O Perfil de um morador de rua

Compartilhar no Facebook

Enviar por email Imprimir este artigo
 

31 de Janeiro de 2014


O trabalho de recuperação de um morador de rua não é uma tarefa fácil e nem simples. A recuperação da comunhão divina com a humanidade é a mesma para qualquer pessoa. Isso se aplica também a um morador de rua, que é um ser humano. Mas para um morador de rua se recuperar de todo o vício da vida na rua é uma tarefa em que ele tem que estar disposto a ser trabalhado, para que ele tenha forças o suficiente para se recuperar do fundo do poço. Se ele não estiver disposto a isso, a recuperação deste vício da rua é praticamente impossível.

Os resultados de recupera√ß√£o de homens de rua √© baixo, pois a situa√ß√£o √© muito complexa e desgastante para ambas as partes (assistente e assistido). Essas pessoas tem o v√≠cio qu√≠mico da bebida alco√≥lica, das drogas e rem√©dios que os prendem e os fazem querer mais destas subst√Ęncias que os deixam sem consci√™ncia, fazendo com que sejam capazes de fazer de tudo para obter o que os seus corpos ‚Äúgritam‚ÄĚ para ter. E muitas vezes ainda √© pior o v√≠cio de viver nas ruas que lhes tira todo senso de compromisso, responsabilidade e disciplina que s√£o caracter√≠sticas essenciais para a vida de qualquer pessoa em todos os √Ęmbitos, sejam eles espirituais, f√≠sicos, sociais, emocionais, psicol√≥gicos e etc.

Grande parte dessas pessoas em situação de rua teve uma vida social normal como de qualquer outro cidadão, com suas dificuldades e alegrias. Mas com uma vida familiar, em sua maioria, sem nenhuma base de amor, compreensão, paz, paciência e dedicação. Famílias desestruturadas formam pessoas desestruturadas. As mágoas e a falta de perdão permeiam a vida de um morador de rua de tal forma, que mesmo passando-se anos ou décadas, estas marcas continuam fortes e quase inseparáveis deles.

O v√≠cio psicol√≥gico que a rua traz tamb√©m √© muito potente para fazer com que eles permane√ßam nas ruas e por mais que queiram sair das ruas, n√£o conseguem. Eles se acostumaram a viver sem responsabilidades, pois n√£o tem emprego fixo e n√£o devem satisfa√ß√£o a nenhum patr√£o. N√£o tem fam√≠lia para sustentar e, portanto tanto faz se conseguiram comida ou n√£o para eles. Se n√£o conseguirem comida, cacha√ßa eles conseguem de gra√ßa em qualquer bar e com isso tentam ‚Äúesquecer‚ÄĚ da fome e das tristezas (inerentes) da vida. Para com o governo tamb√©m n√£o tem responsabilidades, pois vivem sem moradia, sem emprego, sem documentos e sem consumir nada legalmente.

Enfim, para alguém estar disposto a ajudar estas pessoas a saírem desta condição, tem que ser participante das suas dores (mais constantes no inicio) e alegrias (menos constantes no inicio) junto deles para que haja uma recuperação plena e permanente. Isto tem que ser feito de maneira independente da quantidade de recuperados e ao prazo de recuperação, pois cada pessoa é diferente da outra e o voluntário não dá pode depender disto como base para decidir se continua ou não neste trabalho.

Este é o perfil normalmente visto destas pessoas nas grandes cidades do Brasil que tanto sofrem consigo mesmas.

O quanto você está disposto a participar da recuperação de alguém assim ?
A sua resposta pode definir o futuro de muito deles.


Mateus Feliciano
Casado, 31 anos, professor, palestrante, pastor, graduado em Administra√ß√£o, bacharel em Teologia (Faculdade Teol√≥gica Batista de Campinas), presidente da Seara Urbana (moradores de rua) em Campinas/SP, professor no curso de miss√Ķes urbanas e da Escola de Treinamento e Discipulado da JOCUM, integrante da Fraternidade Teol√≥gica Latino Americana (FTL) em Campinas, Coordenador e professor da Escola de Miss√Ķes Urbanas A√ß√Ķes na Cidade, Coordenador e professor do curso Teologia & Voca√ß√£o, Coordenador do P√≥lis Centro de Teologia, Missiologia, Voca√ß√£o e Artes e Coordenador e professor na Faculdade Teol√≥gica Batista de Campinas.
Email: mateus.feliciano@searaurbana.com
Site: www.searaurbana.com
Blog: http://poliscentro.com/blog




Mais textos deste colunista:
Sociedade da Imagem
Normalmente Diferentes e Diferentemente Normais
Contradi√ß√Ķes Coletivas
A Verdade
Compromisso não é possibilidade, é trato
Feminismo e Machismo
Do "Jeitinho" que somos
Gera√ß√£o ‚ÄúEma Ema‚ÄĚ

COMENTE ESTE ARTIGO:
Nome:
Email:

(0 / 255)
O tamanho máximo do comentário é de 255 caracteres.
Atenção!
Você irá receber um email para confirmar seu comentário para que o mesmo seja publicado nesta página, portanto o campo Email é de preenchimento obrigatório e, ao enviar, você assume a responsabilidade pelas suas palavras inseridas neste comentário.
*NOTA : o JornalRMC abre esse espaço para que nossos colunistas exponham, de forma voluntária, seus pontos de vista sobre os assuntos em que são especialistas. Dessa forma, as opiniões apresentadas são de única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, não refletindo necessariamente a opinião do portal e de seus editores.

 
SOS Impressoras
Rádio Novo Tempo Campinas
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

.: Acessos: 6.990.676 :. | .: desde Agosto/2007 :. | .: contato: imprensa@jornalrmc.com.br :. | .: desenvolvido por: LINDEMUTH Comunicação :.