A dura carga da mulher

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Talvez eu devesse ter escrito este artigo no dia internacional da mulher, mas na ocasião não tive inspiração. Aliás, não sei se me faltou inspiração ou indignação para escrevê-lo no mês de março. A verdade é que estou consternada com a dureza com a qual a mulher é tratada na sociedade desde que nasce. Embora em alguns casos mais veladamente, o preconceito permeia nossa existência desde o berço. Filho homem parece ser sinal de benção, enquanto que filha mulher... sabe-se lá o que pode vir a ser. Já pequenina a mulher arrebanha olhares maliciosos e desperta desejos nos homens com distúrbios na sexualidade. Antes mesmo de ingressar no ensino fundamental, passa a ser alvo da violência física e sexual. A menarca traz consigo o incômodo de sangrar todo o mês até a menopausa, isso acompanhado de cefaleias, dores abdominais, náuseas e mudanças de humor características da tensão pré-menstrual.

Espera-se tudo da mulher. Bom comportamento, boa índole, disposição para o trabalho e para a maternidade, fidelidade, organização, eficiência, romantismo, meiguice, moderação, prudência, discrição, sensualidade, obediência, resignação e fé, além de outras características que as mulheres sabem bem quais são porque também lhes são exigidas. Ora, mas que exagero; quem exige isso? A sociedade como um todo; os pais (e mães), os filhos (e filhas), os homens em geral e as próprias mulheres.

Vocês já perceberam como tudo recai nas costas das mulheres? Se houve gravidez antes do casamento a mulher não se preveniu e armou para casar; se abandonou o filho por falta de condições para criá-lo é desnaturada; se ele se envolve com drogas não soube educá-lo; se o mesmo cai no crime faltou disciplina em casa; se o marido trai é porque não lhe deu atenção; se trai o marido é porque não presta; se é abandonada pelo companheiro alguma coisa de errado fez; se pede a separação destruiu um lar... Enfim, a lista é imensa, e a culpa sempre das mulheres. As mães culpam as filhas, as filhas culpam as mães, mulheres culpam outras mulheres e ensinam seus filhos a culpá-las também. Todo o pecado do mundo recai sobre a mulher. É o preço a ser pago ao se nascer na condição feminina.

Somente quando conseguirmos entender que a mulher é gente, teremos condições de assimilar que ela também erra, peca, falha... sente raiva, medo, repulsa, solidão... comete crimes, pratica obscenidades e nem por isso é pior que o homem. Na realidade ambos são semelhantes em muitos pontos, mas a mulher é julgada com maior rigor e severidade. A mulher confere o perdão, mas quando necessita dele, este costuma lhe ser negado, principalmente por outras mulheres. Algozes de si mesmas, as mulheres carregam uma dura carga sobre os ombros, e ainda têm muito que aprender; principalmente respeitar suas limitações, deixando de aceitar imposições ou querer abraçar o mundo.


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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