privada e educadores; autor de cerca de 180 livros e consultor de diversas revistas especializadas em Ensino e Aprendizagem; ministrou palestras e cursos em todos os estados do país, mais de 500 municípios; ministrou palestras e cursos na Argentina, Uruguai, Peru, México e outros países.
Email: celso@celsoantunes.com.br
Site: www.celsoantunes.com.br




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