M√°scaras

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Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

Carnaval... Adereços, samba no pé. Muitos preparam a fantasia pra cair na folia. Alguns dias de vibração e euforia. Confete, serpentina, agitação. Desejo uma boa festa para aqueles que gostam desse tipo de manifestação. Eu não gosto, mas respeito a opção de cada um. Providencio a fantasia da minha filha com carinho e procuro estimular o lado sadio dos festejos de Momo, embora eu mesma só me sinta segura porque sei que ela vai brincar apenas na escola e com o pessoal de sua idade. Encontro um bom motivo para a reflexão. Já que estamos no carnaval, vamos falar um pouquinho sobre máscaras.

Dias atrás atendi duas gestantes. Ambas desejavam entregar os recém nascidos para a adoção. Tanto uma como a outra já possuíam filhos. A primeira me procurou abatida, dizendo que a gravidez lhe havia surpreendido e que não sentia o bebê como sendo seu; não tinha por ele afeição e dessa forma acreditava que estaria melhor junto de alguém que pudesse realmente amá-lo. Ela não conseguia explicar exatamente porque não havia se envolvido afetivamente com a criança durante a gestação, mas sabia que isso era fato, então abria mão de seu poder familiar em relação a ela, desejando-lhe boa sorte junto de outra mãe. Ela não chorou nem sorriu, apenas fez o que seu coração pediu que fizesse.

A segunda gestante chegou toda arrumada e dizia estar tomando uma decis√£o muito dif√≠cil. Afirmava estar carregando um peso enorme em fun√ß√£o da culpa que j√° sentia por entregar o seu beb√™. Derramou l√°grimas e ficou em posi√ß√£o pensativa por v√°rios minutos, afirmando in√ļmeras vezes que, embora fosse dif√≠cil, isso era o melhor a ser feito pela crian√ßa. No passado havia abortado outro beb√™. Como evocava o arrependimento lhe foi dada a op√ß√£o de retomar a crian√ßa, o que ela prontamente recusou. Chorando, fez o que julgou ser mais conveniente.

Quem voc√™s imaginam que estava usando m√°scara? A m√£e que afirmou desejar entregar seu beb√™ para a ado√ß√£o porque n√£o lhe tinha afei√ß√£o ou aquela que chorava e dizia se sentir culpada e arrependida, embora tenha se recusado a voltar atr√°s quando lhe foi oferecida a chance de retomar seu beb√™? Obviamente, n√£o podemos nos deixar guiar apenas pelas apar√™ncias e l√°grimas. √Č por isso que a Palavra diz que Deus sonda as inten√ß√Ķes. Em √©poca de carnaval, usar m√°scaras √© comum. Na vida, por incr√≠vel que pare√ßa, tamb√©m.

A primeira gestante saiu de cara limpa, reconhecendo a sua incapacidade de amar aquele bebê. A segunda, no entanto, mesmo com sua choradeira queria apenas passar por abnegada quando na realidade agia com intenção egoísta, buscando se favorecer, como havia feito anos atrás procedendo ao aborto. A entrega não estava sendo realizada com a finalidade de beneficiar o bebê, e sim a si mesma. A máscara caiu quando lhe ofereci a criança de volta e recusou. Doeu para ela perceber que não conseguiu convencer acerca de seus bons propósitos em relação ao bebê, no entanto, o intuito foi lhe proporcionar a reflexão e o amadurecimento, pois é bem provável que um dia lhe restem contas a ajustar.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Ja√ļ/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeir√£o Preto e em Direito pela Institui√ß√£o Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educa√ß√£o pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psic√≥loga Judici√°ria no F√≥rum da Comarca de Ja√ļ. Profissional Especialista em Psicologia Cl√≠nica e em Psicologia Jur√≠dica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperan√ßa (Ed.Santu√°rio), Temas do Cotidiano (Ed.Santu√°rio), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangeliza√ß√£o da Par√≥quia de S√£o Jo√£o Batista em Ja√ļ (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Regi√£o (Ara√ßatuba ‚Äď SP) e O Lutador (Belo Horizonte ‚Äď MG), al√©m da Revista O Mensageiro de Santo Ant√īnio (Santo Andr√© ‚Äď SP), e Fam√≠lia Crist√£ Online (S√£o Paulo ‚Äď SP).
Email: contato@mariaregina.com.br
Site: www.mariaregina.com.br




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