Contradições Coletivas

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06 de Fevereiro de 2014


Pessoas formam sociedades, pessoas têm filosofias de vida e, portanto sociedades têm filosofias de vida. Conforme estas filosofias vão se formando, a sociedade vai se dividindo em torno delas. Mas existem ideias sobre muitos assuntos que algumas sociedades compartilham em maioria.

A nossa sociedade brasileira ou as nossas sociedades brasileiras, considerando as várias realidades, tem sofrido contradições em suas diversas formas de compreender o mundo e o comportamento humano.

A mídia no Brasil seja ela na televisão, jornais e revistas impressas ou pela internet, exerce um poder de manipulação impressionante na maior parte da “massa popular”. E os conceitos sobre vários assuntos vão mudando ou se misturando conforme a mídia vai “lançando-as”.

A pedofilia, por exemplo, tem sido um grande alvo da mídia na “caça” destes praticantes, denunciando-os, expondo-os para que a sociedade possam enxergá-los e criar um horror coletivo nesta prática condenável. Concordo em grande parte como isto tem sido feito, mas com algumas restrições.

Mas a questão que quero tratar é que a mesma mídia que condena a pedofilia (corretamente) é a mesma que estimula as músicas pornográficas em seus programas, o sexo livre sem preconceitos em seus debates e as cenas “picantes” em seus “realities shows” e novelas em pleno horário da família. Existem programas de domingo, por exemplo, que exibem crianças com roupas curtas, com danças sensuais e todo apetrecho adulto que estimula a sexualidade.

Esta contradição coletiva mal é percebida pela maioria das pessoas que são capazes de assistirem uma reportagem sobre pedofilia, dispararem comentários acusativos sobre tal prática e logo na cena seguinte cantarem com uma criança de 5 anos com uma saia curta, rebolando, músicas de apelação sexual explícita e vulgar.

É uma sociedade que é capaz de mostrar horas de propagandas de faculdades estimulando a busca pelo conhecimento, estimulando as pessoas a cada vez mais cedo estudarem, mas no próximo programa a ser exibido, mostrar pessoas com baixa escolaridade destilando seu "conhecimento" sem sentido sobre assuntos complexos como se fossem “donos” da razão em programas de auditório.

Não vejo problema as pessoas escolherem o que querem consumir, mas o grande problema é não terem critério em suas escolhas e ainda intencionalmente incentivados por uma cultura “burra” alimentados por uma mídia inescrupulosa que obviamente favorece o enriquecimento financeiro mais que o beneficio coletivo às pessoas.

Enquanto estas “celebridades” forem os grandes ídolos desta sociedade, a forma como a sociedade enxergará as coisas sempre entrará em contradição, pois os valores e princípios nunca terão bases sólidas e “a nova onda” do momento vai ditar como se deve pensar, agir e consumir.


Mateus Feliciano
Casado, 31 anos, professor, palestrante, pastor, graduado em Administração, bacharel em Teologia (Faculdade Teológica Batista de Campinas), presidente da Seara Urbana (moradores de rua) em Campinas/SP, professor no curso de missões urbanas e da Escola de Treinamento e Discipulado da JOCUM, integrante da Fraternidade Teológica Latino Americana (FTL) em Campinas, Coordenador e professor da Escola de Missões Urbanas Ações na Cidade, Coordenador e professor do curso Teologia & Vocação, Coordenador do Pólis Centro de Teologia, Missiologia, Vocação e Artes e Coordenador e professor na Faculdade Teológica Batista de Campinas.
Email: mateus.feliciano@searaurbana.com
Site: www.searaurbana.com
Blog: http://poliscentro.com/blog




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