Pai amigo

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Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

Sem dúvida alguma estamos enfrentando uma crise na educação dos filhos. Muitos parecem não saber de que forma impor disciplina ou como conseguir obediência. As crianças desde bem pequenas apresentam comportamentos birrentos e voluntariosos que evoluem com o passar dos anos e vão se aprimorando com o uso de um vocabulário mais bem elaborado. Fica difícil argumentar com filhos instruídos pelos seriados da televisão, principalmente os enlatados americanos, em que as crianças são quase sempre mais espertas que os pais, meros coadjuvantes necessários para compor o quadro familiar.

De um lado vemos os pais truculentos tentando impor a educação de um modo agressivo e ameaçador. De outro vemos os pais amigos que procuram conversar de igual para igual e chegar a um consenso amistoso. Há ainda os indiferentes, que nem se preocupam mesmo, pois imaginam que os filhos surgiram por “geração espontânea”, e não precisam participar do seu processo educativo, já que as crianças sabem o que fazem. Bom, penso que se quisermos listar os tipos de pais, vão surgir muitos. No entanto, não me interessa fazer isso, pois já mencionei o tipo de pai sobre o qual gostaria de escrever: o pai amigo.

Pai amigo é todo aquele que abdica do seu posto hierarquicamente superior de pai e passa para o de amigo, somente porque aparenta ser mais bonito e tem bem menos compromisso e responsabilidade. Afinal, ser pai, às vezes, é chato e dá trabalho. Pai amigo é aquele que tem uma dificuldade enorme em dizer “não”, então acaba dizendo “sim”. Ele não faz isso por mal; faz por medo de perder a afeição do filhão. Ele quer ser amado, e as crianças de hoje em dia não gostam de escutar “não”. Quando o filho diz que deseja ir a um show que o pai não acha apropriado, pai amigo concorda porque acredita que se disser não, o filho vai escondido, e aí ele nem ficará sabendo por onde o menino andou. Pai amigo nem desconfia que fazendo assim subtrai do filho a responsabilidade da escolha (obedecer ou desobedecer) e ainda divide com ele quaisquer consequências resultantes do passeio, como: bebedeira, carro batido, machucado por briga. A minha proposta é que o pai amigo reassuma o posto de pai, hierarquicamente superior, e opte por ser pai “e” amigo. Assim, ele poderá ser amoroso com seu filho, mas também será responsável por sua educação, impondo limites e falando “não” sempre que necessário.

Seria bom se eu não precisasse escrever sobre isso, mas atualmente o medo de perder o afeto dos filhos está ficando tão grande, que os pais concordam com verdadeiros absurdos somente para deixar de dizer “não” e automaticamente afastar os filhos da frustração. Olhe pai, seu filho vai se frustrar sim, pois na sociedade atual existem centenas de pais como você que deixam o filhinho fazer tudo o que deseja. Logo logo vai haver o encontro desses filhos indisciplinados e imaturos. Filhos que não aprenderam a assumir seus erros, pois sempre os dividiram com os pais amigos. Para que esperar que a correção venha de fora? Ela pode ser muito mais dolorosa que a correção amorosa no lar. Não espere seu filho se envolver em ocorrências policiais para reassumir seu posto de pai. Faça isso agora mesmo!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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