Você conhece o seu amor? (parte 03)

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Vinícius Dottaviano
viniciuspsique@hotmail.com
 

Come√ßo esta semana o meu texto com o refr√£o de uma m√ļsica que diz: ‚ÄúO amor renova-se a cada gera√ß√£o como uma maldi√ß√£o sem ant√≠doto/ E a minha dor √© perceber/ Que apesar de termos feito tudo o que fizemos/ Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais‚ÄĚ... Destaco tamb√©m o tema de um livro: ‚ÄúAmor e Viol√™ncia‚ÄĚ que fala sobre a viol√™ncia entre namorados adolescentes e nas rela√ß√Ķes afetivo-sexuais de ‚Äúficar‚ÄĚ ou namorar, com uma vis√£o, a partir de um universo de milhares de estudantes de escolas pelo mundo. Mas porque estou falando tudo isso???

Preconizo que os jovens de hoje, ao mesmo tempo em que recriam novas formas e meios de se relacionar, em que o ‚Äúficar‚ÄĚ e o uso da internet, para intera√ß√£o amorosa e sexual, n√£o est√£o muito bem instru√≠dos nessa nova forma de se relacionar, e que com toda essa parafern√°lia digital, a maioria deles est√° apenas repetindo e reproduzindo modelos relacionais tradicionais e conservadores, como o machismo/feminismo e o sentimento de posse, expressos em suas falas e no trato com os(as) parceiro(as). Talvez at√© com maior intensidade do que faziam nossos pais.
Praticamente, todos os jovens que namoram praticam ou sofrem tamb√©m com as mais variadas formas de viol√™ncia e para marcar territ√≥rio casais jovens recorrem √† viol√™ncia virtual tanto para ferir algu√©m, como tamb√©m para arrumar algu√©m... E ainda; muitos tamb√©m para ‚Äúcontrolar‚ÄĚ seus parceiros, e pior; a agress√£o virou sin√īnimo de dom√≠nio nas rela√ß√Ķes amorosas desses adolescentes.

Preconizo também, que a violência vem se tornando uma forma de comunicação entre muitos jovens, que alternam os papéis de vítimas e autores, de acordo com o momento e o meio em que vivem. Esses atos estão se banalizando a ponto de serem incorporados naturalmente na convivência, sem reflexão alguma sobre o que isso pode significar para a vida afetiva-sexual tanto no presente, quanto no futuro(se ela houver). Vejo mais e mais, a cada dia que passa, nos noticiários e no consultório que os adolescentes adotam cada vez mais cedo a violência em diversos graus (família, amigos, escola e sociedade) e começam a achar isso muito natural. Acreditam que para ter o controle da relação e do(a) companheiro(a) é preciso usar da violência.

Voltando ao refr√£o da m√ļsica o autor continua prof√©tico ao afirmar ‚Äúque o novo sempre vem‚ÄĚ, ainda que nem sempre em um registro positivo. Segundo os meus estudos e observa√ß√Ķes cl√≠nicas, as garotas s√£o, ao mesmo tempo, as maiores agressoras e v√≠timas de viol√™ncia verbal e na categoria de agress√Ķes f√≠sicas, que incluem tapas, pux√£o de cabelo, empurr√£o, socos e chutes, os n√ļmeros revelam que os homens s√£o mais v√≠timas do que as mulheres: 1/3 delas informaram que agridem fisicamente o parceiro; contra 1/5 dos meninos que confessaram o mesmo.
J√° em termos de viol√™ncia sexual, o esperado acontece, por√©m h√° surpresas: 1/2 (metade) dos homens relatam praticar esse tipo de agress√£o, enquanto 1/3 das mo√ßas admitem o comportamento. Curiosamente, na opini√£o de 1/4 dos jovens de ambos os sexos, a viol√™ncia √© o principal problema do mundo de hoje, bem √† frente da fome, da pobreza e da mis√©ria. Bom!!!! Com tanta incoer√™ncia, destaco que isso tudo se reflete igualmente nas pr√°ticas que os jovens, em casa, abominam em seus pais, como a vigil√Ęncia constante de h√°bitos, de vestu√°rios e nos relacionamentos de amizade e romance.

Por outro lado, para dominar o(a) parceiro(a), o(a) adolescente busca controlar o comportamento do outro, as roupas que usa, os nomes na agenda do celular, os acessos a redes virtuais de relacionamento, as pessoas com quem conversa, etc... Como se n√£o bastasse isso, surge com o dito ‚Äúmundo virtual‚ÄĚ um elemento novo: a amea√ßa de difama√ß√£o do outro pela divulga√ß√£o de mentiras, fotos √≠ntimas pelo celular ou via internet foram estrat√©gias citadas pelos jovens como tentar evitar o fim do namoro, em especial por parte dos meninos. A viol√™ncia em tom de amea√ßa (provocar medo, amea√ßar machucar ou destruir algo de valor) vitima 1/4 dos jovens, um jogo sujo perpetrado por 1/3 dos entrevistados.

De acordo com as pesquisas, 1/3 das meninas assumem que amea√ßam mais seus parceiros em rela√ß√£o a 1/4 dos meninos. Percebam que os n√ļmeros se aproximam. Tudo sugere que existe um ciclo de vitimiza√ß√£o e perpetra√ß√£o. As experi√™ncias permanentes de situa√ß√Ķes agressivas se traduzem no est√≠mulo a relacionamentos conflituosos e no aprendizado do uso da viol√™ncia para obter poder e amedrontar os outros. Esse comportamento aprendido e aceito interfere no lugar que o jovem ocupar√° na rede social e no seu desempenho nas rela√ß√Ķes afetivas e sexuais tanto atuais como no futuro.

Continuo na semana que vem,

Boa Semana


Vinícius Dottaviano
Doutorando em Psicologia da Arte (Unicamp), Mestrado em Artes e Educação (Unicamp), Pós-Graduação em Psicoterapia Cognitiva/Comportamental (UNIAnchieta de Jundiaí), Bacharelando em Direito pela Faculdade Padre Anchieta de Jundiaí/SP, Licenciado em Psicologia pela Faculdade Padre Anchieta de Jundiaí/SP, Licenciado em Dança e Artes Corporais (Unicamp) e Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUCC.
Email: viniciuspsique@hotmail.com




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