Saudade

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Maria Regina Canhos Vicentin
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Este é um texto especial, em agradecimento a uma atenção especial. Ele versa sobre a saudade, aquela recordação nostálgica que a gente sente, de pessoas ou coisas distantes, de um passado, às vezes, tão presente. Há momentos em que a saudade apunhala o peito, qual algoz, sem piedade. Traz lembranças de um tempo que já não existe, imortalizado apenas em nossas recordações. Lembramos de um colo terno e quente no qual descansávamos e nos alimentávamos, crescendo entre lágrimas, sorrisos e manifestações afetivas. Não existia abundância, mas também pouco faltava. Havia dias escaldantes e noites enluaradas, música no pensamento e no coração. A aurora da vida tem um frescor difícil de esquecer. Tempo de aprendizado e tantas conquistas, aventuras, descobertas. Tempo de vivacidade.

Escola, primeiros amigos, professora... Ah, tudo era tão diferente comparado a hoje em dia, principalmente no tocante à disciplina. Havia uma severidade e um temor... Sim, havia medo, mas para que lembrar nisso agora. Cabelos longos em tranças, saias plissadas, sorrisos, brincadeiras. Coisas boas e outras nem tanto, mas que fizeram parte da história de muitos.

Num certo momento, um encontro marcante que mudaria a vida por completo. Quem sou eu? Quem é você? Fomos embaralhados nas opções da vida, diante de apelos apaixonados, instintivos, intimamente pungentes. Nosso coração não mais nos pertencia. Havia sido encantado, estava enamorado de um amor globalizante. Fomos seduzidos e nos deixamos seduzir. Passamos a compreender melhor os sentimentos. A avaliar a complexidade da renúncia, o preço da fidelidade. Alguns afetos se foram e nos deixaram de braços vazios, embora ainda de coração cheio. Viver com lembranças saudosas, às vezes, dói, pois há pessoas que não regressam ainda que as quiséssemos trazer de volta.

Diante da perplexidade de nossos sentimentos e da melancolia de nossas recordações, experimentamos um prazer solitário, advindo das nossas divagações e passeios pelos momentos que perpetuamos em nossa memória. É a saudade! Saudade do tempo bom que se foi, da ternura de certos momentos aprazíveis, das pessoas que nos deixaram, do nosso encontro pessoal com a própria motivação, do entusiasmo da juventude, da presença marcante de Deus!

Essa saudade mansa e melancólica, ora nos entristece ora alegra. Faz com que verifiquemos a importância de tudo o que nos aconteceu até o momento. Ainda que distante, mãos acenam convidativas para mais momentos e lembranças. Nessas horas, a saudade preenche o peito, aparentemente vazio, e a nostalgia toma conta do espaço. Nós buscamos algo no horizonte da vida, e nos deparamos com o mar. Espelhamo-nos em suas águas e nos sentimos grandes. Temos intimamente medo de nos perder. Logicamente deduzimos: Meu Deus, como é possível? Sendo tão grandes, como poderíamos nos perder? No mais, tudo é saudade!


Maria Regina Canhos Vicentin
Natural de Jaú/SP. Formou-se em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto e em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru. Especializou-se em Educação pela Faculdade Claretianas de Batatais. Psicóloga Judiciária no Fórum da Comarca de Jaú. Profissional Especialista em Psicologia Clínica e em Psicologia Jurídica.Autora dos livros: Buscando a Felicidade (Ed.Celebris), Sementes de Esperança (Ed.Santuário), Temas do Cotidiano (Ed.Santuário), e Superdicas para ser feliz no amor (Ed.Celebris). Agente de Pastoral da Evangelização da Paróquia de São João Batista em Jaú (SP) escreve regularmente para diversos jornais; entre eles, Folha da Região (Araçatuba – SP) e O Lutador (Belo Horizonte – MG), além da Revista O Mensageiro de Santo Antônio (Santo André – SP), e Família Cristã Online (São Paulo – SP).
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