Família

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Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

A vivência e o amadurecimento por vezes nos levam a questionar aquilo que tínhamos como certo. Graças a Deus, sou uma pessoa flexível e aberta ao novo; caso contrário, jamais poderia vir a me beneficiar com o que a vida pode me ensinar. Tenho mudado o meu conceito de família. Por muitos anos acreditei que a família deveria ser composta por pai, mãe, filhos, avós, tios, primos... Hoje não penso mais assim! Percebi que existem os componentes consanguíneo e afetivo, e que nem sempre eles coincidem na mesma pessoa. Além disso, outra coisa que descobri é que o componente afetivo costuma ser muito mais precioso e importante que o da consanguinidade.

É comum encontrarmos famílias onde imperam desavenças, desrespeito, humilhações, violência... Crianças criadas como se fossem um problema a ser resolvido. Cônjuges suportando-se mutuamente num casamento de aparência. Pais coagidos diante da tirania de seus adolescentes. Tudo isso existe e se perpetua em nome da manutenção da “família”. Resultados advêm obviamente: pessoas traumatizadas, depressivas, descrentes, amedrontadas... Tudo em prol da conservação de uma situação vista como a mais favorável, satisfatória, religiosa e socialmente adequada.

Descobri que a verdadeira família não é aquela que se mantém sob os laços da consanguinidade, mas a que se constitui através do afeto, do respeito, da afinidade, da eleição. Instituição onde deve imperar a opção não a obrigação! Pois, se os relacionamentos precisam ser assumidos de livre e espontânea vontade para serem legítimos e válidos, como fazê-los perdurar de diferente forma?

Então, compreendi que onde há pessoas que se amam e se respeitam passa a existir uma família. Não importa se estamos diante de uma mãe e seu filho, um avô e sua neta, casais, irmãos, amigos... Onde existe amor e respeito, existe uma família! E isso se dá porque o conceito de família perpassa o conceito de lar, local onde nos sentimos acolhidos e amados. Assim, você pode ter nascido numa casa e ter sido criado em outra, mas entenderá como lar aquela na qual foi acolhido com amor. Família é isso. Acolhimento. Aceitação. Amor. Se não existe isso pode até ter o nome de família, mas na realidade é outra coisa.

A obrigação de permanecer juntos empobrece a relação e priva as pessoas de crescerem. A permanência deve ser opcional, voluntária, fruto da escolha de cada membro. Obviamente não contemplo aqui a rebeldia infantojuvenil que, por vezes, leva crianças e jovens a fazerem as malas diante da menor contrariedade. Contudo, entendo que podemos ser mais equilibrados e felizes junto de pessoas que efetivamente nos amem e não apenas nos suportem. Vale pensar sobre o assunto!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
Email: contato@mariaregina.com.br
Site: www.mariaregina.com.br




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