O que é o livre-arbítrio?

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Por esses dias fui convidada para proferir uma palestra a um grupo de terapia ocupacional que se re√ļne num dos postos de sa√ļde da minha cidade natal. O convite surgiu porque o grupo havia trabalhado um de meus livros, ‚ÄúTemas do Cotidiano ‚Äď Sentimentos e Atitudes‚ÄĚ, em suas reuni√Ķes semanais. Fiquei muito feliz em poder partilhar um pouco sobre as minhas viv√™ncias como psic√≥loga e escritora. O grupo, bastante heterog√™neo, √© composto por mulheres, e acolhe tanto pessoas com necessidades especiais quanto as que se restabelecem de problemas de sa√ļde.

Fui recebida de modo festivo e todas queriam tirar fotos comigo, fazendo com que eu me sentisse uma verdadeira celebridade. Ao final da reuni√£o, uma mocinha com S√≠ndrome de Down veio me presentear com um vasinho de flores e um cart√£o de Natal. Ela se mostrava alegre por fazer parte do grupo e aprender a pintar toalhas de banho. Dividiu comigo sua satisfa√ß√£o em contribuir com a confec√ß√£o de lembrancinhas para a crian√ßa da qual seria madrinha. Esclareceu que levaria um m√™s para aprontar todos os mimos, calculando o tempo empenhado no trabalho. Sinceramente, fiquei emocionada. Aquela jovem, com suas dificuldades, estava empregando seu tempo para agradar a algu√©m. ‚ÄúEu sou uma boa madrinha‚ÄĚ, disse. Sim; certamente ela √© uma ador√°vel madrinha!

Nesse mesmo dia, logo ao acordar, eu havia me deparado com a manchete do jornal noticiando a prisão de mais de sessenta policiais militares acusados de corrupção no Rio de Janeiro. Entre os crimes, a cobrança de propinas dos traficantes para permitir a livre ação do tráfico de drogas. Lamentável! A PM tem razão em não mais aceitar ser humilhada pela ação de policiais corruptos que mancham a reputação da corporação com seus desvios de conduta.

Duas a√ß√Ķes diferentes numa mesma √©poca. De um lado uma garota com Down, enfrentando todas as dificuldades inerentes √† sua s√≠ndrome, empregando seu tempo e seu talento de modo construtivo e amoroso, visando √† felicidade de outrem. De outro lado policiais corruptos denegrindo o nome de sua corpora√ß√£o, envergonhando seus colegas, recebendo propinas, fazendo vista grossa ao tr√°fico de entorpecentes que ceifa a vida de centenas de pessoas e compromete a harmonia de fam√≠lias inteiras. Eis aqui um bom exemplo de exerc√≠cio do livre-arb√≠trio!

A cada dia que surge temos a opção de fazer o bem ou o mal tanto nas pequenas coisas quanto nas grandes. Esse é o verdadeiro livre-arbítrio que Deus nos deu. Escolha. A quem você deseja servir? Mesmo pessoas limitadas em suas capacidades podem nos dar exemplos de bondade, dedicação, empenho... enquanto outras, mais graduadas, podem pisar em nossos valores mais caros e destruir nossos sonhos. Quem é digno de sua admiração? Faça sua escolha. Afinal, temos assegurado o livre-arbítrio!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Ja√ļ/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeir√£o Preto e em Direito pela Institui√ß√£o Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educa√ß√£o pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psic√≥loga Judici√°ria no F√≥rum da Comarca de Ja√ļ. Profissional Especialista em Psicologia Cl√≠nica e em Psicologia Jur√≠dica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperan√ßa (Ed.Santu√°rio), Temas do Cotidiano (Ed.Santu√°rio), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangeliza√ß√£o da Par√≥quia de S√£o Jo√£o Batista em Ja√ļ (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Regi√£o (Ara√ßatuba ‚Äď SP) e O Lutador (Belo Horizonte ‚Äď MG), al√©m da Revista O Mensageiro de Santo Ant√īnio (Santo Andr√© ‚Äď SP), e Fam√≠lia Crist√£ Online (S√£o Paulo ‚Äď SP).
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