Eu sinto isso

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Maria Regina Canhos Vicentin
contato@mariaregina.com.br
 

Faz algum tempo que ando observando a dificuldade que as pessoas possuem de identificar e assumir seus sentimentos. Primeiro porque elas confundem sensações com sentimentos, depois porque lhes falta coragem para dizer o que realmente sentem. Isso as prejudica demais, pois ninguém tem bola de cristal para adivinhar o que se passa no íntimo de nós. Seguimos equivocados e causando equívocos em relação ao que sentimos e pensamos. Assumir nossos sentimentos é o primeiro passo para estabelecer uma relação autêntica, seja ela amistosa, profissional, ou amorosa.

Talvez, a chave do mistério seja compreender o que nos leva a omitir, até de nós mesmos, os nossos reais sentimentos. É o medo! Medo de ser ridicularizado, humilhado, diminuído. Basta lembrarmos quantas vezes hesitamos em perguntar uma dúvida ao professor em sala de aula, temendo que os demais nos considerassem ignorante. Ou quantas vezes adiamos aquele telefonema convidando para um passeio com receio de ouvir um “não”.

A verdade é que ninguém deseja ficar “por baixo”. Temos a ideia de que assumir sentimentos é expor-se de modo irremediável, tornando-nos vulneráveis. De certo modo isso faz sentido, pois quando se tem conhecimento do que o outro pensa e sente fica mais fácil atacá-lo no ponto crítico, e muitos não hesitam um minuto sequer em fazer isso quando desejam magoar e ferir. Então, o segredo é se preparar para lidar com ataques e críticas ao sermos sinceros. Isso requer investimento, principalmente de tempo, para fortalecer nossa autoestima e convicções.

Nesta altura, muitos já devem estar pensando que é melhor ficar do jeito que se é, pois mudar e assumir o que se pensa e sente dá muito trabalho. Olha, não vou mentir, dá trabalho sim; mas compensa, pois a gente passa a ser mais autêntico e corajoso. Passa a se importar menos com a opinião dos demais e mais com a nossa. Encontramos com facilidade pessoas similares enquanto automaticamente repelimos aquelas que não têm sintonia conosco e nossa forma de pensar e agir. Ou seja, poupamos tempo de procura em todos os aspectos de nossa vida.

Quantas pessoas se queixam que não conseguem encontrar um amor, um amigo, ou um bom emprego. Mas, quantas delas deixam claro o que realmente buscam? Quantas mascaram suas reais intenções? Muitas; quase todas. A sinceridade é qualidade em extinção. Seja para se preservar seja para se sobressair, a maioria das pessoas mente. E mente descaradamente. Inventa para não assumir sentimentos, para não correr o risco de parecer ridículo, para não ficar “por baixo”. A opinião dos outros vale mais que a nossa, e delegamos aos demais o julgamento sobre a nossa pessoa, como se alguém pudesse nos conhecer mais e melhor que nós mesmos.

Enfim, as coisas seguem por um caminho ruim. As pessoas se distanciam umas das outras. Os relacionamentos se tornam frívolos, superficiais, falsos. A essência é verdadeira, mas ela não aparece, fica escondida. Poucos possuem coragem para assumir quem são e o que sentem; o que desejam. E quando o fazem, correm o risco de não ter a contrapartida, pois a maioria prefere fingir. Vale à pena refletir sobre isso, para que aos poucos não deixemos de viver, trocando a vida real pela vida do faz-de-conta. Hoje em dia, eu poderia até dizer: vida virtual. Comecemos a assumir nossos sentimentos, nossas opiniões, para que as pessoas possam realmente nos conhecer e encontrar afinidades. Eu sinto isso... Já é um bom começo!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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