Escrevendo sobre o óbvio

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Esta semana, reconheço, escrevo sobre o óbvio. Estranhamente, no entanto, nem sempre conseguimos constatá-lo. Algumas coisas são certas na vida já desde o momento em que nascemos. Talvez a maior dessas constatações seja que, um dia, vamos morrer. Sabemos disso, mas não pensamos sobre isso da
forma como deveríamos. Olhamos para a morte sempre com medo, como se ela fosse uma intrusa em nossa vida. E, como ficamos com medo, procuramos nem pensar sobre o que ela tem para nos ensinar. Vou dividir com vocês algumas reflexões que andei fazendo sobre o tema.

Admito que aguardo com ansiedade a minha aposentadoria. Ainda demora, mas é vista por mim como a possibilidade de ter uma vida um pouco mais tranquila e diferente daquela que estou tendo, por trabalhar excessivamente e me sentir cansada de tantos afazeres. Nesses meus devaneios, fiz as contas, e cheguei à conclusão que poderia me aposentar em torno dos cinquenta e cinco anos. Num primeiro momento, tive vontade de chorar. Faltavam ainda vários anos e eu gostaria que acontecesse logo. Compreendam como realmente estava me sentindo cansada. Depois, recobrei a calma e me resignei com a situação, imaginando que o tempo passaria rápido, como acontece logo que completamos dezoito anos de idade.

Ocorre que, nas últimas semanas, fui surpreendida com algumas notícias tristes. Quatro falecimentos. A tia de uma amiga, com sessenta anos. O irmão de um amigo, com cinquenta e quatro anos. A irmã de uma amiga da minha mãe, com cinquenta e seis anos. E um amigo, com cinquenta e dois
anos. Sinceramente, perdi o chão. Eu fazia planos, pensando na minha aposentadoria, quando constatei que poderia nem chegar a me aposentar. Entrei em estado de choque. Meu Deus, socorro! Corri para a casa da mamãe, com quase setenta e cinco, que procurava me tranquilizar dizendo para eu não ser tão pessimista. Lógico que a corrigi, esclarecendo que estava sendo realista e não pessimista. Pois, quem poderia me assegurar que eu não iria “abotoar o paletó” antes da aposentadoria?

Apesar do susto que levei, posso dizer a vocês que foi muito bom. Momento de aprendizado. Veio para reforçar a ideia de que devemos viver o presente, o hoje, pois é tudo o que realmente temos. Que adianta fazer planos para daqui dez anos, se nem sabemos se chegaremos lá. Entendam, não
estou querendo ser fatalista, apenas levar a reflexão do óbvio. Se você tem de perdoar o seu irmão, que seja hoje! Se você pensa em abraçar o seu filho e lhe dizer o quanto o ama, que seja hoje! Se você quer conhecer novos lugares, comer o seu doce preferido, afrouxar o nó da gravata, que seja hoje! Porque o amanhã pode não chegar para alguns de nós. E isso não é necessariamente ruim, é natural. Previsto desde quando nascemos. Só que a gente procura não pensar, pois o medo nos paralisa. Ok! Não precisamos pensar tanto. Mas, que tal mudarmos a nossa postura quanto a como viver o hoje? Por que empurrarmos a felicidade para amanhã, se podemos escolher ser felizes agora mesmo? Confesso que já mudei os meus planos. Estou vivendo hoje!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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Site: www.mariaregina.com.br




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