Quinze anos

Compartilhar no Facebook

Enviar por email Imprimir este artigo
Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

Dia onze de março passado meu filho comemorou quinze anos de vida. Puxa; como o tempo passou... Olho para ele e não consigo imaginar que, um dia, esteve dentro da minha barriga esse homenzarrão que vejo hoje. Procurei lhe ensinar o que achava certo, crente que sabia muito mais que ele, mas me surpreendi com tudo o que me fez aprender. A maternidade é uma escola e tanto para as mulheres. Não é fácil, não é mesmo, porém ensina muito. No meu caso, conferiu paciência. Eu sempre fui uma criança, uma adolescente e uma jovem bastante impaciente. Provavelmente em função da forma como fui educada, tendo pais que procuraram satisfazer os meus desejos para me ver feliz. Se por um lado é bom, também é ruim, pois a vida não costuma atender nossos desejos de imediato, e corremos o risco de ficar mal acostumados. Pois é, certamente estava mal acostumada e, quando me tornei mãe, meu mundo ruiu. Nada acontecia como eu desejava. Tive de aprender a lidar com todos os desconfortos que uma criança recém-nascida representa na vida de sua mãe. Meu filho acordava cinco vezes por noite, e isso perdurou até o quinto mês de vida. Obviamente, eu não conseguia dormir de modo algum. Isso quase me rendeu alucinações. Fiquei exausta e depressiva. Sentia-me desamparada para encarar o desafio de ser uma boa mãe, e me sentia como meia pessoa.

Meia pessoa porque já não me sentia inteira em sentido algum. Extremamente cansada, tive de acompanhar a morte daquela jovem mimada que tinha seus desejos satisfeitos quase que imediatamente, e me sujeitar ao nascimento daquela mãe, que se sentia insegura, fraca e desamparada. Confesso, foi horrível! Sofri tremendamente, e cheguei aos limites da minha resistência física e emocional. Nunca pensei que a maternidade pudesse violentar tanto alguém, e produzir transformações tão profundas numa mulher. Aquela menina; aquela jovem; simplesmente desapareceram no meio de tantas atribuições, fraldas, mamadeiras, trabalho. Minha vida havia mudado para sempre. Aprendi a suportar mais responsabilidade, mais cansaço, mais barulho, mais “nãos” da vida. Aprendi que não era nada do que pensava ser, e que, por algum tempo, realmente não sabia mais quem eu era, de tão ocupada com os cuidados do bebê.

Graças a Deus, a capacidade de adaptação do ser humano é maravilhosa! Depois de algum tempo, eu me reconheci mais amadurecida, mais completa. Aquela meia pessoa havia se transformado numa pessoa inteira e, muito mais paciente que antes. A maternidade também me fez descobrir um amor que não
conhecia. O amor que dói na alma. O amor que precisa se calar enquanto segura as mãos do filho sobre a maca do hospital com os dois pés queimados na fogueira, gritando de dor. O amor que precisa se controlar ao ver o filho chegar em casa da rua, completamente ensanguentado, e com diversos dentes quebrados devido a uma queda de bicicleta. O amor que sofre com a reprovação escolar, ciente de que não havia condições de o filho ser promovido. O amor que passa a noite em claro porque é tarde, e ele ainda não voltou daquele passeio.

Enfim, só eu sei o que esses quinze anos significaram para mim. Quinze anos de transformações, que continuam, pois a vida continua, e enquanto ela segue a gente muda e se aprimora. Obrigada meu filho, por tudo o que você me ensinou e continua me ensinando. Certamente, eu seria menos gente se não existisse você!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
Email: contato@mariaregina.com.br
Site: www.mariaregina.com.br




Mais textos deste colunista:
Tolerar; até quando?
Sofrimento: prova de Deus ou armadilha do diabo?
A alegria e o prazer
O tempo de Deus
A mudança que dói
Dia Internacional da Mulher
Proteção de Deus
O mal versus o bem
Adeus ano velho, feliz ano novo
Nasce uma esperança
Eu sinto isso
Aumento dos casos de estupros no Brasil
Finados
Criança – Sujeito de direitos
Relacionamentos que fazem sofrer
O sucesso
Quando um amor se vai...
A onda de violência
Mude o Brasil, mas comece por você!
Dia dos namorados
A dura carga da mulher
Mulher-Mãe
A importância da autoestima
Pais que exigem demais
Um dia de prostração
A intolerância
Páscoa
Em nome do amor
Os grandes golpes da vida
A mulher e suas muitas faces
Família
O papa coragem
A importância de viver cada dia
Trabalho infantil
Prestígio
Maternidade tardia
Mudança de olhar
Feliz Natal!
Preparai o caminho...
O que é o livre-arbítrio?
O fim do casamento
A pregação da Palavra
Doutrinas
Escrevendo sobre o óbvio
A afeição dos animais
Quaresma – Tempo de mudança
Presente de aniversário
O sexo pelo sexo
A era das pseudoatitudes
Correndo contra o tempo
Uma reflexão sobre o relato de Viktor Frankl
Um grande amor
Lei da palmada
Conto de Natal*
Abaixo o isolamento
A difícil arte de relacionar-se
A necessidade de valorização e reconhecimento
Autoestima e limites
Dia dos professores
Sem explicação
Luz na Prisão
Sonhos nem sempre são como parecem
O excesso é ruim
Oito ou oitenta
O necessário preparo
O ciclo da vida
O mito da felicidade
O ciúme
Namorados: amai-vos
O direito de discordar
Azedo x Doce
Vinde Espírito Santo
Abaixo o Kit Gay
Paixão de Cristo
A idade aprimora ou piora
A criação geme em dores de parto
Mulheres
Mais um carnaval
Capacitar-se é preciso
Será que estamos sendo roubados?
Pensamentos tormentosos
Editora Santuário – 110 anos escrevendo e fazendo história!
O segredo é soltar devagar
Pecador tem jeito
Agradecimentos
Logo é Natal
Faça a sua parte
Quarenta e cinco anos
Deus sabe
Crise de autoridade
O amor precisa ser cultivado
O transtorno de deficit de atenção e hiperatividade e os superdiagnósticos
Arrogância x humildade
Adultos mimados
Belas palavras
A porta estreita
Família - Formadora de valores humanos e cristãos
Buscando um nome - encontrou um pai
Ainda não foi desta vez
Amizade
Somos especiais
A oração e o livramento
Autocomiseração
A complexidade que exclui
A vida mutilada
Adeus professora
Violência sexual face à crianças
A dor da decepção
Mamãe - superlativo da palavra amor!
Mãe
Quem segura o leme da “Barca de Pedro”?
Agradecer faz parte
Estações da vida
Páscoa - Amor incondicional
Arrependimento e perdão
Frustração no relacionamento entre pais e filhos
Saudade
Mulher
Espiritualidade da Quaresma – A Lição do Cata-Vento
Pai amigo
Preparação para o casamento
Máscaras
Postura faz diferença
Palavras
Filhos usam drogas porque os pais tomam remédios?
Zilda Arns: A vida de uma guerreira
Delicadeza x grosseria

COMENTE ESTE ARTIGO:
Nome:
Email:

(0 / 255)
O tamanho máximo do comentário é de 255 caracteres.
Atenção!
Você irá receber um email para confirmar seu comentário para que o mesmo seja publicado nesta página, portanto o campo Email é de preenchimento obrigatório e, ao enviar, você assume a responsabilidade pelas suas palavras inseridas neste comentário.
*NOTA : o JornalRMC abre esse espaço para que nossos colunistas exponham, de forma voluntária, seus pontos de vista sobre os assuntos em que são especialistas. Dessa forma, as opiniões apresentadas são de única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, não refletindo necessariamente a opinião do portal e de seus editores.

 
SOS Impressoras
Rádio Novo Tempo Campinas
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

.: Acessos: 7.164.391 :. | .: desde Agosto/2007 :. | .: contato: imprensa@jornalrmc.com.br :. | .: desenvolvido por: LINDEMUTH Comunicação :.