Finados

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Estamos nos aproximando do dia em que comemoramos a lembrança de nossos mortos, o dia de finados. Quando pequena, não gostava muito desse dia porque tinha medo. Medo de olhar para a possibilidade de morte. Incrível; mas mesmo sabendo que iremos um dia morrer, não gostamos de nos lembrar disso; preferimos não ter consciência dessa realidade. Cresci. Já não temo mais essa data. Observo ao longe o comércio que se estabeleceu em torno do dia de finados. Ambulantes vendem flores, lanches, refrigerantes, espetinhos... Visitar o cemitério virou passeio. É fofoca daqui e de lá. Coitados dos mortos! Não podem descansar em paz no dia deles, tamanho o barulho e a algazarra que por lá se faz. Tem gente que aproveita para paquerar enquanto leva flores nas mãos. Visitar os defuntos virou passeio e entretenimento dos bons!

É certo que alguns choram demais. Lamentam a falta daqueles que não estão mais presentes. Culpam-se por não ter-lhes dado mais atenção ou manifestado seu amor. Guardaram palavras que nunca foram ditas e que agora não há mais para quem dizer, pois a pessoa se foi. Isso realmente dói. Deixar de fazer, deixar de falar, deixar de amar... Sempre digo que o momento é hoje! Faça. Fale. Ame. Não deixe para depois, pois o “depois” pode não chegar. Abrace o seu filho enquanto você ainda o tem. Desculpe-se com sua mãe enquanto ela ainda está ao seu lado. Perdoe seu cônjuge enquanto vocês ainda podem ser amigos. O tempo não volta atrás para que possamos reescrever nossa história.

Agradeça a Deus o tempo que teve ao lado do seu ente querido. Agradeça muito. Se você tem saudades é porque valeu à pena desfrutar momentos ao lado dele; foi um presente que o Pai lhe concedeu. Quanto mais amamos menos falta sentimos de quem nos deixou, pois o sentimento de amor é abrangente e agrega ao invés de afastar. O amor nos dá a certeza de que, em algum lugar, aquela pessoa percebe o que sentimos por ela. Compactua com nossas vibrações, sejam elas positivas ou negativas. Existe; pois como disse no passado Lavoisier: “na natureza, nada se perde nada se cria, tudo de transforma”. A morte é uma transformação, não um fim. Talvez, seja até um novo começo... Quem sabe?

Ame. Ame muito. A vida tem valor pelos momentos que conseguimos vivenciar e eternizar em nossa memória. Se você tem a lembrança de seu ente querido viva em você, então, ele está contigo. Nós realmente nunca conseguimos nos apoderar do outro, apenas partilhar momentos com ele. Basta ver que os apaixonados vivem juntos mais em pensamentos que propriamente em ações. Imagina-se muito. As criações mentais nos trazem sensações por vezes mais fortes que a própria realidade... Se é que a realidade existe (pra bom entendedor, meia palavra basta).

Neste “finados” não focalize a perda. Agradeça pelo tempo que passou junto de seu ente querido. Recorde as coisas boas que fizeram juntos. Ria das brincadeiras que tinham por costume partilhar. Encha seu momento de amor, de gratidão, de paz... Finados vai ficar mais leve para você. E, com certeza, em algum lugar alguém vai sorrir ao sentir uma vibração tão boa!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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