Um dia de prostração

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Não há como fugir de certos dias escuros e sombrios em que a tristeza parece tomar conta de tudo e deixar poucas opções. A gente se sente mal, “pra baixo”, com uma melancolia que agrada e atrapalha ao mesmo tempo. Digo agrada porque, às vezes, a gente parece até gostar de estar triste. Parece ser ocasião para um contato íntimo; encontro consigo mesmo, introspecção e análise crítica de nossa postura diante dos acontecimentos. Momento de constatações e propositura de novas alternativas diante de mesmas situações vivenciadas, talvez, durante anos a fio sem qualquer perspectiva de mudança. Digo atrapalha porque, normalmente, ao entrarmos nesse turbilhão de constatações não conseguimos nos desvencilhar tão facilmente quanto pensávamos que seria possível. Às vezes, ficamos horas assim; às vezes, dias. Devemos estar atentos para que nossa prostração não evolua para a angústia ou a depressão. Tudo vai depender da ênfase que dermos a ela. Devemos nos esforçar para dosar o tempo que despendemos entristecidos. Ele não deve ultrapassar o período necessário para as constatações mais emergentes. Se você está triste há vários dias, cuidado e preste atenção, pois pode estar supervalorizando sua prostração e caminhando para a autocomiseração, tipo de coisa que não ajuda em nada.

As tristezas são necessárias e naturais na vida de qualquer pessoa, entretanto, não podem tornar-se habituais ou mesmo excessivamente “prazerosas” a ponto de desejarmos estar infelizes como forma de chamar a atenção alheia ou nos creditarmos os martírios das pessoas santificadas em épocas passadas. Perde-se muito tempo assim. Tempo precioso para gozar a vida com tudo o que ela possui de bom e agradável. Não há como reformar o mundo ou consertar tudo o que nos parece inadequado. Existem coisas que precisamos aceitar a despeito de concordarmos com elas. A morte, por exemplo. Podemos não achá-la justa, mas temos que nos curvar diante da impossibilidade de erradicá-la da história humana. Conseguimos prolongar a vida e conferir a ela maior qualidade, mas não eternizá-la materialmente. Sei que isso, às vezes, causa profunda prostração. Nem sempre vemos com bons olhos a morte de uma pessoa querida, e nem mesmo a nossa, quando refletimos acerca da nossa fragilidade. O único consolo penso, se é que existe, é saber que somos todos assim: finitos e limitados em nossa expressão física.

Costumamos compensar essa nossa limitação através do desenvolvimento de crenças num mundo espiritual, onde a vida tem continuidade e, melhor que isso, onde a vida não tem fim. Não vejo nada de errado nisso. As crenças alimentam nossas esperanças e nos encorajam a lutar pelo nosso aprimoramento interior. Se a vida eterna existe é algo que ainda não podemos provar, mas pensar assim nos conforta, e isso é muito bom. Não tenha medo! O amanhã quase sempre traz surpresas. Ninguém está preparado para a vida. Ela é a própria escola. Uma aventura imprevisível, cativante, envolvente e, por vezes, angustiante. Ora, esse é o seu temperinho. Monotonia, pra quê? A vida perde muito da sua graça quando passa a ser previsível. Ela é emocionante exatamente pelo imprevisto e, no fundo, ela é sempre imprevisível, inesperada, surpreendente.

Pare de se afligir com coisas que não tem como controlar ou prever. Solte-se. Deixe a vida seguir seu curso. Viva o momento, pois ele é tudo o que você possui; e será unicamente o que irá possuir sempre, o momento. Nossos preparativos são sempre hipóteses. Vê como a vida é aventura? Aproveite; curta a vida hoje, agora. Faça com que seu dia de prostração transforme-se num dia de graça. Isso é possível, basta você querer. Despeça-se da tristeza com um olhar agradecido, afinal, lhe ensinou muito. Ela o fez, inclusive, ler este artigo até o final. Não é tão sua inimiga assim. Existe um mundo inteiro esperando por você, basta que comece a vê-lo de forma remodelada. Muito há para ser feito. Vamos lá; arregace as mangas e mãos à obra. Não há prostração que resista ao trabalho, à disponibilidade de auxílio ao próximo e ao desejo de amar a criação. Observe isso e seja feliz!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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