Pais que exigem demais

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Alguns pais exigem demais de seus filhos. Insatisfeitos, nunca estão felizes com aquilo que podem lhes oferecer em termos de resultados. Estão sempre de olho na perfeição e procedem como severos capatazes da prole. As iniciativas dos rebentos estão sempre aquém daquilo que se espera deles. Não é costume parabenizar pelo acerto, mas sim crucificar pelo erro. Com o tempo os filhos vão desistindo de querer acertar, pois nada é o bastante para pais assim, e a frustração tem um peso difícil de suportar quando é constante. Os pais dizem que assim procedem por amor. Entretanto, será que isso é amor mesmo?

Enquanto alguns pais amargam reais sofrimentos, advindos do desafio que é educar filhos envolvidos com drogas, prostituição, criminalidade... outros se sentem infelizes ao serem simplesmente contrariados em suas expectativas. Projetam, arquitetam e manipulam a vida dos filhos para que sejam correspondentes aos seus anseios parentais, e ficam muito aborrecidos quando acontece de modo diverso. Assim, pode ser que possuam filhos vitoriosos em quase todos os sentidos, mas isso não lhes é suficiente. Não lhes basta o bom desempenho escolar, afetivo, social e financeiro; querem mais. Querem filhos perfeitos! Mas, será que pais imperfeitos podem ter filhos perfeitos?

Tais pais insatisfeitos procuram depositar nos filhos elevadas expectativas quanto à realização de sonhos e planos que eram seus, e não tiveram tempo hábil ou não conseguiram realizar na juventude. Esperam que os filhos façam isso. Então, passam a exigir deles, privando-os de viverem segundo os próprios interesses. Ainda que os filhos sejam excelentes alunos, cônjuges ou profissionais, tal passa a não ser suficiente caso se neguem a realizar o sonho frustrado dos pais. Um sonho que, diga-se de passagem, pode ser muito diferente do deles.

Às vezes, a situação é mais complexa ainda, quando a felicidade dos filhos está localizada na contramão do desejo dos pais, como quando se deseja casar com A e os pais querem que se case com B; ou se deseja a faculdade X e os pais querem que curse a faculdade Y; ou o filho deseja se separar porque está sofrendo e os pais querem que continue casado, pois consideram que o casamento é para a vida toda... Muitos são os exemplos nos quais os pais que exigem demais conseguem fazer infelizes seus filhos. E ai deles se ousarem contrariar os pais. Podem ser simplesmente banidos da família ou ignorados como se não houvessem nascido.

Tal conduta costuma causar trauma que acompanha pela vida toda, e mesmo anos de terapia ou aconselhamento psicológico podem não ser suficientes para aplacar a dor da rejeição e do abandono. O ideal seria que pessoas desprovidas de compaixão não tivessem filhos, mas infelizmente o mundo não é assim. Se você é mais uma das pessoas que passa por esse tipo de situação, não se desespere. Deus é dono de amor incondicional. Ele pode pegar você no colo, ainda que seus pais sejam incapazes de fazer isso neste momento. Confie em Deus. O verdadeiro amor não exclui, não tiraniza, não maltrata, não judia... O verdadeiro amor simplesmente ACOLHE!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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