Em nome do amor

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Em nome do amor se faz tanta coisa que não tem nenhuma relação com ele. Mente-se, mata-se, engana-se, cala-se, morre-se! Em nome do amor se vive de aparência. E lobos se comportam como cordeiros... Pessoas aparentemente boníssimas se revelam más, escondidas detrás do manto do preconceito. Em nome do amor muita gente sofre sem merecer, porque a hipocrisia ainda é maior que o amor ao próximo e a preocupação com o seu bem estar. Mas, certamente Deus está acima de tudo isso. Acima das aparências, da hipocrisia, do preconceito. Ainda bem que Deus é um Pai amoroso; revestido de amor incondicional pela criatura, ciente de seus erros e fraquezas.

Algumas pessoas dizem amar, mas judiam da pessoa amada. Tratam-na com desrespeito, desconsideração, pouco caso, humilhação, indiferença. Isso, perdoem-me, não é amor. O amor pressupõe acolhimento, afeição, não julgamento. A maior parte das pessoas ama condicionalmente, ou seja, ama apenas quando lhes convêm. Se se age de acordo com o esperado, ótimo. Mas, se se age de modo contrário, que decepção; acabou o amor!

Quantas pessoas dizem amar e, na verdade, apenas suportam o outro. Toleram para não terem de enfrentar muito mais, como a reprovação da família ou da sociedade. Quantas pessoas dizem amar e, na verdade, apenas usam esse discurso para manipular os seus e fazê-los viver sob suas ordens, obedecendo cegamente suas determinações. Isso não é amor, mas dominação, egocentrismo, tirania. Quantas pessoas afirmam “falo ou faço isso para o seu bem” quando, na verdade, pensam apenas na própria comodidade, conforto e satisfação, pouco se importando em como o outro se sente, se é feliz ou o que se passa verdadeiramente em seu interior.

Precisamos desmascarar essas pessoas que dizem amar, mas na verdade não amam coisa nenhuma. Dominam, sufocam, maltratam... Impedem a livre expressão do outro em seus anseios e sentimentos. Instalam a tirania doméstica, em que apenas um tem voz e vez, enquanto os demais são relegados a um segundo plano.

Em nome do amor pais e mães aleijam emocionalmente seus filhos, podando-lhes a chance de escolherem seus próprios caminhos, impondo-lhes a ditadura afetiva em que só recebe amor aquele que procede em conformidade com o esperado e aceito do ponto de vista familiar e social. Caso contrário, vira bode expiatório de todos os problemas domésticos e passa a ser odiado ou desprezado pelos seus.

Cônjuges também podem destruir a vida de seus companheiros, impondo-lhes rotina de humilhação e indiferença, flagrantes desrespeitos comuns em nossos dias e que minam a autoestima e a alegria das pessoas envolvidas.

Enfim, em nome do amor se faz muita coisa que em absoluto se parece ou lembra esse sentimento tão nobre. Cabe a cada um de nós estendermos olhares críticos às situações que nos rodeiam, a fim de poder identificar onde realmente existe amor ou onde existe apenas egoísmo.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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