Trabalho infantil

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Sou a favor do trabalho infantil! Antes de me apedrejar, por favor, procure entender minha argumentação. Lógico que precisamos levar em conta qual o tipo de trabalho que a criança ou adolescente irá exercer. Não sou favorável a trabalhos forçados nem minas de carvão, muito menos pedreiras ou lavouras de cana de açúcar. Esses ofícios costumam ser desumanos até para adultos. Penso é que crianças e adolescentes ociosos correm o sério risco de enveredar para o crime, as drogas, os vícios e manias como videogames, fliperamas, internet, entre outros. Conheço inúmeras crianças e adolescentes viciados nesses jogos eletrônicos. Passar horas a fio em frente a um computador pode. Auxiliar em algumas tarefas domésticas ou remuneradas não pode. Algo está errado.

Se as crianças ou adolescentes tiverem um tempo para estudar e brincar, que mal há em exercerem alguma atividade laborativa? É uma forma de se manterem afastados da rua e das más companhias. É um meio de entrarem em contato com o exercício de sua cidadania. Ou será que só nos interessa os reconhecermos graduados em sexo e banalidades?

Você percebeu quantas meninas passaram a engravidar aos 13, 14 e 15 anos ultimamente? Reparou quantas crianças de 08, 09 e 10 anos já experimentaram maconha, cola de sapateiro, álcool e crack? Será que pequenos ofícios contribuiriam para minimizar essas ocorrências? Não seriam uma forma de manter crianças e adolescentes ocupados com tarefas edificantes e construtivas? Óbvio que alguns cursos de línguas, arte, artesanato, música... também servem para suprir esse tempo ocioso; entretanto, não podemos fechar os olhos diante das dificuldades enfrentadas por algumas famílias onde, muitas vezes, falta o básico para criar uma série de filhos. Que mal há em se trabalhar como empacotador ou babá nas horas vagas?

Certa vez, um amigo advogado já falecido se pronunciou a respeito desse assunto com muita propriedade, defendendo a atuação da Polícia Mirim. Ele sabia que, antigamente, as crianças trabalhavam, e muitas vezes no serviço pesado, como aconteceu com o meu esposo que aos 09 anos carregava sacas de café nas costas. Sabia também que as crianças de antigamente eram muito diferentes das de hoje, e que existia menos violência e mais respeito.

Precisamos acordar para o evidente abandono de nossos filhos, que passam horas nas ruas perambulando ou hipnotizados diante do fascínio do computador. Num cotidiano em que nossos filhos têm mais direitos que obrigações, concluo este artigo citando dois provérbios sempre atuais: “a ocasião faz o ladrão” e “o trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade”. Bom dia a todos!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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Site: www.mariaregina.com.br




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